Jean-Luc Godard

Os 20 melhores filmes sobre prostituição

Ao revisar a prostituição no cinema, vale retornar à frase de abertura de Lúcia McCartney, uma Garota de Programa, filme de David Neves lançado no início dos anos 70: “(…) as necessidades que o cinema e a prostituição satisfazem são as mesmas (…), os homens vão ao bordel como vão ao cinema”. Depois, perto do fim, a obra indica que o bordel é o espaço da ficção. Um pouco como o cinema, portanto.

Nas telas, a prostituição ocupou inúmeros filmes. Mas a maioria apenas incluiu uma personagem prostituta ou gigolô. Poucos se debruçaram sobre a prática ou a ela dedicaram maior abordagem, como se vê nos 20 filmes abaixo. Outras grandes obras foram consideradas para essa lista, como O’Haru: A Vida de uma Cortesã, Manila nas Garras de Néon e Ádua e Suas Companheiras, entre outras. Apesar de possuírem personagens em vida prostituta, não se lançam por completo no tema.

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Os filmes abaixo falam também do corpo, da guerra, de questões sociais ainda urgentes. Não tratam do tema com moralismo, a julgar a prática com facilidade. Não deixam saídas fáceis. O critério desse ranking leva em conta a abordagem da prostituição na tela, não necessariamente o resultado final do filme. À lista.

20) A Mulher Infame, de Kenji Mizoguchi

Garota honesta retorna para casa e passa a viver com a mãe, a dona de um bordel. Ambas se apaixonam pelo mesmo homem.

19) O Céu de Suely, de Karim Aïnouz

Sem o marido e sem dinheiro, Hermila torna-se Suely e passa a rifar o próprio corpo, em “uma noite no paraíso”. Enfrenta a ira da cidade.

18) Jovem e Bela, de François Ozon

Homenagem a A Bela da Tarde, de Buñuel, sobre uma colegial que marca programas na internet e, com seu papel, torna-se mulher.

17) Nunca aos Domingos, de Jules Dassin

Melina Mercouri brilha nesse filme engraçado, com um homem que tenta convencer uma prostituta a deixar sua vida infame.

16) Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis

Em Las Vegas, cidade iluminada, falsa, escritor alcoólatra apaixona-se por uma bela prostituta. História de amor improvável.

15) Gigolô Americano, de Paul Schrader

O melhor em seu ofício, gigolô sofisticado termina em uma teia de suspense após uma de suas clientes ser assassinada.

14) Era Uma Vez em Nova York, de James Gray

Mulher imigra para os Estados Unidos e, com a irmã detida e sob as forças de um homem instável, vê-se obrigada a se prostituir.

13) Mulheres no Front, de Valerio Zurlini

Um grupo de mulheres gregas é levado para o front de batalha, para satisfazer os desejos dos homens do exército italiano.

12) L’Apollonide, de Bertrand Bonello

O cotidiano de uma “casa de tolerância”, entre passado e presente, entre sequências violentas e sensibilidade.

11) Rua da Vergonha, de Kenji Mizoguchi

Último filme do mestre Mizoguchi, sobre a vida decadente e difícil de algumas prostitutas no bordel Terra de Sonhos.

10) História de uma Prostituta, de Seijun Suzuki

Outro filme sobre prostituição em meio à guerra, dessa vez sobre as japonesas levadas ao confronto contra os chineses na Manchúria.

9) Noite Vazia, de Walter Hugo Khouri

Obra-prima do cinema nacional, sobre dois amigos que saem com duas prostitutas, em uma noite de diálogos fortes e revelações.

8) Noites de Cabíria, de Federico Fellini

A prostituição a partir de uma personagem cheia de ternura, vítima dos homens, cujo fim leva à estrada, ao inesquecível sorriso.

7) Viver a Vida, de Jean-Luc Godard

A trajetória de Nana, com seu cabelo à la Louise Brooks, outra vítima dos homens no ainda melhor filme do francês Godard.

6) Pretty Baby, de Louis Malle

Menina cresce em um bordel ao lado da mãe, também prostituta, e causa fascinação em um fotógrafo de passagem pelo local.

5) Perdidos na Noite, de John Schlesinger

O caubói vai para Nova York na esperança de faturar alto como garoto de programa. A realidade encontrada é outra.

4) Klute, o Passado Condena, de Alan J. Pakula

Ao investigar o desaparecimento de um homem, investigador vê-se apaixonado por uma prostituta. Oscar de atriz para Jane Fonda.

3) Portal da Carne, de Seijun Suzuki

A vida das prostitutas no pós-guerra e a tentativa de sobreviver à presença dos estrangeiros, clientes que elas não querem.

2) Mulheres da Noite, de Kenji Mizoguchi

O retrato devastador da prostituição em tempos de guerra, entre a pobreza e a necessidade de sobrevivência.

1) A Bela da Tarde, de Luis Buñuel

Entediada com sua vida comum, cheia de desejos ocultos revelados em sonhos, mulher casada passa a frequentar um bordel, sempre à tarde, e se vê entre diferentes homens e fetiches. É o filme mais lembrado do mestre Buñuel.

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Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho

O soldado solitário, pela natureza, relembra – em tom de discurso, com alegria, para todos ouvirem – a vitória na Guerra do Paraguai. “Sou um soldado vitorioso do imperador”, dirá ele, mais tarde. Em sua viagem, ele encontrar-se-á com diferentes pessoas: primeiro com um soldado machucado e derrotado; depois com duas atrizes.

O homem em questão, em viagem, é um ignorante, o soldado feliz por ter recebido medalhas em troca da morte de outros homens. A ele não resta nada senão o pensamento estreito, a ideia de pátria feita de vitórias – mas moldada por ilusões, por pessoas alienadas (a começar por ele) por poderosos de barriga cheia.

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Pois esse homem não esconde seu lado miserável – e alimenta sua fome com sua fala aparentemente épica, com seu jeito de fazer da vitória o meio de vida. O retorno da guerra, com a farda um pouco suja, a encontrar um país miserável, é o que lhe sobrou. Extasiado pelas próprias palavras – ou pelo discurso dos outros -, ele ainda não compreendeu isso.

O exercício das outras personagens – falar o que o soldado patriota não consegue enxergar – resume Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho. O visual faz pensar em um filme de Jean-Luc Godard, mas também em Béla Tarr. Difícil não recordar O Cavalo de Turim em sua sequência de abertura, quando três mulheres empurram uma carroça pela estrada.

Rosemberg Filho apoia-se no tempo, na espera, nas palavras embebidas pela política, no embate entre os diferentes: política e arte, guerra e paz, soldado e atriz, homem e mulher. Tudo leva ao embate. O soldado (Alexandre Dacosta) encontra-se com um soldado machucado, provavelmente um paraguaio, ou o espírito dos derrotados.

Antes, sozinho, esse mesmo espírito (Chico Díaz) lança à tela seu discurso de ódio à civilização e seus poderosos que vomitaram bombas, de suas “aves metálicas”, nas pessoas, nos inocentes. Esse espírito, ao que parece, atinge a consciência a partir da derrota. Segundo ele, desejava-se o país que não queria ser farsa ou representação, mas “verdade e história”.

“Império ou república são demências vazias se não existirem contradições ou história”, diz a atriz, mais tarde, vivida pela ótima Patrícia Niedermeier. Frases como essa resumem a posição humanista do filme, anti-militarista, a crítica a um país – ou mesmo a várias nações ao redor do globo – que optou pela política da guerra e da morte.

Guerra do Paraguay, como indica o título, remete ao passado, à investida vitoriosa do Brasil em um conflito armado. A vitória, aqui, simbolizará a derrota – primeiro pelo olhar do soldado machucado, depois pelas considerações da atriz mambembe, na companhia da irmã que se expressa com demência e emite sons de um animal com dor.

Algo une as mulheres ao soldado: são todos miseráveis. Alienado, ele custa a entender isso. Tomado pelo discurso da vitória, ele não entende, ou finge que não entende. A selvageria logo se revela sob a farda suja e desajeitada, sob o homem que nada tem de heróico além de palavras lançadas ao léu. Ao estupro, ao fim, somam-se imagens verdadeiras.

O filme de Rosemberg Filho é dedicado a Tempo de Guerra, de Godard, e a Doutor Fantástico, de Stanley Kubrick. Há inegavelmente um pouco dos dois nesse trabalho que funde tempos e não aborda – e critica – apenas uma guerra. As imagens reais, no encerramento, são como as bombas do término de Doutor Fantástico: levam a pensar em todas as guerras. Mais ainda, na capacidade de autodestruição, no aniquilamento como norma.

(Idem, Luiz Rosemberg Filho, 2016)

Nota: ★★★★☆

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Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

O velho clichê das coisas que melhoram com o tempo, a exemplo do vinho, cabe a Isabelle Huppert. A pequena senhora agiganta-se em papéis desafiadores, como se vê no recente Elle, de Paul Verhoeven, que lhe garante uma posição entre as melhores atrizes de 2016. E o longa é muito mais que um retrato da mulher abusada.

Sua carreira atravessa décadas, sempre com diretores conhecidos e mesmo em outros países, como os Estados Unidos. Filmou com Michael Cimino, por exemplo, o desastroso – porém monumental – O Portal do Paraíso. Nas filmagens, recebeu a visita de ninguém menos que Jean-Luc Godard, que a convidou para trabalhar em Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado em 1980.

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Também esteve em filmes de grandes cineastas como Claude Chabrol, Bertrand Tavernier, Maurice Pialat, André Téchiné, Benoît Jacquot e Michael Haneke. Tornou-se comum esperar, todo ano, por novos filmes com Huppert. O público é sempre recompensado.

10) Um Amor Tão Frágil, de Claude Goretta

A atriz já havia aparecido em uma porção de filmes até chegar à obra inesquecível de Goretta, como a protagonista, a jovem cabeleireira que se relaciona com um rapaz intelectual. A diferença entre eles impõe obstáculos e o fim do relacionamento, mais tarde, é um pouco inexplicável ao espectador. Sensível, merece a descoberta.

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9) Minha Terra, África, de Claire Denis

Filme extraordinário sobre uma mulher que não aceita deixar sua propriedade, em uma África atolada na guerra civil. Seus funcionários já deixaram o local, e a isso se somam problemas familiares e a presença de guerrilheiros armados pela região. Denis, discípula do grande Jacques Rivette, faz um de seus melhores trabalhos.

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8) Paixão, de Jean-Luc Godard

O melhor Godard dos anos 80, no qual Huppert interpreta uma operária, companheira de um cineasta (Jerzy Radziwilowicz) e explorada pelo dono da fábrica (Michel Piccoli). Huppert já havia trabalhado com o diretor francês no anterior e também excelente Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado dois anos antes.

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7) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

As várias personagens fictícias circundam um fato real: a morte de Eluana Englaro, em 2009, levada a cabo por sua família após uma batalha judicial. Bellocchio registra uma Itália dividida. Huppert interpreta uma mulher religiosa que se dedica 24 horas à filha, que se encontra presa à cama, em estado vegetativo.

bela que dorme

6) Loulou, de Maurice Pialat

Difícil compreender a atração por Loulou, a personagem errática de Gérard Depardieu. Esse homem mulherengo capta a atenção de Nelly (Huppert) durante uma festa. Não se separam mais. É o suficiente para ela deixar o antigo companheiro e viver com ele. Os atores voltariam a atuar juntos no recente O Vale do Amor.

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5) Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Nos tempos de guerra, quando a França estava ocupada pelos alemães, a protagonista destaca-se fazendo abortos e vive bem, com roupas caras e sem dar muita bola ao marido militar. Um dos vários trabalhos interessantes que a atriz fez em parceria com o cineasta, com quem voltaria a se encontrar em Madame Bovary e A Comédia do Poder.

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4) A Professora de Piano, de Michael Haneke

A pianista Erika Kohut (Huppert) mantém uma relação conflituosa com a mãe (Annie Girardot) ao mesmo tempo em que passa a ter um caso com um jovem aluno (Benoît Magimel). Ela quebra seu jeito contido com masoquismo e desejos reprimidos. Belo filme de Haneke. Prêmio de melhor atriz em Cannes para Huppert.

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3) O Portal do Paraíso, de Michael Cimino

O fracasso de bilheteria não impediu que fosse redescoberto e, por alguns, colocado no alto das listas de melhores filmes de todos os tempos. Huppert está em meio a um elenco grande, em uma história sobre a luta de estrangeiros contra proprietários de terras cheios de xenofobia – tema que continua atual.

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2) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

Huppert interpreta uma das três escritoras e irmãs, Anne, ao lado de Emily (Isabelle Adjani) e Charlotte (Marie-France Pisier). Há algo misterioso nesse grande filme, com três mulheres reclusas que, a certa altura, tomam rumos distintos. Mas, com suas fotografia em tons escuros, não se trata de uma cinebiografia comum.

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1) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

O clima hitchcockiano acompanha certa frieza. Duas mulheres – amigas e talvez um pouco mais – combinam um crime: matar a família que emprega uma delas, a personagem de Sandrine Bonnaire. Huppert é a outra, a companheira que conduz a esse jogo perigoso, no qual ninguém é confiável e cheio de perversão.

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Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

A Bossa da Conquista, de Richard Lester

Os jovens de A Bossa da Conquista não diferem dos Beatles de Os Reis do Iê-Iê-Iê, do mesmo Richard Lester. O cotidiano dessas personagens, em apenas um dia, ao longo de uma hora e meia, resume-se à necessidade de se encaixar, de fazer parte, de encontrar o inexplicável, descobrir a “malícia” ou saber o que fazer com ela.

O mais sensato a dizer é que se trata, antes, de um filme sobre a juventude. Algo cada vez mais raro no cinema: não um filme sobre personagens jovens e adolescência, mas um trabalho livre, que exala juventude pela forma, pelo movimento, pelos cortes.

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Nas ruas, o trio ao centro atrai o olhar alheio: os mais velhos retornam a ele – e à câmera – para declarar reprovações. Lester explora o estranhamento – o dos mais velhos, o do público do cinema – perante gestos inesperados. É a aparente loucura de uma juventude, a possibilidade de se fazer o que quiser.

Um rapaz introvertido (Michael Crawford) divide a grande casa com seu oposto, o namorador (Ray Brooks) que leva novas garotas todos os dias para seu quarto. No dia retratado, eles deparam-se com uma menina (Rita Tushingham) recém-chegada a Londres e com uma rapaz (Donal Donnelly) que deseja alugar um cômodo.

Um filme de leves desacertos: corridas pela rua sobre uma cama, brincadeiras que simulam selvageria, móveis por um corredor apertado, a aparência de constante anarquia – mesmo quando tudo é assumidamente indolor e mesmo infantil.

Lester dá vida a um cinema tão livre quanto o de Jean-Luc Godard – guardadas as devidas diferenças. O que se vê, em ambos, é a aparente ausência de compromisso com situações e personagens, a vida feita de aventuras, o movimento em círculos, o flerte constante com a comédia física e palavras inesperadas, além de legendas na tela.

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Enquanto o francês é mais radical em relação à linguagem, sempre de olho em referências do passado, Lester aponta a uma Inglaterra em tempo de mudanças, à liberdade de não se fazer nada – ou parecer isso – enquanto se fazia tudo, ou muito.

As meninas davam o tom da moda, silenciosas, rostos de boneca – muitas vezes servindo apenas à onda de uma juventude sem vida, massa para pisotear um dos rapazes ao fim. Não por acaso, as mesmas meninas que viriam a aporrinhar o desiludido fotógrafo de Blow-Up, de Michelangelo Antonioni, lançado um ano depois.

As modelos posam para fotógrafos. Velhas construções transformam-se em novas vitrines. Para Lester, um novo mundo ergue-se entre o velho. A grande casa em que vivem suas personagens é constantemente reinventada e bagunçada.

Como os Beatles do filme anterior, esses quase rebeldes não precisam de qualquer desculpa ou sentido para se aventurar; estão alheios ao mundo real, vivos pela conexão com qualquer bobagem que talvez seja mais profunda do que pareça.

(The Knack… and How to Get It, Richard Lester, 1965)

Nota: ★★★★☆

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15 grandes filmes que sintetizam o clima político dos anos 60

Os movimentos de renovação do cinema, nos anos 60, trouxeram também uma forte abordagem política. Alguns cineastas deixaram ideologias às claras em obras extraordinárias e contestadoras, sem que renunciassem ao grande cinema em nome do panfleto. A lista abaixo traz 15 filmes que captam o espírito da época, com temas ainda atuais. Comunismo, anarquismo, maoísmo e outras correntes podem ser vistas em fitas de autores como Rosi, Bertolucci, Godard e Saraceni.

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Os Companheiros, de Mario Monicelli

O cotidiano dos trabalhadores de uma pequena cidade muda com a chegada de um professor terno e idealista, interpretado na medida por Marcello Mastroianni. Obra-prima de Monicelli, que se firmou como um dos principais cineastas do chamado cinema político italiano, sempre entre o tom cômico e o trágico.

os companheiros

As Mãos Sobre a Cidade, de Francesco Rosi

O cineasta havia realizado, antes, o extraordinário O Bandido Giuliano. Em seguida, com As Mãos Sobre a Cidade, mantém pleno diálogo com seu tempo, ao abordar as tramoias de um político corrupto em prol da especulação imobiliária. Há grandes sequências de embates e manipulação. Continua tristemente atual.

as mãos sobre a cidade

Antes da Revolução, de Bernardo Bertolucci

Perfeito retrato do jovem que vive um impasse político: tenta se distanciar da burguesia ao mesmo tempo em que vê com receio os comunistas de então. Primeiro filme importante de Bertolucci, após o interessante A Morte. Para alguns estudiosos, antecipa a discussão e o clima que tomaria conta do mundo com o Maio de 68, na França.

antes da revolução

O Desafio, de Paulo César Saraceni

Obra fundamental do cinema novo brasileiro. Como Antes da Revolução, apresenta o impasse de um jornalista, impotente devido ao golpe de 1964. À época, alguns diálogos foram censurados pela Ditadura e, mais tarde, com a abertura política, tais trechos tiveram de ser dublados, evocando as frases originais que constavam no roteiro.

o desafio

A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo

A independência da Argélia ainda era recente quando o filme estreou. Muitas das pessoas que participaram da obra, não-atores, viveram o evento real. Não por acaso, esbarra no documentário, com imagens granuladas e interpretações naturalistas. Um documento sobre a resistência do povo argelino contra as forças francesas.

a batalha de argel

Despedida de Ontem, de Alexander Kluge

Ao lado de O Jovem Törless, de Volker Schlöndorff, é um dos filmes que deu origem ao conhecido novo cinema alemão. Nesse caso, a abordagem política não se desprega do passo a passo da protagonista, uma moça que vai da Alemanha Oriental para a Ocidental e encontra obstáculos, terminando sempre como vítima de todos à sua volta.

despedida de ontem

A Chinesa, de Jean-Luc Godard

Talvez o principal filme a retratar o espírito de 68 – e que curiosamente o antecede. Com sua música “Mao Mao”, de Gérard Guégan, com seus jovens de discursos constantes – e cortantes – empunhando o Livro Vermelho, ao mesmo tempo com um clima de improvisação e liberdade. Importante para entender a radicalidade da época.

a chinesa

A China Está Próxima, de Marco Bellocchio

O título, de novo, faz referência ao regime chinês. Na história, ele sai de uma pichação na parede da sede do Partido Comunista. Ao centro há um rapaz que assessora um homem milionário de carreira política e seu irmão, ligado ao grupo maoísta. Alguns momentos aproximam-se da comédia. Um grande Bellocchio.

a china está próxima

Terra em Transe, de Glauber Rocha

Com Eldorado, o país fictício em que se desenrola uma trama política manjada, Rocha faz um claro paralelo com o Brasil. O enredo é conhecido: o político populista é colocado a escanteio, ao passo que o poder termina na mão do líder autoritário e recheado de símbolos da Igreja. O protagonista assiste à transformação e depois adere às armas.

terra em transe

Partner, de Bernardo Bertolucci

As filmagens da obra de Bertolucci ocorreram na mesma época dos atos de Maio de 68. Membros de seu elenco e equipe aproveitavam as horas vagas para viajar à França e se engajar nas fileiras dos protestos. A obra bebe na fonte de Godard e é inspirada em O Duplo, de Dostoievski. Em cena, o enfant terrible Pierre Clémenti.

partner

Memórias do Subdesenvolvimento, de Tomás Gutiérrez Alea

Considerado o maior filme cubano já feito. Reflexão sobre um homem que se divide entre ir embora da ilha, quando estoura a revolução, ou continuar por ali e assimilar as mudanças. Realizado sob o regime de Fidel Castro, ainda assim consegue ser crítico. O protagonista vê-se sozinho depois que a família migra para os Estados Unidos.

memórias do subdesenvolvimento

Se…, de Lindsay Anderson

Em 1968, devido aos protestos políticos, o Festival de Cannes foi cancelado. No ano seguinte, a Palma de Ouro terminou nas mãos de Anderson. Em um colégio interno conservador, um grupo de alunos rebela-se contra seus superiores e, ao fim, promove um ataque contra o poder, representado principalmente pela Igreja.

se...

A Piada, de Jaromil Jires

Pequena obra brilhante da Nová Vlna (a nouvelle vague tcheca), que não passou despercebida ao olhar dos censores soviéticos. Por muito tempo não constou na filmografia de seu diretor. Entre passado e presente, aborda a história de um homem expulso do Partido Comunista Tcheco e condenado a “serviços militares” forçados.

a piada

Dias de Fogo, de Haskell Wexler

Mais conhecido pelos seus trabalhos como diretor de fotografia, Wexler foi um artista politicamente engajado e chegou a realizar um documentário sobre o golpe de 64 no Brasil, lançado em 1971. Seu Dias de Fogo capta o momento de transformações nos Estados Unidos, em 68, entre as primárias do Partido Democrata e a ebulição das ruas.

dias de fogo

Z, de Costa-Gavras

Mescla o tom de documentário ao suspense policial. Ganhador do Oscar de filme estrangeiro, trata do caso Lambrakis, o político liberal assassinado na Grécia no início dos anos 60. Os poderosos trataram o caso como acidente, ainda que a morte tenha ocorrido em meio a uma multidão. Filme de resistência, poderoso do início ao fim.

z costa-gavras

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