James Gray

Z: A Cidade Perdida, de James Gray

A jornada de Percy Fawcett pela Amazônia tem mais sonho que realidade. O diretor James Gray, com roteiro de sua própria autoria a partir do livro de David Grann, divide o tempo entre passagens do explorador em busca da cidade perdida e situações nas quais a selvageria impõe-se de outras formas, como na caçada a um cervo, no início, ou na Primeira Guerra Mundial.

O que há de irônico aqui – ainda que o filme em momento nenhum desdenhe das crenças do herói, e tampouco o trate como louco – é essa tentativa de encontrar uma civilização quando só restam sinais de selvageria. E Fawcett, como mostra Gray no desfecho, terminará consumido pela mesma. Rui o sonho da civilização.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

O militar converte-se em explorador quando é levado pelo Império Britânico a uma missão na América do Sul, entre a Bolívia e o Brasil, na Amazônia, para o mapeamento de seu território. Os ingleses têm interesse no fim dos conflitos locais, o que tem feito subir o preço da borracha. Os homens seguem então à mata fechada.

Três viagens à selva são mostradas ao longo do filme. Fawcett primeiro lamenta: não entende por que deixou a família para trás, na Inglaterra, para invadir território tão hostil. Logo muda, encanta-se com a possibilidade da aparência selvagem e desordenada abrigar uma cidade. Isso ocorre após ele encontrar alguns objetos de cerâmica na floresta, o suficiente para sustentar suas crenças.

De volta à Inglaterra, Fawcett protagoniza um debate que parece ter saído de A Volta ao Mundo em 80 Dias ou algo do tipo, quando um bando de britânicos bem vestidos colocam-se a desconfiar dos outros, todos sedentos por novidades e desafios, nos espaços de um clube local. Todos a esbravejarem o poder do homem branco.

De volta à mata, o explorador descobre novas esculturas sobre a rocha, uma tribo canibal, e se vê outra vez ao lado de homens desconfiados, doentes, sem forças para continuar a empreitada. Vê-se sem comida, a certa altura, o que inviabiliza a missão. Difícil não pensar em Aguirre, a Cólera dos Deuses, de Werner Herzog, no qual os homens são pouco a pouco dizimados à medida que seguem pelo rio.

E se não chega à insanidade do filme alemão ou mesmo de Apocalypse Now (as comparações são quase incontornáveis), isso se deve à visão clássica de Gray, à maneira como prefere a calmaria e a linearidade, à aparente retidão das personagens e até mesmo aos contornos de tragédia silenciosa do homem controlado até o fim.

Seus homens não explodem nem mesmo quando tudo parece terminado, quando percebem ter perdido a batalha. Fawcett não desiste da missão com facilidade: é o caçador que consegue abater o cervo em uma disputa, o militar que conduz um bando de homens contra os alemães na Primeira Guerra e quase termina cego. Na pele do protagonista, Charlie Hunnam concentra força e humanidade.

A terceira viagem à Amazônia, à frente, ocorre por insistência do filho, Jack, interpretado por Tom Holland. O garoto aprende a gostar da caça e, como o pai, busca na mata uma aventura ou a possibilidade de escrever seu nome na história. São louvados pelos outros no caminho, embrenham-se de novo no meio do nada, encaram índios enquanto estes se mantêm a distância, incompreendidos, indecifráveis.

Como o filme anterior de Gray, Era uma Vez em Nova York, a imagem final de Z: A Cidade Perdida mostra a caminhada de uma personagem por meio de seu reflexo. Vê-se, através do espelho, um espaço de sombras, a mulher (Sienna Miller) que ainda aguarda o retorno do marido e do filho, a mulher que mantém a esperança de que ambos talvez tenham encontrado a sonhada civilização perdida entre a mata selvagem.

(The Lost City of Z, James Gray, 2016)

Nota: ★★★★☆

Veja também:
James Gray: era uma vez na América

Anúncios

James Gray: era uma vez na América

Cinema de gênero é quase exceção entre os melhores cineastas que começaram a fazer filmes nas últimas décadas. James Gray, por isso, pode ser considerado um autor raro, um diretor em busca do velho romantismo fechado, dedicado a contar histórias, que parece não esconder nada do espectador. Tudo é entregue à tela, sem rodeios.

Suas histórias envolvem família, amores perdidos, situações cotidianas com jovens delinquentes. Tentam recuperar certo espírito americano de perda, em filmes sobre seres hostilizados em seu próprio seio, sobre tradições desequilibradas, com situações que levam ao “efeito simples” da bandidagem, o “nós contra eles”.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

É provável que Gray estivesse pensando em Terry Malloy, a personagem de Marlon Brando em Sindicato de Ladrões, quando criou – em parceria com o diretor e roteirista Matt Reeves – o jovem Leo Handler (Mark Wahlberg) de Caminho Sem Volta.

Leo teve problemas com as autoridades, pagou pelos erros. Basta seu olhar, no interior do metrô, ainda na abertura, para saber um pouco do que passou. Um policial à frente, no mesmo vagão, causa-lhe incômodo. Trocam olhares de desconfiança, o que dá novas pistas sobre a personagem em questão, que acaba de retornar da cadeia.

Não por acaso, a primeira imagem do filme mostra a saída da escuridão, quando o trem deixa o túnel e chega à luz. O filme todo será assim: um conflito entre luzes e sombras, o que representa a própria condição de seu jovem protagonista sem sorte.

Contra Leo não está apenas a polícia, mas todo um sistema que inclui a máfia, os políticos, a justiça e mesmo a família. Ao fim, todos darão as mãos em um tratado macabro. E a Leo resta o sentimento de que será como sempre foi, não muito diferente de outros subalternos, alguém que nada pode fazer contra os chefes do bairro.

Malloy vem à mente. A grande personagem de Marlon Brando, que havia conferido ao cinema certa ambiguidade típica ao jovem, está ligada às personagens de Gray. Mesclam-se nelas a desconfiança em relação a tudo, a consciência e a busca pela justiça.

Elia Kazan joga nas costas de seu protagonista a luta inglória contra o sistema mafioso que domina os portos. Contra Leo está a corrupção na rede do metrô de Nova York. Ele descobre o pior sobre o melhor amigo, também sobre seu tio, um mafioso que vive à base da imagem do bom homem de negócios.

A saída da escuridão torna Leo alguém mais frágil, alguém que renasce vazio àquele mundo de surpresas, de festas e novidades, no qual tudo parece fácil e à mão. Leo será vítima dos desejos: o amor que tem pela sua própria prima, a bela Erica (Charlize Theron), e a confiança no amigo Willie (Joaquin Phoenix).

A aparência de facilidades, contudo, não é sedutora: Gray filma os ambientes como em típicos filmes de máfia, o que leva a pensar, de forma automática, em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola. Salas escuras com homens que tramam o destino dos outros, com detalhes vermelhos ao fundo e mulheres do lado de fora.

Gray declara-se fã de Coppola. Diferente do mestre, suas personagens são mais leves, menos comprometidas com o universo fechado da máfia. Ora ou outra escapam às ruas, onde, no caso de Leo, encontram problemas. É na companhia de Willie que ele envolve-se em um crime. A fatura tem peso: um segurança morto e um policial em coma.

Do dia para noite, Leo torna-se um indesejado: seus problemas chegam aos espaços do tio, e os laços de sangue passam a traí-lo. Seus problemas são semelhantes aos de Malloy, que não pode ser outra coisa aos olhos da máfia senão um garoto de recados.

Curioso notar o conselho de seu tio Frank (James Caan) quando o menino pede-lhe ajuda. Frank diz que Leo deve fazer um curso e se tornar maquinista. O conselho tem duplo significado: deseja manter Leo em uma posição social inferior (o que já tem) e, no caso do poderoso tio, revela um homem preocupado.

Frank, apesar de vilão, carrega essa ambiguidade: ele deseja que o menino não se envolva com a máfia e que se torne maquinista. Por outro lado, Leo inclina-se ao caminho mais curto: deseja, como Willie, ter mais dinheiro, mais poder e, talvez, conquistar o coração de alguém como Erica. Ou o da própria.

Seu sentimento pela moça é claro. À frente, Willie descobre que eles já tiveram um curto romance no passado. Mas Erica não ama mais Leo. Seu coração agora é de Willie. Esse triângulo levará a uma briga entre os homens, na rua, filmada a distância.

Tal como Malloy, Leo terá de mudar de lado para conseguir impor o que entende como justiça. Diferente de Malloy, em um tempo com mais politização e, ao que parece, corrupção, terá de aceitar um acordo entre empresas que disputam o controle dos metrôs – um acordo que beneficiará a todos, principalmente os criminosos.

De quebra, Leo ainda tem uma mãe doente, situação semelhante à dos irmãos do primeiro filme de Gray, Fuga para Odessa, separados pela criminalidade. O mais novo, Reuben (Edward Furlong), ficou com os pais em uma Nova York fria, de contornos envelhecidos, que remete à mesma América de Caminho Sem Volta: local sem muitas opções e no qual os bandidos misturam-se às pessoas comuns.

O irmão de Reuben é um matador de aluguel que decidiu reaparecer, ou que simplesmente reapareceu por acaso durante um de seus serviços. É Joshua (Tim Roth), raivoso e adepto à lei das ruas, às vezes (poucas) um sentimental.

Fuga para Odessa valeu a Gray o Leão de Prata no Festival de Veneza, o que o levou a Caminho Sem Volta. Fiel a seus temas e estilo, Gray – a exemplo de realizadores como Martin Scorsese e Sidney Lumet – conta histórias em um terreno que conhece. Cresceu justamente no Queens, onde sua segunda obra é ambientada.

Na ocasião do lançamento de Caminho Sem Volta, a Miramax queria cortar parte do filme. Gray foi duro e recusou: queria o filme como havia idealizado. Em Cannes, na competição pela Palma de Ouro, o longa foi recebido com frieza.

Os temas e os sentimentos aos quais o filme apela – a dificuldade para encontrar um lugar no mundo, para sobreviver às ruas, para se enquadrar à própria família – já estavam em Fuga para Odessa. Seu sentimento de exclusão, em clima frio, ajuda a explicar as personagens. É indicativo que essa obra de estreia comece com Reuben na sala de cinema, vendo um filme.

A película queima durante a sessão e resume o que vem pela frente: a imagem inexata, distorcida, coberta. E será justamente Reuben a vítima desse obstáculo, quando é confundido com um bandido e morto por um tiro. A bala atravessa um lençol branco antes de lhe atingir. Sua sombra poderia indicar qualquer um, qualquer ser.

Ele, como Leo, é vítima dos pecados alheios. Aparente inocente em um universo dominado pela bandidagem, a mesma que lhe fornece um passaporte. Para Reuben, a oportunidade de ficar com seu irmão, alguém que ainda ama; para Leo, a oportunidade de ter algo e talvez conquistar Erica, ou apenas fugir da escuridão.

O fim da luz em Caminho Sem Volta é como a película que queima: um convite à frustração, ao nada, a porta de saída de um mundo atraente mas perigoso.

Fuga para Odessa inclui as cobranças do pai (a figura de autoridade que também tem seus pecados) e as dores da mãe. O pai é vivido por Maximilian Schell, a mãe por Vanessa Redgrave. Quando ela tem seus ataques de dor, o pai acode-lhe. Ao mesmo tempo, Reuben vê a relação pela pequena abertura da porta, pela luz que escapa do lugar. O amor converte-se em sofrimento. A família está desintegrada.

Os Donos da Noite, terceiro filme de Gray, é também sobre personagens presas às luzes e sombras. Retornam Joaquin Phoenix e Mark Wahlberg nos papéis de irmãos vivendo em universos opostos: um é gerente de uma casa noturna, chegado a drogas e diversão, o outro um policial honesto e pai de família.

A máfia volta à cena e, para Gray, oferece a quebra de divisões: está dentro e fora de casa, nas pessoas que se ama, nos melhores amigos, nas noites de festa. Os opostos tocam-se pelos efeitos da urbanização e da religiosidade, entre violência e gestos de amor, com a presença de seres que não se definem, a exemplo de Leo ou Joshua.

O dono das contradições é Bobby Green (Phoenix), filho de policiais e a serviço da máfia. Compõem sua rotina homens de moral duvidosa. Há, de resto, alguns “intrusos”, entre eles o pai e o irmão, ora ou outro para fazê-lo lembrar do caminho certo.

Bobby é gerente de uma casa noturna e, com alguma frequência, tem de se colocar no meio de brigas e retirar mulheres com os seios à mostra de cima do balcão. Ao aceitar voltar à (velha) família, embarca em outro universo, em outra festa, na qual o irmão e o pai revelam-lhe outros costumes, o caminho do qual destoa.

Em suas contradições, Bobby é sempre o mais interessante, o mais comprometido com a desgraça que se avizinha, pois será ele, de certa forma, o responsável por ela.

Imerso em seu mundo de pecados e permissões, ele não pode, de cara, aceitar um pedido do pai e do irmão. Bobby é convidado a ajudar a polícia a prender um poderoso traficante que frequenta a casa noturna em que trabalha. É nesse pedido que os mundos tocam-se: o momento em que Gray fará uma mistura à sombra da religião.

É na igreja, a certa altura, que o pai, Burt Grusinsky (Robert Duvall), explicará a situação que os envolve: ou se está de um lado ou de outro, com Deus ou com o Diabo. Bobby, na divisão do tabuleiro, não encontra fuga: será condenado a sofrer ao não estar nem de um lado nem de outro, ao apresentar em si próprio a confusão.

É como o Leo de Caminho Sem Volta, renegado, entre as luzes e a escuridão. É o mais interessante em cena e, felizmente, será assim até o fechamento: talvez à exceção dos últimos segundos, nunca parecerá um policial ou um verdadeiro vilão. Na primeira parte da obra, a personagem caminha sempre ao pecado e à contestação: não resiste à imagem do corpo feminino e tampouco liga quando deve brigar com o irmão, que certa noite faz uma batida policial em sua casa noturna. Enfurece-se quando perde a autoridade.

Será tragado, depois, à resignação: terá de entender que, quando seu pai e seu irmão travam uma guerra, não resta outra opção: deverá estar do lado da família. O lado errado fornecia-lhe delícias, mas, aos olhos de Deus, será sempre o lado errado. Não há o que fazer. E Gray sacrifica as delícias da vida sob a influência da religiosidade.

Nova York continua suja em Os Donos da Noite, no fim dos anos 80, e uma avalanche de cocaína ganha espaço enquanto se fixa a aparência de liberdade nas festas em casas fechadas, de luz escassa, ao som de “Heart of Glass”. É ao som dessa música, após velhas fotos do velho mundo policial, nos créditos, que surge o protagonista. Bobby vai das sombras à luz – seguindo o movimento de Leo, do túnel à claridade.

Como em Caminho Sem Volta, esse movimento evidencia sua condição. Ao sair das sombras, ainda na abertura, Bobby é levado ao desejo, ao corpo da namorada Amada (Eva Mendes). Ela insinua-se, leva as mãos ao meio das pernas e deixa suas partes intimas saltarem à tela levemente. O rapaz desliza a mão e a boca pela sua superfície.

Gray estabelece o universo de Bobby como o da permissividade, da sexualidade como liberdade, contraponto ao universo de sua família. Não por acaso, a certa altura Bobby insinua que o irmão deseja ter uma mulher como a sua, sexualmente desejável.

Sua namorada também será estranha àquele meio de homens brancos: é uma latina cuja descendência, à frente, é lembrada pelo pai, que talvez desejasse ao filho uma companheira com outras raízes, uma mulher branca. Amada é quem revela, em carne, a forma de um mundo atraente, à parte, um espaço de estrangeiros e exotismo.

Em Os Donos da Noite, o protagonista morrerá caso não aceite seu destino, caso não recuse os pecados da vida mundana. Como ocorreu a Leo e a Terry Malloy, ele será dominado pelas dores da consciência. E a religião encontra ali seu espaço.

No clássico filme de Kazan, lançado em 1954, é justamente um padre (Karl Malden) o responsável por organizar uma reunião entre trabalhadores, no interior de uma igreja, para que se juntem contra os homens poderosos e corruptos da região portuária.

Pois há algo religioso na caminhada de Bobby, como na de Leo e de Terry – que precisam sangrar para serem aceitos e perdoados pelos outros, e talvez por Deus.

Durante o funeral do velho Burt, ao som das celebrações policiais, Gray mostra a locomotiva ao fundo. Pode ser a mesma do filme anterior, que traz a personagem das sombras à luz, à tentativa de se livrar do passado que a atormentava.

Esse passado inclui drogas e facilidades, bandidos com jeito camarada, dinheiro e sucesso. Inclui também as músicas das casas noturnas nas quais Leo e Bobby embrenham-se na busca do desconhecido, na tentativa de esquecer, talvez, os problemas de fora. E existem ali as mulheres, misto de amor, desejo e perigo.

Janela indiscreta

O protagonista seguinte de Gray é um rapaz desajustado, um suicida. Leonard, à frente de Amantes, não amadureceu por completo e ainda vive à sombra da família – igualmente à sombra da dor de ter perdido a mulher que amava.

Logo na abertura, ele carrega uma capa plástica que cobre a roupa e na qual se lê uma declaração de amor à cidade de Nova York – o emaranhado de prédios e urbanização, sempre às sombras, com becos e festas regadas à dança frenética.

Leonard é vivido por Joaquin Phoenix, ator de quase todos os seus filmes (à exceção do primeiro longa-metragem, Fuga para Odessa). O astro é perfeito ao papel do rapaz deslocado, meio infantil, cuja vida tem significado apenas quando se ama. E isso ajuda a entender, talvez, por que Leonard é um suicida: ele é alguém que ainda acredita em um amor profundo o suficiente para sacrificar a vida, como em antigas tragédias.

Fadado ao sofrimento, Leonard vaga por aquela cidade fria, no inverno que aqui aproxima e separa os corpos em medida semelhante. Mais uma vez, Gray mostra uma comunidade fechada e com seus próprios hábitos. Como em seu primeiro longa-metragem, retornam os comerciantes judeus.

Mas Gray retira uma característica comum a seus filmes passados: a máfia. O problema agora é de sentimentos, em uma obra sobre um homem só, tendo de lidar com seu peso e seus conflitos internos. Ficam apenas problemas amorosos e conflitos entre gerações. Leonard, a certa altura, envolve-se com uma moça judia, filha de um poderoso comerciante que faz negócios com seu pai. Ela é Sandra (Vinessa Shaw).

Representa tudo o que ele podia esperar: é uma mulher companheira, dedicada, reconhece seus problemas passados e, de quebra, diz que deseja cuidar dele. No entanto, o protagonista não é capaz de amar Sandra. Seus problemas remetem ao passado: Leonard não pôde ficar com a mulher que amava porque não podiam ter filhos.

Ao que parece, a questão familiar e mesmo a cultural sobrepõem-se ao amor dele, fazendo mudar sua vida, fazendo com que retornasse àquele estado anterior, ao rapaz que ainda vive com os pais, trancado no quarto, adolescente deslocado que busca nos menores hábitos a saída para esquecer os acordos do mundo externo.

Sem muitos mimos, mas tratado sempre com atenção, para Leonard ou se ama ou não se vive. A certa altura, sua vida muda quando entra em cena uma bela mulher loura (em oposição à morena Sandra), a problemática e sensual Michelle (Gwyneth Paltrow).

Perto mas longe: Michelle vive no mesmo prédio de Leonard, algumas escadas acima, e de sua janela – um pouco mais ao alto – dá para ver o quarto do protagonista. Ele ama-a incondicionalmente em seu estado infantil e contido, em sua maneira extremista de ver o mundo, o que o leva à tentativa de suicídio.

Leonard entende o mundo a partir das emoções, não dos acordos ou das conveniências. Não consegue ser racional. E, com Michelle, parte para festas, para dançar e beber. Sempre ocupará uma segunda posição na vida da vizinha: não um novo amor, mas uma amizade, alguém que serve para a mulher desabafar os problemas.

Michelle desestabiliza, é a mulher que assombra, a moça que coloca a vida do protagonista de cabeça para baixo. Ao fim, quando vai até ele para dar a pior das notícias, emerge das sombras como um anjo do mal. E quando Leonard segue-a até o metrô, no início desse relacionamento, terá de entrar na escuridão. Repete-se o movimento entre luzes e sombras que marca os filmes de Gray.

O amor é tão trágico quanto os laços entre homens em suas famílias e redes criminosas, em seus negócios proibidos. Como outras personagens do cineasta, Leonard segue caminho oposto aos cínicos em pipocam na tela, atraente com suas dúvidas e crises.

O que talvez explique a paixão de Sandra, a moça que deseja não apenas um homem, mas alguém para cuidar, tornando-se mãe. E talvez Leonard deseje ser cuidado, alimentado por uma mulher – como parece indicar a sequência em que Michelle, da janela, mostra-lhe o seio. Ao mesmo tempo materna e erótica.

A mulher problemática já foi vista em outras obras de Gray. Em Caminho Sem Volta havia a Erica de Charlize Theron, a moça rebelde que não suportava os problemas do namorado, ao mesmo tempo dentro e fora do mundo marginal. Em Os Donos da Noite havia a latina Eva Mendes, Amada, tão “estrangeira” quanto Michelle. É como os pais das personagens de Phoenix recebem essas mulheres: estranhas demais para seus filhos, “estrangeiras” o suficiente para colocarem fim a uma linhagem “pura”.

Mais importante que a questão religiosa em Os Donos da Noite é a questão cultural, a permissão para fazer parte e a aceitação observadas também em Amantes. Crescer, diz Gray, é entender (e seguir) as tradições, seus arranjos, à contramão do coração. Quando retorna para Sandra, aparentemente recuperado, o rapaz mostra estar próximo, enfim, da maturidade.

O amor é a corrida a algo que insinua proximidade – a alguns metros, em uma janela indiscreta –, ao mesmo tempo distante e ilusório. Esse amor revela-se apenas uma paixão momentânea, um estágio, e talvez tenha prazo de validade.

Das danças na casa noturna aos gestos de reclusão, no quarto, grudado ao travesseiro, Leonard é alguém cujo amor leva à metamorfose, às várias faces em uma, ao mapa humano que não deixa saída. E isso talvez explique seu desejo pela morte, no início, e sua vitória ao fim: o desejo de viver. Aceita a segurança, o amor do outro.

Às origens

Com Era Uma Vez em Nova York, James Gray mostra a dor de quem carrega o pecado, a busca por se “limpar” em um universo que despeja sempre o que há de pior: a sujeira que se vê em um país em transformação, em uma terra escura e de conflitos.

O que se sobressai é o conflito às vezes íntimo, o da moça imigrante que não pode ser, de cara, alguém como todas as outras moças, mas alguém que, para sobreviver, terá de ser como todas: uma mulher que se entrega aos homens por dinheiro, que sabe que, para sobreviver nessa terra de dinheiro que é a América, terá de pecar.

A América, diz Gray, foi forjada à base do pecado, e nem por isso a religião escapou dali. Ao contrário, persiste. Era Uma Vez em Nova York, sua obra mais completa, tem a ambição de lançar luz ao passado para que seja possível entender sua filmografia. Com essa obra completa e extraordinária, o cineasta faz o que Scorsese tentou com Gangues de Nova York e não conseguiu: mostrar o que dá forma àquela América na qual a lealdade familiar mescla-se à bandidagem.

Ao mesmo tempo uma síntese de tudo o que vem antes, Era Uma Vez em Nova York é um resultado, o capítulo seguinte de uma obra consistente, apenas de altos, sem os pontos baixos comuns a outros diretores americanos pressionados pelo mercado. Gray revela-se – àqueles que ainda não acreditavam – um autor. Um diretor sem medo de reviver uma nova cópia, fiel a seu universo de criminosos e tradições.

A abertura de Era Uma Vez em Nova York faz pensar em O Poderoso Chefão – Parte 2. O diretor nunca escondeu sua admiração por Coppola, que se dedicou, com sua famosa trilogia, a examinar (também) as bases que formaram os Estados Unidos, a confusão aparentemente organizada e reduzida aos balbucios de Marlon Brando (na primeira parte), a um jovem De Niro em busca de vingança sobre os telhados de Nova York.

São imagens que povoam a mente dos cinéfilos: demonstrações sobre os imigrantes nessa América que traz um pouco de tudo, do mafioso velho e aparentemente confiável ao assassino que, na verdade, é justamente o passado desse mesmo homem velho.

Copolla, com maravilhosas metamorfoses, com seu drama mesclado ao épico, é seguido de perto por Gray. Era Uma Vez em Nova York é o resultado de uma carreira voltada a discutir a vida de criminosos apaixonados, em dívida com suas raízes, levados ao extremo do pecado (como a execução presenciada pelo irmão em Fuga para Odessa), também sobre a entrega total a uma missão, à paixão da existência que está sempre tão próxima ao fim (como parece ser o caso do ambíguo Leonard de Amantes).

América de confusões à qual é levada a polonesa Ewa Cybulska (Marion Cotillard), na qual o sol quase não aparece. A Estátua da Liberdade está um pouco distante. Faz frio, como em outros filmes de Gray, e há alguma hostilidade na chegada, no porto em que os imigrantes são examinados e, se necessário, separados e barrados.

Ewa veio à América com sua irmã, Magda (Angela Sarafyan), de quem é separada quando as autoridades descobrem que a segunda tem tuberculose. Sem a irmã, Ewa consegue chegar à cidade com a ajuda de um homem aparentemente bom, Bruno Weiss (Joaquin Phoenix), ao mesmo tempo em que Magda é detida para ser tratada.

Em sua passagem à suposta liberdade, a protagonista só encontra mais e mais prisões. E sua irmã continua em “terra de ninguém”, sem voltar para trás ou seguir para frente, alguém sem pátria. Gray apresenta – desde cedo, com a Estátua da Liberdade distante e a ausência de luz – uma crítica à América cinzenta, na qual as oportunidades e liberdades são revestidas pela propaganda dos supostos nativos e exploradores.

Bruno não foge à regra. Tal como Ewa, metamorfoseia-se para viver. Ela, ao mesmo tempo santa e pecadora. Ele, ao mesmo tempo monstruoso e compreensivo. A reunião de formas diferentes em uma só pessoa tem justificativa: a sobrevivência.

Não se vive nesse novo país senão por esse viés. É isso o que faz da inocente Ewa – a mais inocente de todas as mulheres de Gray – uma pecadora. Pois terá de trabalhar para Bruno e se tornar mais do que uma de suas dançarinas: terá de se tornar – sob o forte efeito de maquiagem e roupas extravagantes – uma prostituta.

Nesse período de formação de um país tal como se verá mais tarde, pecadores e santos vivem em um só ser. É o que Ewa prova indiretamente, enquanto os supostos religiosos – como seu tio, um homem bruto – revelam-se intolerantes. A situação de Ewa é ainda pior quando é acusada de ser uma mulher fácil, de moral duvidosa.

“É pecado tentar sobreviver?”, questiona ela, à tia, quando precisa de um pouco de dinheiro, perto do fim, para pagar pela liberdade da irmã. Apenas o dinheiro fornece saídas nessa América em formação: é tomado pelos guardas corruptos, pelos policiais, até mesmo pela moça ao centro. Vale tudo para tê-lo e sobreviver.

Mais interessante é Bruno, vivido por Phoenix, o ator definitivo de Gray. Todo seu aparente equilíbrio cai por terra com a chegada de Ewa. A bela Ewa será a mulher a desequilibrar seu paraíso, ainda que sem intenção. O fato é que Ewa não tem desejos aparentes, é retraída e contrasta tudo o que é necessário para sobreviver naquele meio: ela não tem vocação para o pecado.

Encontrar tal vocação é esbarra no pecado. Quando nega um abraço de Bruno, a moça é maltratada, jogada ao canto e tem seu crime – o furto de dinheiro – revelado. Será julgada, levada a dançar em um cabaré ocupado por homens gritões, mostrados com pouca luz entre a plateia enquanto as mulheres dançam.

Não há possibilidade para Ewa. Resta-lhe apenas Bruno, o indesejado, o único capaz de ajudá-la, ao fim, a salvar sua irmã. Bruno é o acesso ao mal que se deve carregar, necessariamente, para escapar com vida nesse novo país. É a mesma contradição de O Poderoso Chefão, também de Era Uma Vez na América, de Sergio Leone (resultado de faroestes anteriores em que a América revelava-se em seu gênero mais caro).

Para complicar, Gray traz ainda um terceiro personagem fundamental em Era Uma Vez em Nova York. Trata-se do mágico Orlando (Jeremy Renner), cujo nome verdadeiro é Emil. Descontraído, ele chama a atenção de Ewa. Ao mesmo tempo um mentiroso como pede a profissão, é sincero e que crê na liberdade dela.

É também o primo de Bruno. Alguém que desperta a fantasia do impossível, da ilusão, alguém que leva a mulher à fuga quando o espaço ao redor, concreto e obscuro, não possibilita a esperança. É o oposto de Bruno: alguém que não precisa ser perdoado, que leva à salvação, que não tem traços religiosos.

A cada encontro com Bruno, Orlando é obrigado a fugir. Depois de uma briga entre primos, Bruno termina preso. No dia em que sai da cadeia, é Ewa quem está por ali, como um animal à espera do dono. Uma relação de entrega, um pouco irracional.

Ao fim de Era Uma Vez em Nova York, Gray coloca em cena, no mesmo quadro, o caminhar de Bruno à prisão, em reflexo, e a fuga de Ewa e sua irmã, com o barco, pelo mar, através da janela. Enquanto o homem é o próprio universo escuro e interior, Ewa é a parte exterior, de volta ao mar, sabe-se lá para qual destino.

O sacrifício de uns permite a sobrevivência de outros. Gray, com essa imagem-síntese, explica toda sua filmografia. Pois o sacrifício esteve em todos os seus filmes: o de Reuben em Fuga para Odessa, o de Erica em Caminho Sem Volta, o de Burt em Os Donos da Noite e o do próprio Leonard, o rapaz com tendências suicidas de Amantes. À contramão, outros, como Ewa, encontram a saída.

******

James Gray é um cineasta americano nascido em Nova York, em 1969. Dirigiu apenas seis longas-metragens até o momento. (Observação: este ensaio foi escrito antes da estreia de Z: A Cidade Perdida no Brasil.)

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Dez grandes filmes americanos esquecidos pelo Oscar (2006-2014)

Acostumado a esquecer, ou simplesmente ignorar, as produções estrangeiras, o Oscar também tem cometido injustiças com produções americanas. Não se trata de esquecê-las em uma ou em outra categoria, mas em todas.

A situação ainda é mais complicada quando se constata que nenhum dos filmes abaixo faria feio na categoria principal. Ainda pior é pensar que mesmo com a mudança nas regras – de cinco para até dez indicados para melhor filme – alguns desses filmes terminaram de fora da festa – isso, claro, sem falar dos atores e de toda a produção.

A Última Noite, de Robert Altman

O capítulo final de Altman passa-se na última apresentação de um programa de rádio, com seus tipos americanos e um anjo que passa por ali para visitar esses artistas.

a última noite

Zodíaco, de David Fincher

A reconstrução do caso envolvendo um suposto serial killer chamado Zodíaco. Ainda mais, a oportunidade de Fincher em explorar a paranoia e fazer algo oposto a Seven.

zodíaco

Amantes, de James Gray

Pela janela do quarto, o rapaz judeu interpretado por Joaquin Phoenix tem uma visão apaixonante: é a bela e problemática vizinha, por quem ele está interessado.

amantes

Ilha do Medo, de Martin Scorsese

O diretor diz ter se inspirado em filmes de Fuller e de outros mestres para compor essa obra sobre um homem preso a si mesmo, em uma ilha, em meio a um labirinto.

ilha do medo2

Killer Joe – Matador de Aluguel, de William Friedkin

O diretor de Operação França tem um momento inspirado ao abordar as relações de uma família disfuncional com o matador implacável vivido por Matthew McConaughey.

KillerJoe_2010.12.13_Day23of28_MG_8655.jpg

O Abrigo, de Jeff Nichols

Poderoso estudo sobre o medo, em clima pós-11 de setembro: a história de um pai de família que constrói um abrigo e é visitado pela imagem de uma tempestade.

o abrigo

Frances Ha, de Noah Baumbach

Comédia leve sobre a amizade, sobre a menina do título, que tem a vida transformada quando sua melhor amiga arruma um namorado – o que ela entende como traição.

frances ha

Era Uma Vez em Nova York, de James Gray

Talvez o melhor filme de Gray, sobre uma imigrante na Nova York do início da década de 20, confrontada pelo inesperado e entre dois homens diferentes.

era uma vez em nova york

O Ano Mais Violento, de J.C. Chandor

Nova York novamente ganha espaço: é o terreno no qual um empresário tenta sobreviver e ser honesto – apesar das ambições da mulher e dos inimigos.

o ano mais violento

Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones

Faroeste extraordinário com um protagonista pouco cativante. É sobre um beberrão e uma solteirona em uma diligência com três mulheres enlouquecidas.

dívida de honra

Veja também:
Os 20 melhores filmes de 2014
Bastidores: Zodíaco

Os 20 melhores filmes de 2014

Fazer listas é sempre uma dificuldade. Ver todos os filmes que estrearam no Brasil, em 2014, ainda mais. Ou simplesmente impossível. Fontes indicam que estrearam mais de 300 filmes, quase sete por semana. Claro que alguns são descartáveis, e outros sumiram tão rápido quanto chegaram. O fato é que, para ver um número relevante deles, é necessário peregrinar, escolher bem. No fim, valeu a pena.

Difícil, também, é chegar a 20 e perceber que muitos filmes ficaram para trás. Vale lembrar alguns: Jersey Boys: Em Busca da Música, Dias de Pesca, A Imagem que Falta, Uma Família em Tóquio, Amar, Beber e Cantar, Uma Relação Delicada, entre outros. Em todo caso, prevaleceu a sétima arte. E que venha 2015!

20) O Congresso Futurista, de Ari Folman

O futuro do cinema como nunca antes se viu, pelo diretor de Valsa com Bashir. Mescla atores à animação e o resultado é poderoso.

o congresso futurista

19) Oslo, 31 de Agosto, de Joachim Trier

Caminhada difícil, cheia de reflexão, de desejo de desistir ou mesmo de aceitar ser o que é, sem máscaras. O protagonista aceita tudo isso. E encontra seu alívio.

oslo 31 de agosto

18) Garota Exemplar, de David Fincher

Mais do que o conflito entre homem e mulher, é sobre a sociedade de aparências, sobre o culto à menina desejável, à esposa perfeita.

garota exemplar

17) Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara

Ferrara gosta de incomodar. A história, claro, remete ao caso Strauss-Kahn. Em cena, Depardieu está à vontade: sem roupa, um verdadeiro animal em ternos caros.

bem-vindo a nova york

16) Ela, de Spike Jonze

Apesar do futuro, das estranhezas, não deixa de ser sobre gente comum, como se Theodore fosse não o futuro de todos, mas o presente próximo.

ela

15) Saint Laurent, de Bertrand Bonello

Não é sobre a vida do famoso estilista, do nascimento à morte. É sobre exageros, com uma das cenas insuportáveis do ano, quando um cão morre após ingerir remédios.

saint laurent

14) Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki

Ao abordar os males do progresso, Miyazaki revisita o difícil período do Japão durante a guerra – além dos amores prováveis e do desejo em sobreviver à natureza.

vidas ao vento

13) Relatos Selvagens, de Damián Szifrón

A acidez do roteiro, com personagens que quase não se importam em parecer selvagens, deu vez a um dos filmes mais divertidos dos últimos anos.

relatos selvagens

12) O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira

A câmera não se movimenta em mais um incrível trabalho do centenário Oliveira. Em cena, as opções contrárias de pai e filho, mundos que se confrontam.

o gebo e a sombra

11) Sob a Pele, de Jonathan Glazer

A humanidade e seus vícios, suas besteiras e animalidades pelos olhos de uma alienígena. Aqui, Scarlett Johansson tem talvez a melhor interpretação de sua carreira.

sob a pele

10) O Abutre, de Dan Gilroy

Com características de Kirk Douglas em A Montanha dos Sete Abutres, Jake Gyllenhaal é capaz de tudo para conseguir suas imagens: mover corpos, esconder evidências, matar.

o abutre

9) O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra

Nesse filme de periferia, de “gente comum”, nada é o que parece. O pai desesperado talvez seja um lobo, a megera talvez seja uma vítima. Embaralham-se.

o lobo atrás da porta

8) Instinto Materno, de Calin Peter Netzer

Mais uma prova de que o cinema romeno está entre os melhores do mundo na atualidade. E, de quebra, com a atuação espetacular de Luminita Gheorghiu.

instinto materno

7) Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, de Ethan e Joel Coen

O músico pouco conhecido dos Coen vaga pelo frio, ao lado de seres estranhos, e com um gato – ou mais – nesse filme magnífico.

Inside Llewyn Davis

6) Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro

A dificuldade de se aproximar – e amar – esse cinema faz pensar na relação com a obra de Weerasethakul. Não à toa, gerou opiniões extremas entre a crítica.

ventos

5) Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater

O cinema como registro da vida, da formação, sem se preocupar com grandes firulas dramáticas, tampouco sendo documentário (no sentido claro do gênero).

boyhood

4) O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer

A verdade é contata por linhas tortas, estranhas: as atrocidades cometidas no passado, na Indonésia, são revividas nos filmes dentro do filme. Porrada.

o ato de matar

3) O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese

O melhor Scorsese desde Os Bons Companheiros. E isso não é pouco. Aqui, ele conta a história de um homem capaz de tudo para enriquecer, enquanto ri até do espectador.

o lobo de wall street

2) Ida, de Pawel Pawlikowski

O fim também leva ao começo: a noviça segue seu caminho, após descobrir algumas coisas da vida nesse extraordinário filme de Pawlikowski.

ida

1) Era Uma Vez em Nova York, de James Gray

Em uma carreira de cinco filmes, James Gray consagrou-se autor. Suas obras abordam relações de estrangeiros na América – ou estrangeiros em seus próprios países, mafiosos, homens da lei. Nelas, os extremos tocam-se. Os maus nem sempre são o que parecem. Pais e filhos têm seus problemas, homens sofrem de amor. É como se o cinema sempre olhasse ao passado, sem medo de se repetir, ao mesmo tempo íntimo e épico.

era uma vez em nova york1

Veja também:
As melhores atuações de 2014
Os dez piores filmes de 2014

Não encontrou seu filme favorito de 2014? Não se preocupe: listas são sempre pessoais e, aos olhos alheios, sempre imperfeitas. Deixe seu recado, com seu filme favorito do ano que acabou de acabar.

20 ótimos filmes americanos que não foram indicados ao Oscar (nos últimos dez anos)

Mais grave que não premiar um grande filme indicado é sequer incluí-lo em sua lista de melhores do ano. Pois o cinéfilo deve se acostumar: a cada ano, os “esquecimentos” do Oscar parecem mais gritantes. Abaixo, uma lista de 20 filmes marcantes (alguns grandes, outros ótimos) que não integraram a categoria principal do mais famoso prêmio do cinema. Alguns não foram lembrados em uma categoria sequer.

Syriana, de Stephen Gaghan

syriana

Marcas da Violência, de David Cronenberg

marcas da violência

Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster

mais estranho que a ficção

Voo United 93, de Paul Greengrass

voo united 93

A Última Noite, de Robert Altman

a última noite

Zodíaco, de David Fincher

zodíaco

Não Estou Lá, de Todd Haynes

não estou lá

O Visitante, de Thomas McCarthy

o visitante

Amantes, de James Gray

amantes

Star Trek, de J.J. Abrams

star trek

Além da Vida, de Clint Eastwood

além da vida

Ilha do Medo, de Martin Scorsese

ilha do medo

Drive, de Nicolas Winding Refn

drive

Killer Joe – Matador de Aluguel, de William Friedkin

killer joe

O Abrigo, de Jeff Nichols

o abrigo

O Mestre, de Paul Thomas Anderson

o mestre1

Frances Ha, de Noah Baumbach

frances ha

Blue Jasmine, de Woody Allen

blue jasmine

Os Suspeitos, de Denis Villeneuve

os suspeitos

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum, de Ethan e Joel Coen

Inside Llewyn Davis

Veja também:
Os 20 melhores filmes nomeados ao Oscar nos últimos dez anos

Nos bastidores dos indicados ao Oscar 2014