blog

Os Pássaros, um filme de mulheres

Em Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, os homens apenas vagam de um lado para o outro, fundamentais mas sem expressão. O homem ao centro é o advogado vivido por Rod Taylor, Mitch Brenner.

A rica e um pouco aventureira Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai atrás dele em uma pequena cidade na qual cada centímetro remete a um mundo passado, com gente pacata e conservadora, nada a ver com a loura atrevida da cidade grande.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

pássaros1

pássaros4

Com ela vem a fúria da natureza, os pássaros. E a mulher, coitada, leva o mal ao grupo de pessoas. A cidade transforma-se em palco de destruição, pavor, com doses de ação e suspense controladas com maestria por Hitchcock.

O filme assume contornos bíblicos, com a mulher entre destruição, proibição e mudança. Impossível, por exemplo, não se ater ao olhar daquele velho senhor de um pequeno mercado, a quem Melanie pede ajuda ao chegar à cidade. É o velho americano desconfiado frente à modernidade feminina.

Para Hitchcock, a mulher traz diferenças, sendo também a rival e a dominadora. Aqui, Melanie tem concorrentes de peso.

A figura da mãe

Mitch tem uma mãe desconfiada. Ao ser apresentada a Melanie, nota-se o desconforto dela: a ideia de que pode, àquela altura, perder o filho definitivamente para a cidade grande. Talvez, acredite a mãe, ele não volte à pequena cidade, à sua casa à beira do lago, ao clima interiorano de todos os fins de semana.

pássaros2

pássaros3

O que se vê é o risco em mudar hábitos. Hitchcock apresenta, visualmente, essa luta da mãe para estar entre a nova loura, a nova mulher, e o filho desinteressante. Em uma sequência-chave, ela atende ao telefone enquanto os novos amantes estão ao fundo, um de cada lado. Jessica Tandy interpreta essa mulher com perfeição.

Nessa mesma sequência, o homem muda de lugar no espaço, vai ao outro ponto da sala, desloca-se como se já deixasse claro estar em busca da outra mulher.

A professora

Naquela mesma cidade há o contraponto a Melanie: a professora de cabelos pretos que cultiva o hábito de limpar o jardim, Annie Hayworth (Suzanne Pleshette). Por trás dela, de seu rosto aparentemente frágil, corre uma história – e Hitchcock permite que corra.

Talvez deseje ser o que representa Melanie: a mulher emancipada, com o direito a sair em busca de seu homem sem que isso gere constrangimento. Os lados são invertidos. Também as cores. Seus cabelos pretos indicam a mulher fria, impedida de ser vista por Mitch, ou mesmo retornar para seus braços. Está presa àquela cidade, àquele estado de vida, a ser o que Melanie não é.

pássaros6

pássaros5

O filme representa a oposição perfeita quando elas estão à porta, uma de cada lado, com um pássaro morto ao chão. A mulher passa por uma transformação. O pássaro é um aviso do mal: a passagem da morena presa à loura liberta.

Há, para Hitchcock, a vingança da natureza – e é provável que isso esteja também na obra que deu origem ao filme, assinada por Daphne Du Maurier. Spielberg entendeu esse espírito em Tubarão, quando, na abertura, o monstro representa também uma vingança da natureza – ou de Deus, de um velho mundo – contra a modernidade dos jovens em busca de sexo à beira-mar, que nadam nus e cantam.

Se a mãe de Tandy não pode dividir o filho com mulher alguma, tampouco a professora poderá se libertar de sua prisão. No fundo, essas pessoas estão em suas próprias gaiolas, em suas vidas comuns – até surgir a moça loura íntima às fofocas de colunas sociais.

Melanie pertence a uma nova espécie, gera atração em todos ao redor, representa o desejo, o passo à frente. Difícil é escapar da grande gaiola.

(The Birds, Alfred Hitchcock, 1963)

Nota: ★★★★★

Veja também:
Cortina Rasgada, de Alfred Hitchcock
Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock

Anúncios

Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

O velho clichê das coisas que melhoram com o tempo, a exemplo do vinho, cabe a Isabelle Huppert. A pequena senhora agiganta-se em papéis desafiadores, como se vê no recente Elle, de Paul Verhoeven, que lhe garante uma posição entre as melhores atrizes de 2016. E o longa é muito mais que um retrato da mulher abusada.

Sua carreira atravessa décadas, sempre com diretores conhecidos e mesmo em outros países, como os Estados Unidos. Filmou com Michael Cimino, por exemplo, o desastroso – porém monumental – O Portal do Paraíso. Nas filmagens, recebeu a visita de ninguém menos que Jean-Luc Godard, que a convidou para trabalhar em Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado em 1980.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Também esteve em filmes de grandes cineastas como Claude Chabrol, Bertrand Tavernier, Maurice Pialat, André Téchiné, Benoît Jacquot e Michael Haneke. Tornou-se comum esperar, todo ano, por novos filmes com Huppert. O público é sempre recompensado.

10) Um Amor Tão Frágil, de Claude Goretta

A atriz já havia aparecido em uma porção de filmes até chegar à obra inesquecível de Goretta, como a protagonista, a jovem cabeleireira que se relaciona com um rapaz intelectual. A diferença entre eles impõe obstáculos e o fim do relacionamento, mais tarde, é um pouco inexplicável ao espectador. Sensível, merece a descoberta.

um-amor-tao-fragil

9) Minha Terra, África, de Claire Denis

Filme extraordinário sobre uma mulher que não aceita deixar sua propriedade, em uma África atolada na guerra civil. Seus funcionários já deixaram o local, e a isso se somam problemas familiares e a presença de guerrilheiros armados pela região. Denis, discípula do grande Jacques Rivette, faz um de seus melhores trabalhos.

minha terra áfrica

8) Paixão, de Jean-Luc Godard

O melhor Godard dos anos 80, no qual Huppert interpreta uma operária, companheira de um cineasta (Jerzy Radziwilowicz) e explorada pelo dono da fábrica (Michel Piccoli). Huppert já havia trabalhado com o diretor francês no anterior e também excelente Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado dois anos antes.

paixão

7) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

As várias personagens fictícias circundam um fato real: a morte de Eluana Englaro, em 2009, levada a cabo por sua família após uma batalha judicial. Bellocchio registra uma Itália dividida. Huppert interpreta uma mulher religiosa que se dedica 24 horas à filha, que se encontra presa à cama, em estado vegetativo.

bela que dorme

6) Loulou, de Maurice Pialat

Difícil compreender a atração por Loulou, a personagem errática de Gérard Depardieu. Esse homem mulherengo capta a atenção de Nelly (Huppert) durante uma festa. Não se separam mais. É o suficiente para ela deixar o antigo companheiro e viver com ele. Os atores voltariam a atuar juntos no recente O Vale do Amor.

loulou

5) Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Nos tempos de guerra, quando a França estava ocupada pelos alemães, a protagonista destaca-se fazendo abortos e vive bem, com roupas caras e sem dar muita bola ao marido militar. Um dos vários trabalhos interessantes que a atriz fez em parceria com o cineasta, com quem voltaria a se encontrar em Madame Bovary e A Comédia do Poder.

um assunto de mulheres

4) A Professora de Piano, de Michael Haneke

A pianista Erika Kohut (Huppert) mantém uma relação conflituosa com a mãe (Annie Girardot) ao mesmo tempo em que passa a ter um caso com um jovem aluno (Benoît Magimel). Ela quebra seu jeito contido com masoquismo e desejos reprimidos. Belo filme de Haneke. Prêmio de melhor atriz em Cannes para Huppert.

a-professora-de-piano

3) O Portal do Paraíso, de Michael Cimino

O fracasso de bilheteria não impediu que fosse redescoberto e, por alguns, colocado no alto das listas de melhores filmes de todos os tempos. Huppert está em meio a um elenco grande, em uma história sobre a luta de estrangeiros contra proprietários de terras cheios de xenofobia – tema que continua atual.

portal do paraíso

2) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

Huppert interpreta uma das três escritoras e irmãs, Anne, ao lado de Emily (Isabelle Adjani) e Charlotte (Marie-France Pisier). Há algo misterioso nesse grande filme, com três mulheres reclusas que, a certa altura, tomam rumos distintos. Mas, com suas fotografia em tons escuros, não se trata de uma cinebiografia comum.

as-irmas-bronte

1) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

O clima hitchcockiano acompanha certa frieza. Duas mulheres – amigas e talvez um pouco mais – combinam um crime: matar a família que emprega uma delas, a personagem de Sandrine Bonnaire. Huppert é a outra, a companheira que conduz a esse jogo perigoso, no qual ninguém é confiável e cheio de perversão.

mulheres diabólicas

Veja também:
Elle, de Paul Verhoeven
Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

O mundo repelente nos filmes de Jeff Nichols

As personagens de Jeff Nichols acreditam tanto nas causas que defendem que são capazes de morrer por elas, ou simplesmente fugir, isolar-se do mundo ao redor.

É o caso, por exemplo, do protagonista e pai de família de O Abrigo, ou do adolescente que ainda crê no amor em Amor Bandido, ou ainda do trio que defende um menino com superpoderes, perseguido pelas autoridades, em Destino Especial. Todos estão em fuga.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

o abrigo

Nichols equilibra-se entre mistério e ação, a partir do drama que permeia a relação das personagens com um mundo bruto, hostil, de pessoas inconfiáveis. A religiosidade é indissociável das três obras: mata-se em nome de uma seita, ou por uma crença.

Mesmo que caminhem a resultados diferentes, e que sirvam a gêneros distintos, todas apostam em situações parecidas: suas personagens não confiam nas instituições, nas leis, têm seus motivos para viver como nômades ou se esconder.

O Abrigo é sobre um homem (Michael Shannon) que constrói um refúgio subterrâneo para proteger a família. Quer segurança em caso de tempestades, furacões, ou do apocalipse, sob a imagem da nuvem de insetos no horizonte.

Sua derrocada é interior: sua família aos poucos se desintegra e, levada pela visão do pai, verá, ao fim, a mesma tempestade. Sobra, na praia, um castelo de areia como representação da fragilidade desse reino, então prestes a ser devastado.

amor-bandido

Problemas familiares são comuns ao meio no qual vive o protagonista de Amor Bandido, Ellis (Tye Sheridan), que não entende por que a mãe pensa em se separar do pai, também por que alguém aparentemente tão sedutor como o novo amigo Mud (Matthew McConaughey) não consegue ter o coração da mulher que ama.

O amor, atesta o garoto no alto de seus 14 anos, em seu amadurecimento, é insustentável; crescer, diz Nichols, é descobrir essas ausências, descobrir que não é possível nutrir expectativas pelos mais próximos e aparentemente decifráveis.

Pois Ellis encontrará a amizade e a segurança justamente em um criminoso. Mud refugia-se em uma pequena ilha que passa a ser visitada pelo menino, na companhia do amigo Neckbone (Jacob Lofland). Diferente dos outros, Mud é verdadeiro: confessa o que o levou até ali, àquele refúgio, em um barco preso entre árvores.

O homem distante não é mais misterioso. Ao contrário, ganha proximidade, com tatuagens e velhas histórias expostas, com disposição a ajudar os outros. E seu amor, vê Ellis, pode surpreender: estivesse o menino distante da ilha, crer em um sentimento assim seria impossível, muito menos em alguém capaz de matar por amor.

destino-especial

A direção de Nichols é sóbria, sem exageros ao invadir dramas pessoais. E os roteiros não deixam uma saída fácil, a resolução esperada – principalmente em O Abrigo. Com Destino Especial, o cineasta aposta ainda mais em perguntas e mistério.

Trata de um caminho – uma fuga – sem começo certo, sem conclusão capaz de saciar o espectador. Essa abertura, a do olhar, não é exatamente satisfatória: as personagens tentam representar drama e mistério, mas nem sempre convencem.

O menino com superpoderes (Jaeden Lieberher) de Destino Especial é perseguido por aqueles que não o compreendem (o governo) e por aqueles que acreditam saber o que ele representa (a Igreja). No fundo, restam sinais de intolerância. O que o conforta é a família, no reencontro do pai (Shannon) com a mãe (Kirsten Dunst).

A filha do protagonista de O Abrigo, que não fala, aponta à incomunicabilidade; o adolescente de Amor Bruto leva à rebeldia como fruto da falta de amor e à aproximação do rebelde; por fim, o garoto de Destino Especial oferece uma porta para outra dimensão, à qual apenas ele terá acesso. Materializa uma fantasia, um desejo, algo para sonhar: o local da fuga definitiva, talvez para se chamar de casa.

(Take Shelter, Jeff Nichols, 2011)
(Mud, Jeff Nichols, 2012)
(Midnight Special, Jeff Nichols, 2016)

Notas:
O Abrigo: ★★★★☆
Amor Bandido: ★★★☆☆
Destino Especial: ★★★☆☆

Foto 1: O Abrigo
Foto 2: Amor Bandido
Foto 3: Destino Especial

Veja também:
O Mestre, de Paul Thomas Anderson

Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster

O poder de Kyle Budwell (Jack O’Connell) não tem origem apenas em sua arma ou no colete com bombas colocado em seu refém. Mais do que esses itens, tem a seu favor o motivo que o levou até ali: Kyle apostou alto em ações e perdeu tudo.

Os argumentos do rapaz falido serão revelados durante um programa de televisão chamado Money Monster, do qual vem o homem que veste seu colete com bombas, sob a mira de sua pistola, o apresentador Lee Gates (George Clooney).

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

jogo do dinheiro

Não leva muito tempo para que fique clara a confusão do enredo: em Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster, Kyle é menos vilão do que vítima. Semanas antes, ele resolveu seguir uma dica de Gates, que posa de guru das finanças enquanto faz piadas.

Com argumentos tentadores para vender ações e enriquecer alguns à medida que empobrece outros, o apresentador terá de duelar contra o desesperado Kyle, cuja nova condição dá-lhe argumento maior, difícil de dobrar: é vítima direta, palpável, desse show que materializa a sociedade do dinheiro sintético, encoberta pelo espetáculo.

O mais interessante no filme de Foster, portanto, é a relação entre homens, no ponto em que Gates deixa de ser apenas a imagem sólida do americano que deu certo – ou que faz dar certo – da televisão, belo homem de meia idade e bom vendedor.

O garoto é o oposto: perdeu a vida ainda cedo e, nesse jogo, ou nesse programa, usa a violência para se igualar ao outro, ou para superá-lo. Como se vê mais tarde, sua intenção não era colocar tudo pelos ares, mas colocar às claras uma fraude.

O sistema é o grande fraudador, parece dizer o rapaz no início da obra, quando invade o programa de tevê. Se por um lado a crítica é inerente, por outro o roteiro sai em busca do vilão de carne e osso, papel que resta ao dono da empresa cujas ações foram compradas por Kyle, não ao apresentador do show – ainda que indiretamente culpado.

O filme de Foster erra ao optar por mais voltas, mais personagens para além dos limites do estúdio. Erra ao apontar o dedo para um homem, não ao sistema. Ainda que emocionante, falta-lhe a coragem de obras como Margin Call – O Dia Antes do Fim.

Tão perigoso quanto o sistema financeiro é o espetáculo televisivo. A aproximação é tamanha que fica difícil separá-los. Por consequência, a mistura desemboca na dança de Gates, no sistema complexo representado como algo fácil e até divertido.

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Cinco filmes recentes sobre o capitalismo selvagem

Desonrada, de Josef von Sternberg

Há uma coleção de grandes closes e aparições marcantes de Marlene Dietrich ao longo de Desonrada, a começar pela primeira: à rua, ela revela parte da meia-calça, enquanto o povo aglomera-se em frente ao prédio em que uma mulher suicidou-se.

Antes de se tornar importante espiã a serviço dos austríacos na Primeira Guerra, Marie Kolverer (Dietrich) é alguém livre. O contrário é exposto na mulher suicida, sem rosto: é a opção à vida que a protagonista aceitou viver, antes de se aliar ao governo.

desonrada

Desde o início, a heroína – ou quase isso – sabe de seu destino: sua consciência chama a atenção do homem poderoso que naquela mesma noite faz-lhe companhia, no que parece ser uma indicação de seu trabalho, a partir das sutilizas do cineasta Josef von Sternberg ao enquadrar e dirigir Dietrich: ela é uma prostituta.

Ainda que essas sutilezas que agem como palavras tenham perdurado até os anos 60, com a bonequinha Audrey Hepburn no famoso filme de Blake Edwards, é com Dietrich que se grita, à perfeição, questões diretas, sem medo, enquanto confronta.

E os closes mostram com maestria esse confronto, e com as transições resistentes – quando imagens sobrepõem-se a outras – vê-se o verdadeiro significado desse filme livre e incrível: é sobre misturas, sobre indefinições, em um tempo de guerra que só deixa ver extremos, heróis ou vilões. E por isso Dietrich não se deixa ver.

desonrada2

A aproximação apenas confere mais mistério e distância. Como agente secreta, a X27, ela consegue convencer em várias faces, seja como a militar em jaqueta de couro, seja como a simples camareira de hotel. Precisa chegar aos homens, aos gabinetes, aos vilões e traidores, sem que mostre qualquer medo ou receio, sem que se entregue para tanto.

Poderá aceitar beijos, festejar em noites de serpentina e bagunça, de carnaval de máscaras, com os velhos poderosos a cair de joelhos por ela, a levá-la para suas residências com os mesmos mordomos de sempre e as ligações indesejadas.

Um deles percebe a própria fraqueza, desiste: lança ao chão sua espada e se suicida. Sua primeira missão termina assim: a mulher não precisa de violência ou de qualquer outra arma para render o inimigo. Segundo von Sternberg, precisa ser apenas mulher.

A paixão pelo inimigo russo (Victor McLaglen) não convence. O filme não é sobre amor, mas sobre indefinições, o que explica, em certa medida, o não convencimento. Mais ainda, mostra como essa mulher deixa-se levar, antes de tudo, pela sua natureza.

desonrada3

McLaglen é irritante, propositalmente canastrão. Dietrich é forte o tempo todo. Em tempos de guerra, ela pode até se apaixonar por ele – menos pelo que oferece de evidente, mais pela capacidade de confrontá-la. Ele deverá resistir a ela.

À medida que o conflito não deixa ver contradições, ou aparenta não deixar, o amor dela é a contradição maior a quem iniciava sua jornada como rocha, cínica, capaz de não se dobrar aparentemente a ninguém. Sua guinada ao amor não é sinal de fraqueza.

Ninguém deu personagens tão interessantes a Dietrich como von Sternberg. A parceria rendeu grandes filmes. Neles, Dietrich pode terminar destruidora ou destruída. Como se vê em Desonrada, será sempre forte e misteriosa.

Nota: ★★★★☆

Veja também:
Dez clássicos com subtexto gay