Quentin Tarantino

Os 100 melhores filmes dos anos 90

Há um filme ou mesmo uma cena capaz de definir uma década? Nos anos 90, há Pulp Fiction e a sequência de dança de John Travolta e Uma Thurman. Ou uma cadeira de rodas em chamas, a circular o Cristo invertido, em plena Guerra da Bósnia, em Underground – Mentiras de Guerra. Ou a chuva sobre Tim Robbins, enfim livre, em Um Sonho de Liberdade. Ou um homem com a perna levantada, prestes a dar um passo, ultrapassar uma fronteira, em O Passo Suspenso da Cegonha.

Há, ao longo de dez anos, uma coleção de momentos marcantes. Nos anos 90 não é diferente: é a década de Tarantino, do retorno triunfal de Robert Altman e Terrence Malick, da revelação do cinema iraniano ao mundo todo, como também a do mestre polonês Kieslowski (que logo morreria). A década do movimento Dogma 95 e da revelação dos orientais Tsai Ming-liang, Jia Zhangke e Naomi Kawase. Não restam dúvidas sobre a grandeza da década, como confirma a lista abaixo.

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100) Temporada de Caça, de Paul Schrader

99) Amateur, de Hal Hartley

98) Contato, de Robert Zemeckis

97) O Paciente Inglês, de Anthony Minghella

96) Uma Garota Solitária, de Benoît Jacquot

95) Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis

94) Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick

93) Depois da Vida, de Hirokazu Kore-eda

92) Bom Trabalho, de Claire Denis

91) Magnólia, de Paul Thomas Anderson

90) Baraka, de Ron Fricke

89) Ghost in the Shell: O Fantasma do Futuro, de Mamoru Oshii

88) E a Vida Continua, de Abbas Kiarostami

87) Medo e Delírio, de Terry Gilliam

86) Dois Córregos – Verdades Submersas no Tempo, de Carlos Reichenbach

85) Xiao Wu – Um Artista Batedor de Carteira, de Jia Zhangke

84) A Estrada Perdida, de David Lynch

83) O Ferrão da Morte, de Kôhei Oguri

82) Quando Tudo Começa, de Bertrand Tavernier

81) Cidade das Sombras, de Alex Proyas

80) Maridos e Esposas, de Woody Allen

79) O Passo Suspenso da Cegonha, de Theodoros Angelopoulos

78) Mal do Século, de Todd Haynes

77) Videogramas de uma Revolução, de Harun Farocki e Andrei Ujica

76) Exótica, de Atom Egoyan

75) A Isca, de Bertrand Tavernier

74) Leolo, de Jean-Claude Lauzon

73) O Sucesso a Qualquer Preço, de James Foley

72) eXistenZ, de David Cronenberg

71) O Vício, de Abel Ferrara

70) Festa de Família, de Thomas Vinterberg

69) Na Companhia de Homens, de Neil LaBute

68) Fogo Contra Fogo, de Michael Mann

67) A Igualdade é Branca, de Krzysztof Kieslowski

66) Felicidade, de Todd Solondz

65) Violência Gratuita, de Michael Haneke

64) Vive L’Amour, de Tsai Ming-liang

63) Violento e Profano, de Gary Oldman

62) Sonatine, de Takeshi Kitano

61) De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick

60) Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami

59) Um Homem Com Duas Vidas, de Jaco Van Dormael

58) Mistérios e Paixões, de David Cronenberg

57) Suzaku, de Naomi Kawase

56) Central do Brasil, de Walter Salles

55) À Beira da Loucura, de John Carpenter

54) Conto de Inverno, de Eric Rohmer

53) Alma Corsária, de Carlos Reichenbach

52) Forrest Gump – O Contador de Histórias, de Robert Zemeckis

51) Todas as Coisas São Belas, de Bo Widerberg

50) A Eternidade e um Dia, de Theodoros Angelopoulos

49) Segredos e Mentiras, de Mike Leigh

48) JFK – A Pergunta que Não Quer Calar, de Oliver Stone

47) Água Fria, de Olivier Assayas

46) Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar

45) Vale Abraão, de Manoel de Oliveira

44) O Processo do Desejo, de Marco Bellocchio

43) O Espelho, de Jafar Panahi

42) O Pagamento Final, de Brian De Palma

41) Felizes Juntos, de Wong Kar-Wai

40) Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson

39) A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforo, de Aki Kaurismäki

38) Corvos, de Dorota Kedzierzawska

37) Flores de Xangai, de Hou Hsiao-Hsien

36) Rosetta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

35) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

34) O Sonho Azul, de Tian Zhuangzhuang

33) Os Imorais, de Stephen Frears

32) Lanternas Vermelhas, de Zhang Yimou

31) Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont

30) O Rei de Nova York, de Abel Ferrara

29) Fargo, de Joel Coen

28) Ondas do Destino, de Lars Von Trier

27) Adeus ao Sul, de Hou Hsiao-Hsien

26) Vício Frenético, de Abel Ferrara

25) Basquete Blues, de Steve James

24) A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski

23) A Lista de Schindler, de Steven Spielberg

22) Sátántangó, de Béla Tarr

21) O Tempo Redescoberto, de Raoul Ruiz

20) Um Olhar a Cada Dia, de Theodoros Angelopoulos

19) Naked, de Mike Leigh

18) A Dupla Vida de Véronique, de Krzysztof Kieslowski

17) O Fim de um Longo Dia, de Terence Davies

16) Amores Expressos, de Wong Kar-Wai

15) Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica

14) O Jogador, de Robert Altman

13) Van Gogh, de Maurice Pialat

12) O Piano, de Jane Campion

11) Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood

10) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

A jovem Clarice Starling é colocada para investigar os ataques de um assassino em série e, para solucionar o caso, vê-se envolvida com outro assassino, o temido Hannibal Lecter. Assustador e hipnótico, quase não deixa retomar o fôlego. Vencedor de cinco Oscar.

9) Close-Up, de Abbas Kiarostami

Homem passa-se por um diretor de cinema, o conhecido Mohsen Makhmalbaf, em história baseada em caso real. O mestre Kiarostami convida o verdadeiro impostor a reviver o caso, em mais um grande filme iraniano que retorna o foco para o próprio cinema.

8) Pulp Fiction – Tempo de Violência, de Quentin Tarantino

Cães de Aluguel foi apenas a antessala para esse filme explosivo e original, que valeu a seu jovem diretor – cuja trajetória mítica ora ou outra aponta ao balconista de vídeo-locadora – a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Violento, rápido e embalado por uma narrativa não linear.

7) A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski

A terceira e melhor parte da incrível Trilogia das Cores. É também o último filme de seu diretor, que morreria pouco depois. Na trama, uma modelo atropela um cão. Em sua busca pelo dono, ela termina na casa de um juiz ranzinza que tem o hábito de espionar os próprios vizinhos.

6) Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

Talvez seja a última obra-prima de Scorsese. Um de seus filmes mais completos, no qual se lança em terreno que conhece bem: a máfia. Tem Ray Liotta no papel do jovem apaixonado pelo mundo do crime, De Niro à vontade como um chefão e assassino, além do demoníaco Joe Pesci.

5) Um Dia Quente de Verão, de Edward Yang

Um filme sobre a memória, sobre um grupo de jovens envolvidos com gangues, mas também descobrindo o primeiro amor. Yang faz um belo retrato da juventude sem esquecer as dores familiares. Um dos pontos altos é a sequência da chacina noturna, filmada com pouca luz.

4) A Bela Intrigante, de Jacques Rivette

O que procura todo artista? A obra perfeita? A necessidade de dividi-la com o público? Rivette questiona tudo isso na relação de um pintor com sua musa. É também um filme sobre o corpo, sobre a criação artística, com longas cenas nas quais a câmera limita-se a captar o tempo.

3) Short Cuts – Cenas da Vida, de Robert Altman

Mais uma vez debruçado sobre uma penca de personagens, Altman entrega um filme com vidas cruzadas. Começa com helicópteros fazendo uma pulverização sobre Los Angeles e termina com um terremoto. Mistura comédia à tragédia a partir das histórias de Raymond Carver.

2) Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami

O terceiro filme de uma trilogia iniciada com Onde Fica a Casa do Meu Amigo? e cuja parte do meio é E a Vida Continua. Em cena, um rapaz tenta se declarar e se aproximar da mulher que ama durante a realização de um filme. É a única oportunidade para revelar seus sentimentos.

1) Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg

Pode-se esperar qualquer coisa de Cronenberg, menos um universo de pessoas normais, ou próximas a isso. Em Crash, sua obra-prima, ele une com perfeição o universo do desejo carnal à tara pela velocidade, pelo risco, pela morte. Em cena, um rapaz vê-se enredado a um grupo que tem como prazer a reconstituição de famosos acidentes de carro e o risco que oferecem. Carne e máquina, ao gosto de Cronenberg.

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Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino

O próprio Quentin Tarantino, com o papel que lhe cabe, o de um bandido entre outros em uma mesa de lanchonete, explica a metáfora da canção “Like a Virgin”, da cantora Madonna. Toma para si, nas primeiras linhas de seu primeiro longa-metragem, a explicação sobre uma peça da cultura pop – como se ali houvesse algo a mais.

Amantes da “alta cultura” talvez não vejam nada de profundo em “Like a Virgin” ou em Cães de Aluguel, levados a subestimar o que é ligado ao pós-modernismo e a uma máquina industrial da qual, é verdade, sobram motivos para desconfiar.

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O que faz Tarantino, na pele do passageiro senhor Brown, é reivindicar – em um formato cômico que permeia o diálogo dos criminosos – certa profundidade. E volta seu olhar ao produto que pode apenas rechear os sentidos com certo tom erótico, no caso da canção; ou, para ir além, no caso do filme, o produto que não se reduz à violência.

Talvez não. Cães de Aluguel, um pequeno filme esperto ancorado nos diálogos, em um roteiro que funciona à base de idas e vindas no tempo, desafio o espectador a ver mais do que um filme de assalto com trapaceiros e piadas a reboque.

É sobre um universo impessoal no qual todos são chamados por apelidos, cada um com uma cor. Um deles, o senhor Pink (Steve Buscemi), mais de uma vez pedirá que sejam profissionais, que não se matem em nome de algum rastro de camaradagem. Como se vê, o texto de Tarantino não escapará a essa tendência clássica, quase como um faroeste: os homens ainda estão à frente do dinheiro, ainda sob um velho código de conduta.

Cães de Aluguel, entre tiros e diálogos ágeis, leva a um círculo de bandidos do qual ainda sai algum gesto inesperado, terno, até mesmo à beira do amor: o momento em que um dos criminosos aproxima-se de outro para segurá-lo em seus braços e lhe fornecer algum consolo antes da morte, enquanto ambos se veem encharcados de sangue.

A aproximação surge estranha. Em um filme no qual os homens tratam-se por apelidos, por cores, o gesto é quase deslocado. Por ali, algumas figuras servem apenas para destruir, para dar vez aos desejos relacionados à violência e ao sangue: sacar o torturador que chega ao local tomando refrigerante, com um policial preso no porta-malas, é um golpe equivalente à aparição, em Pulp Fiction, de um louco mascarado.

Tarantino não tem qualquer problema em abrir portas e oferecer o horror gratuito, mesclá-lo à trilha sonora de seu universo pop e jogar o sorriso do torturador (Michael Madsen) como contraponto perfeito ao desespero do policial (Kirk Baltz), prestes a ter sua orelha arrancada. Tarantino sabe como representar na tela essas emoções, como saturá-las, antes, pelos diálogos. O horror é o passo seguinte à palavra.

Os bandidos são reunidos para assaltar uma joalheria e, desde os primeiros instantes, com os gritos do senhor Orange (Tim Roth) no branco de trás do carro, coberto de sangue, sabe-se que o assalto não correu bem. Os bandidos voltam a se encontrar em um galpão e desejam descobrir quem é o traidor entre eles.

Típica situação de filme de assalto, como em O Grande Golpe. O assalto, contudo, nunca é mostrado: em seu texto esperto e veloz, Tarantino deixa lacunas. Se por um lado o espectador embarca com facilidade nessa trama movida a uma situação inquietante, por outro nunca é possível se agarrar demais às personagens em questão.

Em certo sentido, e apesar da grandeza das imagens no espaço interno e do inegável domínio da direção, Cães de Aluguel é um filme amador, apressado, que escancara sua forma ao sacar, a cada instante, um momento-chave, uma aparição relâmpago, como se unisse suas peças à força, em um mesmo palco, soando artificial.

Ao recorrer à metáfora, Tarantino eleva a brincadeira nesse filme de estreia. O universo em questão, regado pelos efeitos da pós-modernidade, é o dos bandidos baratos que pouco a pouco deixam ver suas identidades, homens por trás das cores, gente que grita pelo profissionalismo e termina abraçada ao companheiro baleado.

(Reservoir Dogs, Quentin Tarantino, 1992)

Nota: ★★★☆☆

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Bastidores: Cães de Aluguel

(…) Cães de Aluguel, que estreia em Los Angeles na próxima semana, é um dos filmes mais bem dosados, perturbadores e habilmente construídos que saem este ano. É um belo filme de gênero que está permanentemente rindo de si mesmo e da idiotice pueril do gênero: uma brincadeira de assalto sem assalto, um filme de ação que está perdidamente apaixonado pela conversa, um poema para o lado sexy de contar uma história e uma amostra de sabedoria precoce sobre a vida. Tudo isso de um cineasta iniciante cuja instrução consiste em seis anos atrás do balcão de uma locadora de vídeos de Manhattan Beach, um tempinho no Sundance Institute Director’s Workshop e um monte de aulas de interpretação. Quentin Tarantino descreve a si mesmo como um especialista em filmes que nunca botou os pés numa escola de cinema e que nunca quis fazer outra coisa além de dirigir filmes. “Estou tentando enfiar cada filme que já quis fazer neste primeiro”, ele diz animado.

Ella Taylor, crítica de cinema, em texto escrito na ocasião do lançamento de Cães de Aluguel nos Estados Unidos e reproduzido no livro Quentin Tarantino (organização de Paul A. Woods; Editora Leya; pgs. 37 e 38). Do trecho acima, vale destacar a passagem em que Taylor cita o fato de Tarantino ter sido balconista de vídeo-locadora, o que só reforça a mitologia que o próprio diretor manteve – ainda mantém? – por anos, ligada à sua formação cinéfila. Abaixo, Tarantino e o ator Harvey Keitel.

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As 20 melhores cenas de ação do cinema nos últimos dez anos

Grandes cenas de ação nem sempre estão atreladas a orçamentos gordos, abusos de pirotecnia, tampouco a efeitos digitais em excesso (e muitas das cenas abaixo comprovam isso). São momentos saídos de filmes lançados nos últimos dez anos. Como se pode ver, é uma lista cheia de doses de emoção. E, vale lembrar, uma lista pessoal.

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20) Invasão à embaixada americana (Argo, de Ben Affleck)

Em 1979, durante a Revolução Iraniana, a Embaixada dos Estados Unidos é invadida. Em Argo, o momento ganha recriação empolgante, com a bandeira americana em chamas, tensão e alguns de seus membros escapando pelos fundos (abaixo).

argo

19) O pouso e a luta sobre a plataforma (Star Trek, de J.J. Abrams)

O retorno à franquia, com os heróis jovens, foi um acerto. E a escolha de J.J. Abrams para comandar a história, ainda mais. A sequência em questão é espetacular, quando Kirk, na companhia de dois agentes, salta no Espaço e chega à plataforma.

star trek

18) O ataque do urso (O Regresso, de Alejandro González Iñárritu)

É o início do calvário do protagonista, vivido por Leonardo DiCaprio. O conflito com o animal é impressionante. Após sobreviver a esse ataque, o herói passa o filme em busca de sua regeneração, entre muito gelo, também em busca do assassino de seu filho.

o regresso

17) Tiros na fronteira (Sicario: Terra de Ninguém, de Denis Villeneuve)

Um belo filme pouco lembrado na temporada de premiações de 2016, com boa interpretação de Emily Blunt como a agente do FBI que vai à fronteira com o México em missão especial. A sequência em questão é um dos pontos altos da obra.

sicario

16) Perseguição no estádio de futebol (O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella)

Sem edição perceptível, o plano-sequência chama a atenção. Os heróis, entre a multidão que assiste ao jogo futebol, procura pelo assassino de uma garota. Eles resolvem se embrenhar no estádio quando descobrem que o procurado é torcedor fanático.

o segredo dos seus olhos

15) Embate na casa de Calvin (Django Livre, de Quentin Tarantino)

Questões de raça são evidentes: é possível ver o olhar de ódio aos negros em cada gesto de Calvin Candie, o barão vivido por Leonardo DiCaprio, cuja morte, com um tiro no peito, dá vez ao banho de sangue na parte final da obra. É Django contra todos.

django livre

14) O tsunami (Além da Vida, de Clint Eastwood)

Dramas também podem ter grandes sequências de ação. Esse belo filme de Eastwood trata de vidas paralelas, de pessoas que, ora ou outra, são afetadas pelo sobrenatural, e começa com o tsunami que destruiu a costa da Tailândia em 2004.

além da vida

13) Perseguição na Turquia (007 – Operação Skyfall, de Sam Mendes)

Como de costume na franquia 007, a sequência inicial é sempre arrebatadora. Ou deveria ser. A de Operação Skyfall é uma das melhores da série, com Bond perseguindo um vilão pelas ruas, telhados e sobre os trilhos de trem (abaixo), em Istambul.

skyfall

12) Caçada noturna (Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen)

Esse grande filme dos Irmãos Coen tem ao centro um atravessador, um serial killer e um policial desiludido. Na cena em questão, o atravessador (Josh Brolin) tenta escapar de homens que retornam ao local de uma chacina à procura de uma mala de dinheiro.

onde os fracos não tem vez

11) Chacina no bar (Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino)

Antes dos tiros, Tarantino leva a longos e engraçados diálogos, com o jogo de cartas na cabeça, espiões passando-se por alemães e um alemão de verdade que senta à mesa para desmascarar os outros. Ou para mostrar como se pede uma cerveja na Alemanha.

bastardos inglórios

10) Colisão com lixo espacial (Gravidade, de Alfonso Cuarón)

Os astronautas são avisados, ainda nos primeiros instantes, que estão na rota de lixo espacial em órbita. É o início dos problemas da cientista interpretada por Sandra Bullock. Após o choque, ela fica à deriva, no Espaço, tentando se salvar.

gravidade

9) Exército encurralado (13 Assassinos, de Takashi Miike)

Os 13 samurais do título preparam uma emboscada ao tirano líder de um clã. Diferente da bela versão de 1963, dirigida por Eiichi Kudô, Mike dedica mais sangue e mais tempo à batalha final, que acaba ocupando quase metade de seu filme.

13 assassinos

8) O Dia dos Mortos (007 Contra Spectre, de Sam Mendes)

Difícil imaginar que Spectre conseguiria, pelo menos em sua sequência de abertura, antes dos créditos, superar Skyfall. Passado na Cidade do México, o momento é de pura empolgação, com Daniel Craig correndo para todos os lados, entre lutas e explosões.

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7) Matança na igreja (Kingsman: Serviço Secreto, de Matthew Vaughn)

Um dos filmes de aventura mais divertidos dos últimos anos, Kingsman tem uma sequência violenta e da qual, vale lembrar, seu protagonista é excluído. Quem ganha espaço é o agente vivido por Colin Firth, em momento de pura quebradeira.

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6) Transportando dois assaltantes (Drive, de Nicolas Winding Refn)

É para lembrar que grandes sequências de ação também podem ser construídas com pouco. Para lembrar que carros em alta velocidade, em clima realista, podem ser mais interessantes que o exibicionismo de Velozes e Furiosos e seus derivados.

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5) Tempestade de areia (Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller)

O filme inteiro é uma grande e única sequência de ação – ou, exageros à parte, é quase isso. A entrada na tempestade de areia dá vez ao delírio máximo da obra: é quando carros e homens são lançados ao ar, em “dia adorável”, como diz Nicholas Hoult (abaixo).

mad max

4) Acidente na torre (Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson)

A explosão que anuncia a chegada do petróleo atinge o garoto, filho do protagonista vivido por Daniel Day-Lewis. O menino é lançado para trás, perde a audição. O petróleo jorra por todos os lados, enquanto os homens assistem a subida das chamas.

sangue negro

3) Soldado abatido pela bomba (Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow)

A sequência de abertura, a mais emocionante do filme de Bigelow, antecipa o que vem a seguir: a presença dos americanos em uma terra à qual não pertencem, os olhares cruzados, o risco da explosão a cada pequeno movimento.

guerra ao terror

2) Luta na sauna (Senhores do Crime, de David Cronenberg)

O capanga Nikolai (Viggo Mortensen) é encurralado por dois assassinos na sauna e tem de lutar com ambos, nu, pela própria vida. Uma sequência emocionante, física, com muito sangue e belamente orquestrada pelo mestre Cronenberg.

senhores do crime

1) Perseguição a Harvey Dent (Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan)

Filmes de super-heróis também têm momentos emocionantes. A sequência em questão vale pelo todo, quando o Coringa (Heath Ledger) tenta capturar Harvey Dent (Aaron Eckhart) pelas ruas de Gotham City e Batman (Christian Bale) luta para impedi-lo.

batman cavaleiro das trevas

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Faster, Pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer

Apesar de erotismo em cada centímetro de película, as belas mulheres de Faster, Pussycat! Kill! Kill! fazem do sexo – e de seus atributos físicos – apenas um meio para trapacear. O sexo, diz o cineasta Russ Meyer, torna-se brincadeira.

Com quase tudo a mostrar, elas enganam, primeiro, o espectador. O diretor prefere o flerte, não a gratuidade. Sua obra mais famosa sequer pode ser considerada erótica: há em cena uma mulher dominadora, outra um pouco calada, perigosa, e uma terceira, loura, que não consegue fazer sexo com um grandalhão abobalhado.

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faster pussycat kill kill

Os homens nada podem fazer. O mais forte deles é impotente, preso a uma cadeira de rodas – e, ao que parece, um pedófilo. Eles lutam como podem para derrotá-las. O filme resume-se a um delírio, com corridas no deserto, seios avantajados e assassinatos.

É uma brincadeira sem qualquer humanidade, uma balada despregada de contornos sérios. É diversão assumida – o que explica ter se tornado objeto de culto de diretores como Quentin Tarantino, obrigatório em sessões à meia-noite.

O trio de go-go dancers é encabeçado pela japonesa Varla (Tura Satana), mais interessada em velocidade e dinheiro do que em homens. Suas companheiras são a morena Rosie (Haji) e a loura Billie (Lori Williams).

O filme começa com uma corrida de carros desenfreada pelo deserto, e com Billie lançando-se em um rio para se refrescar. A ausência de um enredo logo é sentida. O filme prefere o estilo, qualquer desculpa para que as mulheres entrem em combate.

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Elas deparam-se com um rapaz e uma adolescente no deserto. Desafiam-no a uma corrida de carros. Mais tarde, Varla mata-o e sequestra a garota. O filme ganha novas voltas e o trio termina na propriedade de um homem poderoso, preso à cadeira de rodas empurrada por seu filho, forte mas sem cérebro, chamado Vegetal.

A fusão das mulheres à ação proposta por Meyer dá ao filme um toque especial, como um Fellini americano chegado a curvas perfeitas, ou mesmo ao ideal da mulher de seu país: bela, dominadora, cujas curvas são destacadas na tela.

São mulheres falsas, obviamente. Interpretam menos e, limitadas a alguns gestos, preferem apenas posar para a câmera de Meyer. Talvez seja injustiça dizer que não exista interpretação. São fortes, alçadas à condição de objeto de desejo.

A partir de trama rala, Faster, Pussycat funciona como brincadeira assumida, exercício de estilo, excentricidade de um diretor fascinado por figuras femininas particulares.

Nota: ★★★☆☆

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