Terra em Transe, 50 anos

Por ser um filme sem concessões, caótico, polêmico, feito sem a intenção de agradar a quem quer que seja, a ele e ao autor são lançadas as maiores acusações, reacionárias no mais amplo sentido da palavra. A visão do grande público brasileiro está condicionada, parada no tempo, acostumada à linguagem simplista, estacionada no E o Vento Levou. Enquanto isso, Terra em Transe marca a divisão de duas épocas, e sua tentativa de criar uma linguagem nova chega a chocar, não é aceita de imediato. As acusações são iguais àquelas dos velhos professores de Carlos Drummond de Andrade, quando o rejeitavam. Pela mesma experiência passou Oscar Niemeyer, alvo do mesmo reacionarismo. O certo é que o filme não deixa de ser discutido e, como matéria de debate, Glauber Rocha coloca a velha questão: se o cinema deve ficar estagnado ou deve prosseguir inovando ou investigando. Terra em Transe é mais um marco na história do cinema, e principalmente no Terceiro Mundo quem quiser fazer cinema terá de enfrentar o desafio  de meu diretor.

Luiz Carlos Barreto, coprodutor e diretor de fotografia de Terra em Transe, no famoso debate ocorrido no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, em 18 de maio de 1967. A fala de Barreto foi reproduzida no jornal Folha de S. Paulo, em matéria, no dia seguinte ao debate. O filme havia estreado pouco antes, no dia 3, no Festival de Cannes.

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