citação

Bastidores: A Bela e a Fera

Quanto mais tento escutar o trabalho do filme mais me apercebo que a sua eficácia é de ordem íntima, confessional e realista. Um filme não é um sonho que se conta, mas um sonho que nós sonhamos todos juntos.

Nada exige mais a verdade do que a ficção. A beleza é apenas acidental, senão é o comboio que parte a uma certa hora e chega a uma certa hora.

Jean Cocteau, cineasta, realizador de A Bela e a Fera. As falas citadas foram retiradas da verbete dedicada ao diretor no Dicionário dos Cineastas, de Georges Sadoul (Livros Horizonte; pg. 68). Abaixo, o ator Jean Marais recebe a maquiagem para se transformar na Fera.

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Jeanne Moreau (1928–2017)

Generosidade, ardor, cumplicidade, compreensão pela fragilidade humana, tudo isso pode ser lido na tela quando Jeanne Moreau representa.

No caminho de meus vinte anos de cinema, as filmagens de Jules e Jim, graças a Jeanne Moreau, permanecem uma recordação luminosa, a mais luminosa.

François Truffaut, cineasta, em 7 de setembro de 1981 (O Prazer dos Olhos – Escritos Sobre Cinema; Jorge Zahar Editor, pg. 250). Truffaut dirigiu Moreau em Os Incompreendidos (no qual empresta apenas a voz), Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (foto) e A Noiva Estava de Preto.

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Bastidores: Cães de Aluguel

(…) Cães de Aluguel, que estreia em Los Angeles na próxima semana, é um dos filmes mais bem dosados, perturbadores e habilmente construídos que saem este ano. É um belo filme de gênero que está permanentemente rindo de si mesmo e da idiotice pueril do gênero: uma brincadeira de assalto sem assalto, um filme de ação que está perdidamente apaixonado pela conversa, um poema para o lado sexy de contar uma história e uma amostra de sabedoria precoce sobre a vida. Tudo isso de um cineasta iniciante cuja instrução consiste em seis anos atrás do balcão de uma locadora de vídeos de Manhattan Beach, um tempinho no Sundance Institute Director’s Workshop e um monte de aulas de interpretação. Quentin Tarantino descreve a si mesmo como um especialista em filmes que nunca botou os pés numa escola de cinema e que nunca quis fazer outra coisa além de dirigir filmes. “Estou tentando enfiar cada filme que já quis fazer neste primeiro”, ele diz animado.

Ella Taylor, crítica de cinema, em texto escrito na ocasião do lançamento de Cães de Aluguel nos Estados Unidos e reproduzido no livro Quentin Tarantino (organização de Paul A. Woods; Editora Leya; pgs. 37 e 38). Do trecho acima, vale destacar a passagem em que Taylor cita o fato de Tarantino ter sido balconista de vídeo-locadora, o que só reforça a mitologia que o próprio diretor manteve – ainda mantém? – por anos, ligada à sua formação cinéfila. Abaixo, Tarantino e o ator Harvey Keitel.

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Dois irmãos, um cineasta

Fisicamente, somos dois, você está vendo. Mas, na verdade, somos um. Um só coração, uma só mente. Nosso cinema reflete um pensamento, uma sensibilidade. Pode parecer piegas, mas fazemos cinema para abraçar o mundo.

Jean-Pierre e Luc Dardenne, cineastas belgas, em entrevista ao crítico Luiz Carlos Merten, no jornal O Estado de S. Paulo (Caderno 2, 23 de fevereiro de 2017; leia texto completo aqui). Eles ganharam duas vezes a Palma de Ouro em Cannes – a primeira por Rosetta, em 1999, a segunda por A Criança (foto abaixo), em 2005.

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Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
A Garota Desconhecida, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A vibrante Fanny Ardant

Ao descobri-la em minha tela de televisão, eu ficara seduzido por sua boca larga, seus grandes olhos negros, seu rosto em triângulo, mas logo reconheci e percebi em Fanny Ardant as qualidades que geralmente mais espero dos protagonistas dos meus filmes: vitalidade, valentia, entusiasmo, humor, intensidade, mas, também, no outro prato da balança: a inclinação pelo segredo, um lado feroz, uma suspeita de selvageria e, acima de tudo, algo vibrante.

François Truffaut, cineasta, sobre a atriz Fanny Ardant, com quem trabalhou em seus dois filmes derradeiros: A Mulher do Lado e De Repente Num Domingo. Trecho de um artigo da Unifrance Film Magazine (dezembro de 1981) e reproduzido no livro O Prazer dos Olhos: Escritos sobre Cinema (Jorge Zahar Editor; pg. 219). Abaixo, Ardant e Truffaut nos bastidores de A Mulher do Lado. A atriz e o cineasta tiveram um relacionamento que durou até a morte dele, em outubro de 1984.

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