Jake Gyllenhaal

Por que o Oscar é tão previsível?

O Oscar, desejada peça dourada e fálica, gera amor e ódio – ou indiferença – entre os que se dedicam a ver filmes e acompanhar premiações. Uma peça que pode definir carreiras, alavancar bilheterias, ou simplesmente fazer filmes “aparecerem”. É, também, uma peça da indústria que, a cada ano, tem se revelado previsível, cujas cerimônias resumem-se à abertura de envelopes que já dão os favoritos como vencedores (para a sorte de todos, existem as exceções).

Abaixo, o blog traz oito motivos, em oito tópicos, que tornam o Oscar um prêmio previsível, e que tem feito muita gente não perder uma noite de sono – do domingo para a segunda, no Brasil – para assistí-lo.

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1) Representante de si mesmo

O Oscar é um prêmio da indústria, criado para a indústria e feito para a indústria. Por isso, natural que a indústria volte a si mesma. O resultado é nítido a quem correr os olhos pela lista dos ganhadores e indicados ao prêmio. Filmes falados em inglês e bancados por grandes estúdios americanos dominam o grupo de vencedores. Muitos – de qualidade ou não, o que não se discute nesta lista – são grandes produções, épicos e moldados ao chamado “filme de Oscar” (veja o último tópico). Há, ainda bem, exceções à regra, sobretudo entre os indicados.

2) Pressão da indústria e marketing agressivo

Por ser um prêmio da indústria, é evidente que esta faça pressão sobre os votantes. E isso ocorre de forma indireta (queremos acreditar), por meio da conquista de votos com investimento maciço em marketing, inclusive colocando nomes de atores e demais profissionais como elegíveis aos prêmios – mesmo antes de saírem as indicações! Além disso, quem garante que todos os votantes assistiram a todos os filmes? Natural, assim, que se vote em quem se conhece, no amigo que está em determinado filme ou mesmo no filme em que o próprio votante trabalhou ou depositou seu dinheiro.

3) Falta de diversidade

A consequência, claro, é a falta de diversidade. Filmes independentes – que todo ano garantem alguma indicação, inclusive na categoria principal – acabam concorrendo por fora, destinados a algum prêmio de consolação, como roteiro. No caso do estrangeiro, existe uma categoria à parte, criada nos anos 50, quando a Academia não podia mais negar a qualidade vinda de fora e já havia distribuído diversos prêmios especiais (como a Rashomon e Ladrões de Bicicleta, para ficar em dois exemplos). O que torna um filme estrangeiro? A resposta cabe aos donos da festa.

4) O barulho em torno da “bola da vez”

Caso se torne a “bola da vez”, um independente pode até ter chances. A “bola da vez” pode ser definida pelo buzz, ou seja, pelo barulho que o filme gerou em outros festivais, ou por trazer o discurso politicamente correto que a Academia deseja adotar naquele momento. Em resumo, é o filme que caiu na graça dos votantes, da crítica e do público antenado. Nesse caso, a obra pode vencer não por ser a melhor, mas por traduzir o “espírito” dos votantes naquele momento. Casos recentes: Moonlight, que derrotou produções robustas e chegou ao prêmio um ano depois da campanha #OscarSoWhite, e 12 Anos de Escravidão, considerado o primeiro filme americano a encarar de frente tema tão espinhoso.

5) Uma festa para a televisão e cheia de famosos

Como todo show para a televisão, o Oscar também precisa de audiência. De bons números. Filmes grandes, que fizeram grande bilheteria, podem atrair a atenção para o espetáculo do domingo à noite. No entanto, ao longo dos anos o Oscar vem perdendo audiência e poucos indicados ou vencedores recentes fizeram bilheteria expressiva. A exigência de uma festa para o grande público pode prejudicar um cinema considerado menor e intimista, além da necessidade de dinamismo ter levado a cortes em quadros do show, como o dos prêmios pelo conjunto da obra e honorários. A festa precisa de rostos famosos, de tapete vermelho, de todo esforço possível para chamar a atenção e fazer a alegria dos comentaristas de moda. O cinema torna-se coadjuvante.

6) O ponto final de uma temporada abarrotada de prêmios

O Oscar marca o ponto final da temporada de prêmios. Houve uma época em que apenas o Globo de Ouro e os prêmios dos sindicatos eram considerados indicadores. Atualmente, contudo, a grande quantidade de premiações tem tornado mais fácil identificar a “bola da vez”, os queridinhos do momento e, em alguns casos, dificultado a penetração de obras que correm por fora. Há prêmios com votos do público, da crítica e, como o Oscar, dos próprios membros, para muitos um clubinho fechado.

7) A influência dos termômetros, dos apostadores e das redes sociais

Já há alguns candidatos ao prêmio de melhor ator no Oscar 2018. Há quem diga que Jake Gyllenhaal pode vencer, ou no mínimo ser indicado, por sua atuação em O Que te Faz Mais Forte. Alguém duvida? É o que dizem alguns “analistas” da temporada de prêmios, especializados em encontrar filmes e atuações com a “cara” do Oscar. E, pior ainda, essas figuras quase sempre acertam. Sites têm se especializado nesse tipo de previsão, esquentando a corrida meses (ou até um ano) antes da cerimônia do prêmio, com bolões dedicados à participação do público. E se errarem, quem liga?

8) A fórmula “filme de Oscar”

Muito se diz sobre o “filme de Oscar”. Existe mesmo uma fórmula para cair nas graças da Academia e papar estatuetas? Ao longo de décadas, o Oscar tem mostrado preferência por dramas, histórias baseadas em eventos ou personagens reais, épicos e filmes ou dramas de guerra. Ou seja, filmes quadradões como O Discurso do Rei servem à perfeição ao grupo de votantes, não raro considerado conservador. Há quem negue tal fórmula. Exceções existem, inclusive com premiados de gêneros e estilos às vezes esquecidos, como comédia e fantasia.

Foto 2: O diretor Steve McQueen comemora a vitória de 12 Anos de Escravidão
Foto 3: Colin Firth é o melhor ator por seu trabalho em O Discurso do Rei

Veja também:
Especial Oscar 2017
Dez erros recentes do Oscar
Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins

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Vida, de Daniel Espinosa

A personagem de Jake Gyllenhaal não teve muito sucesso em seu contato com os humanos. Entre os tripulantes em órbita no espaço, em Vida, é ela quem está ali há mais tempo. Em momentos rápidos, o astronauta queixa-se da civilização. No filme do sueco Daniel Espinosa, ele prefere o espaço e o som que quase não se ouve, ou apenas o silêncio.

Pois o fracasso do contato com o outro transfere-se ao ambiente isolado, quando os mesmos tripulantes, astronautas, procuram o contato com o desconhecido: a primeira criatura alienígena reconhecida, o primeiro sinal de vida fora da Terra. O que deveria ser a prova dos avanços científicos revela-se o oposto: não demora para que os tripulantes estejam em luta pela própria vida, em embates que levam à selvageria.

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A opção da personagem de Gyllenhaal e os ataques do monstro pouco a pouco formado suscitam – juntos ou separados – questões de interesse: vale a pena buscar o contato com o outro? Melhor é o isolamento em alguma ilha remota, em alguma máquina para além das fronteiras da Terra? É possível evitar o ataque e a presença do desconhecido?

A criatura – antes pequena, aparentemente bela, depois um monstro assustador com a forma de um polvo, rápido e até mesmo com alguma inteligência – prova que a procura pelo “outro” – seja lá o que isso signifique – sempre leva à perturbação, à invasão de um território inóspito e invariavelmente ao embate. É tão histórico quanto científico.

Não é novidade que a criatura rebelar-se-á. É o que move o filme. A vida, mais que a morte. Nesse caso, o inimigo deseja apenas sobreviver, como lembra o cientista que o maneja, que o distrai, que o adula, que vê naquela pequena criatura em formação o que a ciência não poderia deixar de ver, fosse o que fosse: o que há de mais belo.

Após alguns ataques, a criatura escapa. Sobrevive. Vive. Estará por todos os cantos. E os tripulantes, um a um, são abatidos por esse ser que insiste em continuar. Irônico, por isso, que alguns tripulantes, ora ou outra, estejam dispostos a dar a vida para evitar que o monstro chegue a Terra. A criatura não tem consciência, quer apenas sobreviver.

Pela estrutura, pela confinamento, pelo contato com o desconhecido e mesmo pela insistência do monstro em invadir corpos, o filme de Espinosa tem sido comparado a Alien – O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott. Mas há uma diferença entre ambos: enquanto no novo todos os tripulantes estão em missão com o objetivo de encontrar o alienígena, no antigo o monstro toma todos (ou quase) de assalto. Não era convidado.

Em Vida, o alien é recebido, alimentado, aquecido. Ainda que levassem em conta a possibilidade de um ser hostil, prevalece nos homens a espera pela bondade, pelo bom contato. Em um filme como tal – que se resolve bem do início ao fim, ainda que as personagens despejem pouca ou nenhuma humanidade – isso é impossível.

(Life, Daniel Espinosa, 2017)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Alien: Covenant, de Ridley Scott
Alien, o Oitavo Passageiro, de Ridley Scott

Animais Noturnos, de Tom Ford

Os animais noturnos são também frágeis e covardes. São humanos, diferentes dos seres bestiais que matam, esquartejam, estupram, os seres comumente apontados como “selvagens”. A descoberta é feita por meio de um livro dado a uma bela mulher.

Ela, Susan Morrow (Amy Adams), é a peça central de Animais Noturnos, de Tom Ford. É quem vê, a tantas horas lendo o livro do ex-marido, um pássaro negro colidir contra seu vidro: a morte do animal noturno e inocente, que mal algum pode causar.

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Olha o pequeno bicho, no escuro, nessa noite feita de lembranças e banhos para se limpar, e constata que talvez não haja explicação para a selvageria ou para a morte. A ideia por trás da obra de Ford, sua segunda, é interessante, dá a tônica de tudo o que vem a seguir: uma história de violência da qual a mulher não pode escapar.

Pois julgava o ex-marido um homem fraco. Ele é vivido por Jake Gyllenhaal, ator que pode ser tão meigo e amável quanto demolidor, como foi em O Abutre, pouco antes. Pois Gyllenhaal será o marido das lembranças e a personagem central do livro.

Nas lembranças, chega a ser tão bom e cativante que talvez não preste: não demora nada para o espectador perceber o que faz Susan descartá-lo – e descartar o que dele carrega em seu interior. O aborto fala por si só: Susan retira esse homem “perfeito” de dentro dela, em um meio no qual seres perfeitos inexistem.

A história do livro, para a mulher, é um assombro, uma revelação. Seu antigo marido, o criador, leva com ele o que há de selvagem. Está no livro, não exatamente nele. O que explica seu desejo em revê-lo, em ficar horas, se preciso, à sua espera – em encerramento menos abrupto do que parece, mais explicativo do que se imagina.

O animal que espera é parte do livro, chamado justamente Animais Noturnos. Seriam as personagens também parte de seu autor? Pois os assassinos, se a resposta for afirmativa, deixam ver o que não faz sentido, pelo menos àqueles que ainda creem na civilização.

Esses assassinos abordam a família, à noite, em uma estrada à beira do deserto. São seres cuja maldade não tem sentido. Ou o sentido que aponta apenas ao ato gratuito: matam por matar, pelo prazer do sofrimento, e sufocam a busca por explicações.

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O homem que perde a mulher e a filha (também interpretado por Gyllenhaal) questiona o que o torna impotente. Frente a frente com os criminosos, ele ainda recua, tem dificuldades para puxar o gatilho: é a esperança, difícil crer, para um universo de estradas que levam a pequenos e malfadados cômodos, à mesma sujeira, às mesmas faces – o policial à beira da morte, o assassino de olhos claros.

O segundo filme de Ford realiza-se na junção de tempos e ambientes, entre o que é real e parece tão falso – a grande casa e as galerias de arte de Susan – e o que é fictício e se revela palpável – o livro que ela recebe, certo dia, e que é para ela dedicado.

O ex-marido que não retorna lança à mulher um aviso: como ele já dizia, sem lhe desejar mal, Susan tornou-se réplica da própria mãe, com seu casamento de aparência, com sua maquiagem pesada, em ambientes nos quais o feio – ou o que é assim considerado – é celebrado.

Ela própria seria um “animal noturno”, como diz o ex. O livro é a amostra desse universo em que o belo e o selvagem confundem-se, o país dos caubóis, dos assassinos em série, dos selvagens que não apenas vivem à margem, mas também no interior.

(Nocturnal Animals, Tom Ford, 2016)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
A Chegada, de Denis Villeneuve

Sete filmes sobre o mundo louco da televisão

A lista abaixo vai além da televisão. O meio de comunicação é a deixa para invadir o mundo moderno: gente com uma câmera no interior da cabeça, ou que teve a vida toda gravada, por décadas, sem saber da farsa. Há vilões e seres estranhos, pessoas que fazem tudo pelos sonhados números de audiência ou apenas para conquistar o sucesso e colocar o rosto na tela. O espetáculo pode ser repulsivo.

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Rede de Intrigas, de Sidney Lumet

É provavelmente o filme mais famoso a abordar a caixa de imagens. Ao centro, um homem (Peter Finch) enlouquece e se torna o novo profeta do horário nobre. A ele é dado muito poder, o que se torna um problema. Ao vivo, fala demais e faz sucesso: diz verdades que o público deseja ouvir, também os podres de seu próprio meio.

rede de intrigas

A Morte ao Vivo, de Bertrand Tavernier

Uma famosa editora (Romy Schneider) é seguida por um homem (Harvey Keitel) com uma câmera no interior da cabeça. Ela assina um contrato para ter seus últimos dias registrados por uma emissora de tevê, em um reality show. Mais tarde, quando ela tenta fugir, o homem com a câmera persegue-a e termina descobrindo seu lado humano.

a morte ao vivo

O Rei da Comédia, de Martin Scorsese

Tem ganhado adoradores com o passar dos anos e não fez o sucesso merecido na época de seu lançamento. Além de Robert De Niro, o elenco conta com Jerry Lewis em papel sério. Apesar do título, é drama. Narra a história de Rupert Pupkin (De Niro), que sequestra um apresentador de televisão para tomar seu lugar e ter sua noite de fama.

o rei da comédia

O Show de Truman, de Peter Weir

Todos os passos de Truman (Jim Carrey) são registrados pela câmera. Seu mundo – uma pequena cidade tipicamente americana – é um estúdio de televisão. Ele é vigiado. Não fossem os naturais desvios humanos, a insistência em escapar do roteiro moldado para sua vida, Truman terminaria como desejavam os produtores: um alienado.

o show de truman

Reality – A Grande Ilusão, de Matteo Garrone

O vendedor de peixes Luciano (Aniello Arena) sonha em participar da versão italiana do programa Big Brother. À medida que cresce sua expectativa em relação ao show, ele passa a acreditar que está sendo constantemente vigiado por seus realizadores. A consequência é uma personagem à beira da loucura.

reality

O Abutre, de Dan Gilroy

O protagonista, interpretado por Jake Gyllenhaal, transforma-se em grande vilão quando descobre uma maneira de ganhar muito dinheiro: captar imagens de acidentes e crimes em Los Angeles. O belo filme de Gilroy questiona a falta de limites do jornalismo quando se busca, a qualquer custo, bons números de audiência.

abutre

Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster

Mesmo com pouca ousadia, o filme de Foster gera boas doses de emoção e tem um roteiro ágil. Narra os momentos em que o apresentador Lee Gates (George Clooney) é feito refém por um rapaz (Jack O’Connell) que perdeu tudo na Bolsa de Valores ao seguir uma de suas dicas, em um programa de nome sugestivo: Money Monster.

jogo do dinheiro1

Veja também:
O Abutre, de Dan Gilroy
Cinco momentos inesquecíveis de Rede de Intrigas

Os 20 melhores vilões do cinema nos últimos dez anos

Os melhores vilões do cinema recente não possuem superpoderes. São marcantes graças às composições, às presenças, em bons filmes, com personagens feitas à medida para determinados atores. Em alguns casos, sequer precisam exagerar. A lista abaixo tem personagens de obras lançadas entre 2006 e 2016 e, sem dúvida, difíceis de esquecer.

20) Robert Ford (Casey Affleck) em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

Alguns vilões causam repúdio pela fraqueza, pela maquinação. É o caso do Robert Ford, o traidor de Jesse James (Brad Pitt), novamente levado às telas nesse belo filme de Andrew Dominik, um faroeste revisionista. Valeu a Casey uma indicação ao Oscar.

o assassinato de jesse james pelo covarde robert redford

19) John du Pont (Steve Carell) em Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Outro ser repulsivo, que tenta provar virilidade com a luta greco-romana. Personagem real, ele financiou atletas que lutaram nas Olimpíadas, entre eles os irmãos Schultz. Difícil entendê-lo, com seus ataques de ciúme, seu jeito controlador.

foxcatcher

18) Frank Costello (Jack Nicholson) em Os Infiltrados

O espectador entende a apreensão da personagem de Leonardo DiCaprio, em seus primeiros encontros com o vilão: não é fácil se aproximar de alguém como Costello. Carrega a maldade nos menores traços. Mais uma atuação explosiva de Nicholson.

aaos infiltrados

17) Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) em Django Livre

Uma das diversões de Calvin é servir seus cães famintos com escravos fujões. Ou martelar inimigos em pleno jantar. DiCaprio faz o que Tarantino gosta: mata e se diverte ao mesmo tempo, em um faroeste violento com a marca do diretor.

django livre

16) Bernie Rose (Albert Brooks) em Drive

Ao ajudar um criminoso (Oscar Isaac), o protagonista (Ryan Gosling) acaba comprando briga com alguns mafiosos. Mata um a um, até chegar ao líder, Bernie, que em momentos parece se divertir. Outras vezes cômico, Brooks de novo prova talento.

drive

15) Lucille Sharpe (Jessica Chastain) em A Colina Escarlate

Lucille é irmã de Thomas (Tom Hiddleston), casado com a inocente Edith (Mia Wasikowska). Como a mãe ciumenta de Interlúdio, de Hitchcock, ela tem um plano para destruir a garota. Mas não poderia prever o poder da moça em contatar os mortos.

a colina escarlate

14) Silva (Javier Bardem) em 007 – Operação Skyfall

Entre os acertos desse episódio da série, o melhor com Daniel Craig, está a escolha do ator para interpretar o inimigo. Sua caracterização coloca-o em oposição perfeita ao herói: é efeminado, cínico, de cabelo tingido e doentio, ao modo de Bardem.

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13) Semyon (Armin Mueller-Stahl) em Senhores do Crime

Líder da máfia russa em Londres, homem que finge bondade, que muda os trejeitos rapidamente. Em seu caminho está uma parteira (Naomi Watts) que busca informações sobre uma criança, além de um de seus capangas, vivido por Viggo Mortensen.

senhores do crime

12) Franck Neuhart (Guillaume Canet) em Na Próxima, Acerto no Coração

O filme não esconde a identidade do assassino em série: é, ao mesmo tempo, o criminoso e o policial que trabalha no caso. O espectador acompanha os passos desse tipo repulsivo, com detalhes dos crimes e sua dificuldade de se relacionar com os outros.

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11) Edwin Epps (Michael Fassbender) em 12 Anos de Escravidão

O senhor dos escravos acorda no meio da noite para violentar uma de suas escravas, sua preferida (Lupita Nyong’o). Mais tarde, quando ela sai em busca de um sabonete, ele mostra sua fúria: prenda-a em um tronco e, por várias vezes, desfere golpes de chibata.

12 anos de escravidão

10) John Fitzgerald (Tom Hardy) em O Regresso

Mata o filho do protagonista, que assiste à ação, impotente, e depois sai à caça do algoz. Com sua fala ponderada, Hardy consegue captar a atenção do espectador com extrema frieza. O ator havia provado talento em filmes como Bronson e Locke.

o regresso

9) O Comandante (Idris Elba) em Beasts of No Nation

O líder de um grupo de jovens paramilitares, em um país africano em guerra civil, mantém os meninos como escravos: ensina-os a matar, a empunhar armas. O filme de Cary Joji Fukunaga é uma das boas surpresas do cinema recente. Elba rouba a cena.

beasts of no nation

8) Killer Joe Cooper (Matthew McConaughey) em Killer Joe – Matador de Aluguel

Os outros também não são confiáveis, tampouco merecem sair ilesos. Mas ninguém em cena supera Joe Cooper, atraído por uma garota jovem quando é contratado pelo irmão dela para matar a mãe de ambos. E nada será como a família planejava.

killer joe

7) Amy Dunne (Rosamund Pike) em Garota Exemplar

O marido interpretado por Ben Affleck confessa, em narração, ainda no início, que gostaria de abrir a cabeça da mulher, Amy, e saber o que há dentro. Não demora muito para se descobrir um pouco de seu interior: ela está disposta a acabar com a vida dele.

garota exemplar

6) Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) em Bastardos Inglórios

Com grande cachimbo, o nazista Landa tenta conseguir informações com um francês, no início do filme, que estaria escondendo judeus. Prática frequente: finge camaradagem antes de revelar suas práticas, ao atirar e estrangular suas vítimas.

bastardos inglórios

5) Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) em O Abutre

O caçador de acidentes, de corpos mutilados, vaga pela noite em busca de imagens. E depois as vende para redes de televisão. É capaz de tudo para conseguir seu material. Chega a adulterar o local dos crimes e a esconder informações da polícia.

o abutre

4) Coringa (Heath Ledger) em Batman: O Cavaleiro das Trevas

Superar Jack Nicholson é uma tarefa árdua. Ledger conseguiu e deu à personagem, até o momento, sua melhor caracterização – e ganhou um Oscar póstumo por ela. Sem passado, com rosto cortado e maquiagem borrada, é a encarnação do mal.

batman

3) Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em Sangue Negro

O vilão de Day-Lewis suja as mãos com petróleo e sangue, mente, engana o próprio filho e a igreja para conseguir o que deseja. Começa como um explorar solitário para se tornar líder de um império no filme extraordinário de Paul Thomas Anderson.

sangue negro

2) Capitão Vidal (Sergi López) em O Labirinto do Fauno

O padrasto que qualquer garota odiaria ter. Síntese de uma sociedade patriarcal e retrógrada, ele espera da mulher – a mãe da protagonista – apenas um filho, a criança como fruto daquele momento político, na Espanha de Franco.

o labirinto do fauno

1) Anton Chigurh (Javier Bardem) em Onde os Fracos Não Têm Vez

Mesmo com tantas personagens humanas, fragilizadas (como em Mar Adentro), Bardem será lembrado pelo papel de um assassino implacável movido por convicção, nunca por outros interesses. O filme dos irmãos Coen é poderoso, frio, inesquecível.

onde os fracos não tem vez

Veja também:
Dez grandes cineastas em personagens coadjuvantes
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