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O benefício da ausência

Todos acham que é preciso muito dinheiro para fazer filmes. No fim, quanto mais dinheiro você tem, menos consegue fazer com ele. Para mim, sempre foi uma benção não ter dinheiro suficiente, porque aí eu precisava compensar isso com o trabalho de câmera, com ideias, com abstrações. É uma das coisas mais lindas que se podem fazer no cinema: inventar uma imagem quando não se pode pagar por ela.

Wim Wenders, cineasta alemão, no documentário Edgar G. Ulmer – o Homem Fora das Telas, de 2004, sobre o cineasta Edgar G. Ulmer (imagem), que trilhou uma carreira maldita em Hollywood, trabalhando sempre em produções de baixo orçamento.

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Pina, de Wim Wenders

Bastidores: O Franco Atirador

O que me surpreende que nenhum crítico haja notado não é o conteúdo fascistoide (ridículo), racista e historicamente absurdo do filme. É que o sr. Cimino é um diretor de péssima qualidade, não tem a menor noção de desenvolvimento, de organicidade. Não sabe estabelecer uma personagem.

Paulo Francis, jornalista e escritor, no jornal Folha de S. Paulo (8 de abril de 1979). O artigo foi reproduzido no livro A Segunda Mais Antiga Profissão do Mundo (organização de Nelson de Sá; pg. 110).

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Michael Cimino (1939–2016)

Stroheim segundo Jean Renoir

Ele me ensinou muita coisa. O mais importante desses ensinamentos talvez seja que a realidade só passa a ter valor quando submetida a uma transposição. Em outras palavras, só é artista aquele que consegue criar seu pequeno mundo. Não é nem em Paris, nem em Viena, nem em Monte Carlo ou Atlanta que vivem os personagens de Stroheim, de Chaplin, de Griffith. Eles vivem no mundo de Stroheim, de Chaplin, de Griffith.

Mais tarde, tive a honra de ter Stroheim como intérprete de A Grande Ilusão. Ele fez tudo para me fazer esquecer que ele havia sido um dos profetas de nossa profissão. Sou-lhe grato por isso, mas menos que pelas lições essenciais que ele me dera, vinte anos antes.

Jean Renoir, cineasta, em texto escrito no início de 1959 e reproduzido no livro O Passado Vivo, reunião de artigos do próprio Renoir (Editora Nova Fronteira; pg. 117). Abaixo, Stroheim, Jean Gabin e Pierre Fresnay dividem a cena em A Grande Ilusão.

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Tarkovski segundo Bergman

Quando um filme não é documentário, ele é sonho. Por isso, Tarkovski é o maior de todos, pois se move, sem dúvida, no espaço do sonho; não explica, o que explicaria, afinal de contas? Ele é um sonhador que conseguiu pôr em cena suas visões, no mais pesado mas também mais dúctil de todos os meios.

Ingmar Bergman, cineasta, em sua autobiografia Lanterna Mágica (Cosac Naify; pg. 85), sobre o também cineasta Andrei Tarkovski (abaixo).

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Cagney segundo Welles

A obsessão mamária de Russ Meyer

RM estava interessado na fantasia, não na “realidade” de mostrar sexo. Ele não estava preparado para abrir mão da fantasia para documentar os mecanismos pegajosos da genitália, particularmente abaixo da linha da cintura. O sexo explícito fez os excessos de Meyer parecerem velhos, até ingênuos. Russ Meyer sem fantasia é como O Mágico de Oz sem os macacos voadores. Veja um de seus últimos trabalhos, Pandora Peaks: o tesão desapareceu, mas a obsessão mamária continua. Mas é tudo que restou, e nesse ponto já se tornou grotesco.

Jimmy McDonough, escritor, autor de uma biografia sobre o cineasta Russ Meyer, Big Bosoms and Square Jaws, em entrevista ao crítico André Barcinski, em seu blog no site da Folha de São Paulo (6 de agosto de 2010; leia entrevista aqui). Abaixo, o elenco feminino de Faster, Pussycat! Kill! Kill!, a obra mais famosa de Meyer.

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