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Bastidores: Cães de Aluguel

(…) Cães de Aluguel, que estreia em Los Angeles na próxima semana, é um dos filmes mais bem dosados, perturbadores e habilmente construídos que saem este ano. É um belo filme de gênero que está permanentemente rindo de si mesmo e da idiotice pueril do gênero: uma brincadeira de assalto sem assalto, um filme de ação que está perdidamente apaixonado pela conversa, um poema para o lado sexy de contar uma história e uma amostra de sabedoria precoce sobre a vida. Tudo isso de um cineasta iniciante cuja instrução consiste em seis anos atrás do balcão de uma locadora de vídeos de Manhattan Beach, um tempinho no Sundance Institute Director’s Workshop e um monte de aulas de interpretação. Quentin Tarantino descreve a si mesmo como um especialista em filmes que nunca botou os pés numa escola de cinema e que nunca quis fazer outra coisa além de dirigir filmes. “Estou tentando enfiar cada filme que já quis fazer neste primeiro”, ele diz animado.

Ella Taylor, crítica de cinema, em texto escrito na ocasião do lançamento de Cães de Aluguel nos Estados Unidos e reproduzido no livro Quentin Tarantino (organização de Paul A. Woods; Editora Leya; pgs. 37 e 38). Do trecho acima, vale destacar a passagem em que Taylor cita o fato de Tarantino ter sido balconista de vídeo-locadora, o que só reforça a mitologia que o próprio diretor manteve – ainda mantém? – por anos, ligada à sua formação cinéfila. Abaixo, Tarantino e o ator Harvey Keitel.

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Dois irmãos, um cineasta

Fisicamente, somos dois, você está vendo. Mas, na verdade, somos um. Um só coração, uma só mente. Nosso cinema reflete um pensamento, uma sensibilidade. Pode parecer piegas, mas fazemos cinema para abraçar o mundo.

Jean-Pierre e Luc Dardenne, cineastas belgas, em entrevista ao crítico Luiz Carlos Merten, no jornal O Estado de S. Paulo (Caderno 2, 23 de fevereiro de 2017; leia texto completo aqui). Eles ganharam duas vezes a Palma de Ouro em Cannes – a primeira por Rosetta, em 1999, a segunda por A Criança (foto abaixo), em 2005.

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A vibrante Fanny Ardant

Ao descobri-la em minha tela de televisão, eu ficara seduzido por sua boca larga, seus grandes olhos negros, seu rosto em triângulo, mas logo reconheci e percebi em Fanny Ardant as qualidades que geralmente mais espero dos protagonistas dos meus filmes: vitalidade, valentia, entusiasmo, humor, intensidade, mas, também, no outro prato da balança: a inclinação pelo segredo, um lado feroz, uma suspeita de selvageria e, acima de tudo, algo vibrante.

François Truffaut, cineasta, sobre a atriz Fanny Ardant, com quem trabalhou em seus dois filmes derradeiros: A Mulher do Lado e De Repente Num Domingo. Trecho de um artigo da Unifrance Film Magazine (dezembro de 1981) e reproduzido no livro O Prazer dos Olhos: Escritos sobre Cinema (Jorge Zahar Editor; pg. 219). Abaixo, Ardant e Truffaut nos bastidores de A Mulher do Lado. A atriz e o cineasta tiveram um relacionamento que durou até a morte dele, em outubro de 1984.

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O tempo de Monte Hellman

Monte fez faroestes diferentes de qualquer um antes ou depois. Ela desacelerou a ação para que as cenas acontecessem num tempo real ainda não visto num faroeste. O efeito é como se Monte estivesse na cabine de projeção, agarrando um punhado do filme enquanto passava em frente à luz, segurando-o, e então cada frame é iluminado mais tempo para ser examinado melhor.

Quentin Tarantino, cineasta, sobre A Vingança de um Pistoleiro, de Monte Hellman, em artigo reproduzido em Quentin Tarantino (organização de Paul A. Woods; Editora Leya, pg. 243). Abaixo, o blog reproduz quatro quadros do filme, de uma de suas melhores cenas, quando Jack Nicholson conversa com Millie Perkins fora da casa.

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John Ford, anos 30

O caso Langlois

Beijos Proibidos era dedicado a Henri Langlois, pois suas filmagens se deram durante os “Événements de la Cinémathèque”, isto é, a tentativa do governo francês de botar a mão no acervo de filmes que Langlois formara durante trinta anos: comecei as filmagens de Beijos Proibidos em 5 de fevereiro de 1968, e em 9 de fevereiro cheguei ao set com duas horas de atraso porque estava saindo do Conselho de Administração da Cinemateca Francesa, onde, por uma decisão governamental, Henri Langlois foi destituído e substituído por um candidato “oficial”, Pierre Barbin. A partir desse momento, levei uma vida dupla de cineasta e militante, dando telefonemas entre a filmagem de cada plano, alertando as rádios estrangeiras, criando com meus amigos o “Comitê de Defesa da Cinemateca”, disposto a faltar à projeção dos meus próprios copiões. A equipe do filme adotou um slogan: “Se Beijos Proibidos for um bom filme, será graças a Langlois, se for ruim, será por causa de Pierre Barbin!”

François Truffaut, sobre os protestos em torno da saída de Henri Langlois da Cinemateca Francesa, pouco antes dos eventos de Maio de 68. A citação faz parte do artigo Quem é Antoine Doinel?, de fevereiro de 1971 (publicado no livro O Prazer dos Olhos – Escritos Sobre Cinema). Junto dos eventos de Maio de 68 e da censura, à época, de A Religiosa nos cinemas franceses, o caso Langlois é considerado um dos motivos para o fim do período da nouvelle vague.

Abaixo, Truffaut participa dos protestos pela permanência de Langlois e, ao seu lado, está o ator Jean-Pierre Léaud (à esquerda); na segunda foto, o diretor Claude Chabrol segura um cartaz a favor de Langlois, ao lado do também cineasta Jean-Luc Godard.

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