Os filmes de Jaco Van Dormael

O diretor belga é dono de uma filmografia enxuta, com filmes que, em comum, retratam a jornada de pessoas distintas – em mundos reais, imaginários ou divinos – em busca de respostas sobre as origens da vida e seus infindáveis caminhos. Cinema cheio de imaginação e graça, com espaço para a comédia e até mesmo para a ficção científica. Dormael, no entanto, não é um autor de fácil classificação, como se vê abaixo.

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Um Homem com Duas Vidas (1991)

Um velho homem recorda sua vida, ou recorda como ela poderia ter sido diferente nesse extraordinário longa-metragem de estreia de Dormael. O protagonista, em suas recordações, diz que a vida foi-lhe tomada pelo vizinho a quem tudo deu certo: o dono de uma família perfeita, o homem rico cujo “furto” deverá ser vingado. Entre idas e vindas no tempo, e entre os diferentes caminhos para a mesma vida, o cineasta já traz as linhas gerais que abordaria, mais tarde, no badalado Sr. Ninguém.

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O Oitavo Dia (1996)

Poderia estar próximo de um guia de autoajuda, sobre as descobertas de um homem que tem a vida transformada após embarcar em uma viagem ao lado de um rapaz com Síndrome de Down. Poderia caso estivesse à frente outro diretor. Com Dormael, o material torna-se nobre e não se inclina ao dramalhão. O homem em cena é Harry (Daniel Auteuil) e o rapaz, Georges, é vivido por Pascal Duquenne, que retornaria em outros filmes do cineasta. Ambos dividiram o prêmio de ator em Cannes.

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Sr. Ninguém (2009)

O visual futurista e a soma das situações dramáticas e familiares do roteiro fizeram com que o filme, a certa altura, perdesse-se no vazio. Com o pai ou com a mãe, a vida do rapaz ao centro tomará rumos diferentes – e o tal senhor Ninguém (Jared Leto) assiste às possíveis versões de sua própria vida em futuro distante e tecnológico. Não há exatamente uma linha narrativa verdadeira. A fita tem velocidade, bons momentos, mas falta emoção a esse trabalho de Dormael.

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O Novíssimo Testamento (2015)

A existência, de novo, aqui por meio da comédia. É sobre Deus (Benoît Poelvoorde), ou sobre sua filha (Pili Groyne), a garota que se queixa dos modos pouco agradáveis do Criador. Segundo Dormael, o Deus de Bruxelas, onde vive, é resmungão, bebe, maltrata a mulher e brinca com a humanidade a partir de seu computador e sua sala forrada de arquivos pela parede. Até o dia em que a filha escapa e Ele vê-se obrigado a segui-la, descendo ao mundo no qual serão recrutados novos apóstolos.

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