comédia

Os amadores de Hal Hartley

Que título poderia definir melhor as personagens de Hal Hartley que Amateur? É o que se sente, ao menos, nos primeiros filmes do cineasta americano: seus seres vacilam o tempo todo e por isso permitem ver algo cômico, em um limite estranho entre o natural e a interpretação. São pessoas que tentam recomeçar a vida.

Os amadores em questão, em Confiança e Amateur, terminam sem nada, ou quase isso. Em ambos, um homem tenta construir – ou redescobrir – sua verdadeira identidade. Os dois são interpretados por Martin Donovan, ator que pode ser herói e vilão em um só, e revoltado, em ambos os casos, por não ser ninguém.

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Nessa busca por formação, ele contará com a ajuda de mulheres. É o combustível para Hartley armar o jogo. Seus filmes parecem partir sempre de uma situação semelhante: meninas que vivem em alguma encruzilhada e acabam colidindo com rapazes perdidos e que precisam de um novo começo.

Foi assim em A Incrível Verdade, seu primeiro longa-metragem. Também no seguinte, Confiança, no qual o significado da palavra-título é o que resta às personagens. Ao centro dele está Maria Coughlin (Adrienne Shelly), garota de temperamento forte, de rosto exposto à tela, maquiado, em close, enquanto discute com o pai e a mãe.

Ela está grávida e pretende deixar a escola para ser sustentada pelo namorado. Ao avisar a família da decisão, seu pai fica abalado e morre de ataque cardíaco. O problema é que o namorado não dá a mínima para ela e não quer colocar o futuro em risco ao assumir a gravidez. Ao voltar para casa, Maria é expulsa pela mãe e passa a vagar pela rua.

Ao mesmo tempo, o espectador conhece a jornada de Matthew Slaughter (Donovan), rapaz intempestivo que acaba de pedir demissão ao não concordar com as regras da empresa. Voltará a discordar de quase tudo, ocupando aqui o papel que era de Shelly em A Incrível Verdade: alguém que desconfia do mundo ao redor e não vê graça na vida.

Matthew tem um pai militar que esteve na Guerra da Coreia e termina próximo de Maria ao ir embora de casa. Hartley volta a se ocupar dos solitários, dos esquecidos, das pessoas que dizem besteiras – na parte cômica de suas obras – ao mesmo tempo em que explodem com palavras fortes e inesperadas – na parte supostamente dramática.

Seus amadores despregam-se da aparência dos jovens bobos – mas irresistíveis – dos anos 80, estereótipo ligado à comédia de John Hughes, e passam a adotar pitadas de mistério, realismo e acidentes próximos de um Jacques Rivette. Apela à escuridão, ou ao azul e ao metálico, à medida que o casal central de Confiança vê-se arrastado a um encerramento que os priva até mesmo do suicídio e da união.

Ainda assim um final esperançoso, feito pela troca de olhar, diferente do que se veria mais tarde em Amateur. É quando se realiza o cinema de Hartley, chegando à plena segurança da mise-en-scène, da condução de atores, do ritmo da obra. Seu absurdo agora não tem mais a forma adolescente dos encontros e desencontros em uma pequena cidade, com jovens caretas tão próximos de se libertar.

Ocupa-se dessa vez dos adultos, de uma história que envolve pornografia e uma grande corporação, ou, em resumo, de um trio que enfrenta a própria máfia. A teoria da conspiração torna-se real. A aventura ganha corpo. O homem da abertura, o próprio Donovan, tem menos que seus antecessores: é alguém que perdeu a memória.

Como antes, conta com a ajuda de uma mulher, a escritora e ninfomaníaca Isabelle (Isabelle Huppert). Machucado, ele acorda no asfalto e segue ao bar no qual ela escreve histórias para revistas eróticas, no qual recebe algumas negativas dos atendentes e mesmo dos frequentadores locais: vai ali para usar o espaço, não gasta nada.

Detalhes desse universo capitalista não cansam de dar as caras nos filmes de Hartley, seja na empresa que fabricou peças defeituosas em Confiança – e que pode ter causado uma fila de pessoas com televisões quebradas na porta da assistência técnica –, seja nos segredos escondidos em disquetes e que pertenciam a um grupo transnacional em Amateur. Ainda que tudo não passe de sinais passageiros.

Para além deles, Hartley explora o espírito desse mesmo universo, ou apenas seu resultado: seus filmes reproduzem seres solitários, urbanos, desesperados, prestes a se converter em assassinos ou suicidas. Da moça que abandona a família à ninfomaníaca que descobre o amor em um homem sem memória, Hartley reproduz um meio individualista pouco ou nada oculto pela comédia.

O homem sem memória aos poucos descobre seu passado. Ele atuava no mercado do sexo do qual sai a atriz pornô Sofia (Elina Löwensohn), responsável por lançá-lo da janela e fazê-lo se chocar com o asfalto. Amateur, com figuras curiosas e inegavelmente atraentes, funciona à base da estranheza, do acidente, de gente amadora.

São amadoras porque são humanas. Os profissionais são automáticos, assassinos, pessoas a quem o estado de improviso – a comédia de Hartley, por consequência – não faz o mínimo sentido. À frente, quando Huppert retorna ao convento em que estudou – onde pensava em ser freira e descobriu ter uma missão dada por Deus – com a roupa de couro de Sofia, o espectador percebe que as misturas do cineasta levam a um filme de achados, entre Hughes e Rivette, no qual nada deixa prever o passo seguinte.

(Trust, Hal Hartley, 1990)
(Idem, Hal Hartley, 1994)

Notas:
Confiança: ★★★★☆
Amateur: ★★★★☆

Foto 1: Confiança
Foto 2: Amateur

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A Incrível Verdade, de Hal Hartley

À protagonista, uma bela menina que talvez não tenha vivido muito, é mais fácil falar de bombas e do fim do mundo quando os riscos não cruzam seu caminho. Mas quando se vê apaixonada por um homem que acabou de sair da cadeia, preso por homicídio, ela percebe que a atração pelo perigo – e sua proximidade – não é tão simples.

Audry (Adrienne Shelly), a protagonista, tem então a vida transformada: em um encerramento que apenas parece conclusivo, a personagem deixa o aparente conforto para se arriscar. Em A Incrível Verdade, o diretor Hal Hartley agrupa suas peças com perfeição para dizer que não existe qualquer verdade senão a que cada pessoa constrói.

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O cotidiano das personagens muda, ou ganha outro peso, com o retorno de Josh (Robert John Burke) para sua cidade, depois de cumprir alguns anos de prisão. Ainda no início, caminhando à beira da estrada, ele ajuda alguns homens no conserto de seus carros, pega carona, mas é repelido quando diz que estava preso.

O espectador logo percebe que ele não tem nada de mau. Ao contrário: todos o confundem com um padre, com algum pregador que viaja pelo mundo com mala e roupas pretas. Mas Josh deseja apenas retornar para casa e reconstruir a vida. Ter um trabalho simples e ler os livros que gosta – que talvez tenha aprendido a ler na prisão.

Sua chegada produz comentários na lanchonete, na oficina, nas festas – em qualquer lugar. Há versões diferentes sobre o crime – ou os crimes – que ele cometeu e suas circunstâncias. Há quem alegue que ele matou a namorada e depois o pai da moça. A verdade, contudo, demora a vir à tona, enquanto lhe resta a fama de criminoso.

Além de Audry e Josh, o filme é recheado por coadjuvantes de traços e olhares diferentes, como o namorado certinho, chato e infantil, o pai mandão que adora contratos, a mãe séria que talvez entenda o problema ao vê-lo com demasiada distância, o fotógrafo mulherengo, o mecânico desajeitado e gordinho que toca guitarra.

Com seu mosaico, Hartley pouco a pouco lança a ideia que recobre a obra: a verdade não pertence a ninguém. E talvez só se torne “incrível” quando as personagens dão conta de que estavam erradas: talvez Josh não seja o assassino que alimenta a lenda urbana local, talvez Audry não seja tão niilista quanto pareça.

Por consequência, ao fim, o filme oferece um encontro entre as personagens – Audry entre elas – na casa de Josh. Hartley capta o olhar de cada uma, todas no mesmo espaço, como em um antigo filme cômico no qual suas figuras convergem ao mesmo ambiente e traduzem os desacertos na comédia física, no abrir e fechar das portas.

No universo de Hartley, neste primeiro longa-metragem, tudo é feito de emoção. As personagens apenas fingem racionalidade. O diretor produz uma brincadeira às vezes com cores fortes, veloz, que só não chega a ser indolor porque há palavras cortantes. As personagens ainda mostram agressividade na forma com que se comunicam, ou alguma verdade. E o olhar de Audry e Josh ao céu, no plano final, não deixa saber o que vem pela frente. Talvez persista o medo. Talvez não sejam livres como pareçam.

(The Unbelievable Truth, Hal Hartley, 1989)

Nota: ★★★★☆

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A Viagem do Capitão Tornado, de Ettore Scola

A personagem-título forma-se no palco, em situação difícil de explicar, em meio à improvisação constante – ou ao erro – dos atores. Segue o tom desse filme de Ettore Scola sobre uma trupe ambulante pelas estradas de terra da França, no século 17. Começa com um pequeno teatro, talvez de marionetes, do qual nasce a história.

Das cortinas passa-se ao estúdio, ao clima fechado, ao imobilismo que percorre A Viagem do Capitão Tornado. O efeito é estranho: um filme sobre viajantes, mas no qual não saem do mesmo lugar. Filme propositalmente falso, com cenários não muito distantes dos vistos por anos na era clássica de Hollywood.

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Entre esses atores há certa alegria em viver na miséria. Algo falso, portanto, e que serve à perfeição ao espírito do filme, à comédia imaginativa. O teatro é justamente a forma de vencer os problemas, ainda que pareça clichê, além da ideia de que com fome “sente-se menos a tristeza”, segundo a personagem de Massimo Troisi, Pulcinella.

É Troisi, com seu rosto meio triste, meio esperançoso, que narra parte dessa história. Quem ouve é um inspetor de saúde que fiscaliza vilas e cidades. Pede que os atores não tomem a água de uma mina, à estrada, e descobre que um deles se encontra doente. É quando Pulcinella passa a narrar os eventos anteriores, a partir do encontro com um jovem barão pobre e que vivia em um castelo aos pedaços.

Os atores ficam ancorados ali em noite chuvosa. O criado do rapaz pede que Pulcinella leve-o com a trupe para a França. Há no jovem uma espécie de bilhete premiado: seu pai, o velho barão, teria salvado a vida do antigo rei. Com uma espada, o jovem poderá reivindicar algo e, quem sabe, restituir a riqueza e a importância de sua linhagem.

Vivido por Vincent Perez, o Barão de Sigognac é, entre outros, o retrato da pequenez evocada por Scola: um garoto escondido em seu chapéu, que dorme sobre a carroça e se vê enfeitiçado pela beleza de Serafina (Ornella Muti); depois, com a chance de mostrar bravura, cresce e se vê levado pela paixão, pela linda Isabella (Emmanuelle Béart).

O filme é uma homenagem ao teatro. Nem por isso é menos cinema. Scola, mergulhado em livre falsidade, investe no encanto de pessoas que interpretam a todo o momento, em um universo livre de julgamentos e no qual se prefere metáforas às palavras diretas. À medida que a viagem avança, a trupe perde tamanho: um dos atores, magoado, morre em meio à neve; duas atrizes passam a viver com barões ricos.

E o barão pobre, munido apenas de sua espada e aos poucos se vendo homem de verdade, descobre ser um ator. Resolve escrever uma peça. E então se depara com seres analfabetos, pessoas que não precisaram ler o texto. No fundo, são seres que vivem para interpretar, para improvisar, não para deglutir frases e versos decorados.

A beleza do filme está na leveza, na falta de compromisso com a realidade. Trata-se de um mundo de sonhos, fechado, feito por frágil embalagem. Em uma sequência interessante, a câmera passa pelo rosto de todos, com olhos atentos, enquanto se tem acesso a pensamentos e desejos.

Suas intenções depositam-se no possível encontro do jovem barão com o rei, no acesso à corte e, na sequência, alguns dias de glória. O teatro – ou a simples arte de representar – resume-se, segundo Scola, àqueles olhos atentos, àquela gente feliz e miserável.

(Il viaggio di Capitan Fracassa, Ettore Scola, 1990)

Nota: ★★★★☆

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Sieranevada, de Cristi Puiu

Uma família tenta, até o encerramento de Sieranevada, concluir sua refeição. Entre o início e o fim, e entre a exposição de instantes, sobra um grande filme feito quase em tempo real, sobre o encontro de seres diferentes, dos quais pouco se sabe.

Poderiam ser resumidos de forma fácil: são uma família disfuncional, de risos e lágrimas. Mas como chegar a essa definição à luz da estética de Cristi Puiu, sempre realista e natural? Legar a ela a etiqueta “disfuncional” é saída fácil, o que também leva a pensar nas comédias americanas de encontros familiares nos quais tudo dá errado.

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Puiu escapa a isso. Sua comédia segue por outras vias. O plano inicial, com a câmera no mesmo eixo e sempre em movimento panorâmico, dá o tom do que vem a seguir: a câmera que segue as personagens de um lado para outro, mas nunca a se intrometer demais, a fazer ver tudo, cuja distância exemplifica a opção de seu criador.

Com Sieranevada, Puiu atinge o equilíbrio perfeito entre o que parece não ultrapassar o banal e se revela grande. Pois o banal não lhe escapa, é necessário; o que poderia parecer grande – o drama ou a comédia em excesso – serve-lhe apenas parcialmente.

Por isso as marcações são quase invisíveis. Não se sabe em que ponto o problema começa ou termina, como se a família sempre estivesse ali, sempre com seus problemas (talvez não todos), sempre a se servir de seus trejeitos. Ao fim, quando os homens riem, à mesa, atesta-se a certeza da repetição, do “filme já visto”.

Eles encontram-se para recordar um ano sem um homem – marido, pai e avô. Aguardam, até boa parte da obra, a chegada de um padre, que deverá abençoar o local, além de orar pela comida, pelas roupas, por todas as vidas que permanecem por ali.

A refeição só será servida após o ritual religioso, além de contar com a presença de um dos parentes com a roupa do homem morto – tradição que esmiúça a necessidade de cultuar os mortos, como se parte do falecido ainda perdurasse no corpo do mais jovem.

Em meio à aparente bagunça, com tropeços a cada segundo, a família tenta manter as tradições por meio desse ritual de encontro, da alimentação à mesa, da oração entre todos. O que se vê, por outro lado, é a exacerbação de características distintas, de tipos individuais que marcam o texto com o impensável: o filho burguês que retorna para casa, a mulher traída pelo marido, o militar, o médico, a senhora comunista.

Um deles não para de evocar teorias conspiratórias, recordando casos nebulosos que cercaram o 11 de setembro. A senhora comunista traz à tona os fantasmas da era Ceausescu e entra em confronto com outra convidada. A certa altura, uma jovem chega ao local na companhia de uma amiga desacordada, que teria bebido em excesso.

O confinamento não é absoluto. Ora ou outra, como no início e no meio, o filme escapa para as ruas. Uma das personagens discute com a esposa e inicia uma briga após parar o veículo na vaga de outro motorista. A ironia é clara: Puiu expõe a confusão pelo pequeno espaço na sociedade em que todos possuem seus próprios carros, e na qual a socialização apequenou-se, deu vez à confusão cotidiana.

A câmera reveza-se entre cômodos no apartamento em que ocorre o reencontro familiar. O espectador demora a ter noção do espaço, da disposição dos cômodos. Terá de aprender a observar um estranho labirinto de portas que abrem e fecham, das quais nasce uma vida aos gritos, também engraçada, sempre natural.

O filme é brilhante em sua composição, no ato de saber perder – perder o que se passa nesses mesmos quartos fechados, perder a história que já teve início e não encontrará seu fim. Puiu fala de instantes. Atinge um humanismo que chega a parecer improvável.

O espectador terá de aprender a conviver com a distância, com pequenos movimentos, com o fora de quadro, com o realismo que dispensa o gênero fácil, em um curioso equilíbrio entre o que há de mais cortante e engraçado.

(Idem, Cristi Puiu, 2016)

Nota: ★★★★☆

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Os cinco melhores filmes de Emir Kusturica

O diretor sérvio Emir Kusturica tem uma carreira sólida, migrando de filmes com características realistas a obras com contornos oníricos, traços do burlesco e inegável tom político. Sua filmografia atravessa a Iugoslávia comunista e chega à divisão territorial nos Balcãs, sob o clima das transformações políticas dessa região. Com duas Palmas de Ouro no currículo, o cineasta fez filmes fundamentais, como se vê abaixo.

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5) Gato Preto, Gato Branco (1998)

O realizador sérvio coloca-se de novo em terreno que conhece bem: o universo dos ciganos. Pai e filho vivem à beira de um rio e se relacionam com ciganos mafiosos e traficantes que representam uma nova ordem. Um filme anárquico, colorido, talvez o mais exagerado quando se trata da imersão do diretor na comédia burlesca.

4) Você se Lembra de Dolly Bell? (1981)

É o primeiro longa de Kusturica, uma joia que ganhou quatro prêmios no Festival de Veneza. Em cena, um panorama da juventude iugoslava, com festas em um clube local e idas ao cinema. O protagonista é um garoto que descobre seu primeiro amor, uma prostituta, enquanto lida com a doença do pai comunista e sua mudança de casa.

3) Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios (1985)

A primeira Palma de Ouro de Kusturica. Uma crônica sobre os anos do comunismo na Iugoslávia após a Segunda Guerra, sob o clima ufanista do governo Tito. O filme é contado pelo olhar de uma criança, cujo pai, após zombar de uma charge de jornal no qual Marx aparece ao fundo de Lênin, é convidado a fazer uma “viagem de negócios”.

2) Underground – Mentiras de Guerra (1995)

Em três partes, Kusturica passa por três guerras em um panorama histórico da Iugoslávia, do regime comunista à dissolução, com a Guerra da Bósnia. O filme, que lhe valeu uma Segunda Palma de Ouro, traz, entre outras, a história de um grupo de pessoas confinadas em um porão, por décadas, sob a manipulação de um líder comunista.

1) Vida Cigana (1988)

A obra-prima do diretor. O filme marca sua adesão ao realismo mágico e à comédia burlesca, sem esquecer as questões política e social. Rapaz de uma comunidade cigana é obrigado a migrar para a Itália para trabalhar e, ao retornar para casa, descobre que sua amada está grávida e que o filho talvez não seja dele. Um dos pontos altos é a sequência da celebração, entre ciganos, do Dia de São Jorge. Nada menos que genial.

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