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Bastidores: Cães de Aluguel

(…) Cães de Aluguel, que estreia em Los Angeles na próxima semana, é um dos filmes mais bem dosados, perturbadores e habilmente construídos que saem este ano. É um belo filme de gênero que está permanentemente rindo de si mesmo e da idiotice pueril do gênero: uma brincadeira de assalto sem assalto, um filme de ação que está perdidamente apaixonado pela conversa, um poema para o lado sexy de contar uma história e uma amostra de sabedoria precoce sobre a vida. Tudo isso de um cineasta iniciante cuja instrução consiste em seis anos atrás do balcão de uma locadora de vídeos de Manhattan Beach, um tempinho no Sundance Institute Director’s Workshop e um monte de aulas de interpretação. Quentin Tarantino descreve a si mesmo como um especialista em filmes que nunca botou os pés numa escola de cinema e que nunca quis fazer outra coisa além de dirigir filmes. “Estou tentando enfiar cada filme que já quis fazer neste primeiro”, ele diz animado.

Ella Taylor, crítica de cinema, em texto escrito na ocasião do lançamento de Cães de Aluguel nos Estados Unidos e reproduzido no livro Quentin Tarantino (organização de Paul A. Woods; Editora Leya; pgs. 37 e 38). Do trecho acima, vale destacar a passagem em que Taylor cita o fato de Tarantino ter sido balconista de vídeo-locadora, o que só reforça a mitologia que o próprio diretor manteve – ainda mantém? – por anos, ligada à sua formação cinéfila. Abaixo, Tarantino e o ator Harvey Keitel.

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Bastidores: Fogo Contra Fogo

Relaxando nos bastidores

Porque diretores, atores e toda a produção têm aquele merecido tempo para descansar entre uma filmagem e outra. Abaixo, algumas imagens que mostram momentos de descontração e relaxamento em obras famosas do cinema.

Frankenstein, de James Whale

Boris Karloff toma café ao lado de Colin Clive.

frankenstein

Uma Aventura na África, de John Huston

Ao lado de sua amada Lauren Bacall (de óculos), Bogart prepara-se para entrar em ação.

uma aventura na áfrica

O Rio das Almas Perdidas, de Otto Preminger

A estrela Marilyn Monroe dorme durante as filmagens.

o rio das almas perdidas

Os Incompreendidos, de François Truffaut

Truffaut com sua jovem revelação, Jean-Pierre Léaud.

os incompreendidos

Ben-Hur, de William Wyler

Em clima italiano, Stephen Boyd leva Charlton Heston na garupa de sua lambreta.

ben-hur

Spartacus, de Stanley Kubrick

O jovem Kubrick, ao lado de Tony Curtis, conversa com o astro Kirk Douglas.

spartacus

Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards

Pelas ruas de Nova York, Audrey Hepburn espera o momento para filmar.

bonequinha de luxo

007 Contra o Satânico Dr. No, de Terence Young

Nada como uma boa praia. Melhor ainda com Ursula Andress e Sean Connery.

dr no

Os Pássaros, de Alfred Hitchcock

O mestre do suspense explica sua “forma do filme” a Rod Taylor (à esquerda).

os pássaros

O Planeta dos Macacos, de Franklin J. Schaffner

Com a máscara de macaco e o jornal na mão.

planeta dos macacos

Tubarão, de Steven Spielberg

Robert Shaw descansa ao lado de seu “companheiro”.

tubarão

Taxi Driver, de Martin Scorsese

Jodie Foster (à direita), como a jovem prostituta que é salva por Travis (Robert De Niro).

taxi driver

Guerra nas Estrelas, de George Lucas

Alec Guinness coloca óculos escuros para escapar do sol.

guerra nas estrelas

Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter

Michael Myers toma seu refrigerante. Ou melhor: Tony Moran toma refrigerante.

halloween

Conta Comigo, de Rob Reiner

A garotada do elenco se diverte com as máquinas de filmagem.

conta comigo

Titanic, de James Cameron

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet fazem graça antes de o elevador ser tomado pela água.

titanic

Bastidores: Passaporte para a Vida

Há muito tempo eu queria fazer um filme passado durante a Ocupação, mas não encontrava o ângulo certo. Foi meu encontro com Jean-Devaivre, com suas lembranças, além de histórias fantásticas que outras pessoas me contaram sobre ele e Aurenche, que me fez começar a trabalhar, pois tinha um tema fabuloso nas mãos. Porque uma época, por si só, não constitui um tema, e sim os percursos individuais. Então a época se manifesta através de personagens singulares, de sentimentos pessoais, como a dor, o medo, a insegurança provocada pelos bombardeios, pelos controles de tráfego etc. Trabalho com pontos de vista precisos, concretos.

Bertrand Tavernier, sobre seu filme Passaporte para a Vida, que retrata a luta do cineasta Jean-Devaivre e do roteirista Jean Aurenche, entre outros, para continuarem trabalhando durante a França Ocupada, na Segunda Guerra Mundial. A declaração está na entrevista ao site Críticos (leia a entrevista completa aqui). Abaixo, com chapéu, o cineasta dirige seu elenco.

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Bastidores: Ridley Scott em dois tempos

Dois homens não conseguem parar de duelar em Os Duelistas. Em seu primeiro filme, Ridley Scott revela talento desigual. Trata-se de uma adaptação da obra de Joseph Conrad, autor de No Coração das Trevas, e passado na era napoleônica.

O vício da guerra e as relações de poder estão em jogo: ao mesmo tempo certa cordialidade, ao mesmo tempo certa selvageria. Para viver a personagem mais desagradável, Feraud, Scott convocou o ótimo Harvey Keitel. Na outra ponta, um pouco mais humano, está D’Hubert, na pele de Keith Carradine.

Com tal filme, Scott entrega um de seus melhores trabalhos e dá início à carreira em alta. Depois ainda viriam Alien, o Oitavo Passageiro e Blade Runner.

os duelistas

Difícil acreditar que viriam, mais tarde, tantos filmes desagradáveis, se muito a dizer: a essa altura, Scott parece ter se tornado um diretor de encomenda, tragado pelas grandes produções, ou pelo mero tamanho de tudo.

Nova prova de seus erros recentes está em Êxodo: Deuses e Reis, épico bíblico sem qualquer ousadia sobre a revolução dos hebreus, rumo à passagem pelo Mar Vermelho.

Em cena, há Christian Bale como Moisés, que não chega a comprometer, e que serve para lembrar o espectador sobre como são os “homens comuns”, religiosos, do lado certo do jogo. Do outro, não seria diferente, está o extravagante, o rei que crê ser um deus, o irmão mais fraco que acabou virando líder. Fala-se de Ramsés (Joel Edgerton), cujo olhar não traz qualquer resquício de Feraud. Scott acomodou-se.

exodo