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Bastidores: Prelúdio para Matar

O CinemaScope voa por pilares e colunas, com todas as suas nuances utilizadas para chamar a atenção do espectador nestes primeiros planos para a cenografia, rústica e de moldes clássicos. Após uma pequena movimentação de grua na qual a câmera desce da direita para a esquerda, o grupo que está tocando a música a qual escutamos é reenquadrado. O inglês Marcus Daly (David Hemmings), professor de jazz, está no meio de sua aula. O jazz que está sendo tocado, por sua vez, parece remontar o trabalho de Ennio Morricone para outro filme de Argento, O Gato de Nove Caudas, no aspecto bastante tradicional de sua execução. Marcus interrompe seus alunos, não está satisfeito, diz que existe algo de errado, que seus alunos estão tocando muito bem, de maneira muito cuidadosa, formal, mas que esta música precisa ser “suja”; em outras palavras, que a beleza do tipo de música que estavam tocando reside justamente no que possui de grosseiro, inacabado, por conta em boa parte de ter nascido em bordéis e do apelo popular que possui. Esta é a primeira cena em que Argento estabelece regras pelas quais Prelúdio Para Matar se desenvolverá: o horror, o que existe de belo nele, é justamente aquilo que há de violento, de rude, do susto mais vagabundo ao assassinato mais sangrento, e é assim que devem ser os filmes do gênero segundo professor Dario.

Bruno Andrade, crítico de cinema, na Contracampo – Revista de Cinema (leia aqui o texto completo). Abaixo, o diretor Argento nos bastidores.

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Bastidores: O Exorcista

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Bastidores: A Dama de Shanghai

À medida que as filmagens prosseguiam, problemas com o roteiro começaram a atrasar a produção. Não restava mínima dúvida de que Rita depositava total confiança no imenso talento de seu marido, sob cuja direção ela começou a dar uma interpretação sincera, provocante e sutil da personagem que encarnava. Havia muita afeição entre os dois (Rita chamava Welles de Papa e ele a chamava de Mama), porém o filme já havia estourado o orçamento e também as previsões do cronograma de trabalho. Cohn [o produtor Harry Cohn] estava irado, mas permitiu que Orson prosseguisse livremente.

A Dama de Shanghai foi o único filme em que Rita Hayworth morre em cena. A sequência é o ponto alto da história: Rita leva um tiro e cai no chão lutando para viver, gritando: “Não quero morrer”.

[A colunista] Hedda Hopper se encontrava no set no dia em que a cena foi filmada. “Welles estava limpando o chão com Rita. De acordo com a minha cartilha, não é esta a melhor maneira de se manter um casamento.” Hopper esqueceu-se de mencionar a interpretação magnífica de Rita.

Anos depois, perguntaram a Rita Hayworth por que motivo ela havia causado tantos atrasos na produção de A Dama de Shanghai. Quem fez a pergunta observou que Rita ficava doente com muita frequência. A atriz retrucou: “Eu nunca estive doente. O coitado do Orsie é quem ficou doente por causa do Harry Cohn”.

Joe Morella e Edward Z. Epstein, na biografia Rita, A Deusa do Amor (Editora Nórdica; pg 112). Abaixo, Rita e o então marido Orson Welles nas filmagens de A Dama de Shanghai, que ele, com comum maestria, dirigiu.

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O Processo, de Orson Welles

Beber, filmar e cantar

Dean [Martin] e eu fazíamos muitas piadas sobre beber. Mas, convenhamos: se tivéssemos bebido de fato tanto quanto diziam que nós bebíamos, você acha que conseguiríamos filmar durante o dia e cantar à noite – que era o que fazíamos? Eu não recomendaria que ninguém vivesse a vida assim. É preciso saber o que se pode aguentar.

Frank Sinatra, ator e cantor, em declaração reproduzida em Frank Sinatra – A Arte de Viver, de Bill Zehme (Ediouro; pg. 118). Abaixo, ele (à direita) e o parceiro de filmes e noitadas Dean Martin.

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Frank Sinatra, 100 anos

Bastidores: Napoleão

As telas do mundo os esperam, meus amigos. De todos vocês, qualquer que seja o papel ou o posto, protagonistas, coadjuvantes, operadores de câmera, cenógrafos, eletricistas, aderecistas, todos, e especialmente de vocês, extras anônimos que têm de redescobrir o espírito de seus antepassados para encontrar em seus corações a unidade e audácia que foi a França entre 1792 e 1815, peço, não, exijo, que ponham de lado considerações pessoais mesquinhas e me deem sua total dedicação. Somente deste modo serviremos e cultuaremos a causa já ilustre da primeira forma de arte do futuro, por intermédio da mais formidável lição da história.

Abel Gance, cineasta, pouco antes de iniciar as filmagens de Napoleão, em texto dirigido à sua equipe, em 24 de junho de 1924, e reproduzido em Napoleão, de Nelly Kaplan (Editora Rocco; pg. 18). As imagens abaixo demonstram um pouco da ousadia que ajudou a transformar Napoleão em um dos grandes filmes da história.

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Bastidores: Moby Dick

Bastidores: Blade Runner, o Caçador de Andróides

Os ambientes são sempre frios, com imensas paredes que parecem herdadas de um passado longínquo e que se erguem imponentes em sua escuridão apenas reforçando o lugar ínfimo que os homens ocupam neste novo mundo. São ambientes recortados, ao mesmo tempo que amplos, com as paredes tomadas por placas com estranhos desenhos e que se repetem monotonamente com o mesmo padrão, sempre em tons escuros e sujos, sempre a desdobrar a ausência de vida que parecem confinar entre as paredes que os contêm.

Paulo Menezes, professor, em À Meia-luz: Cinema e Sexualidade nos anos 70 (Editora 34; pg. 214).

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