Rogue One: Uma História Star Wars, de Gareth Edwards

A série Star Wars nem sempre garantiu personagens carismáticas. Em seu primeiro filme, de 1977, o carisma estava presente graças à figura de Harrison Ford, eterno Han Solo. Era o menos correto entre os heróis, por isso mesmo o mais interessante.

Como o mercenário, a Jyn Erso de Felicity Jones tem seu lado desregrado, a heroína solta pelo mundo e que reluta a pertencer à causa dos rebeldes em Rogue One: Uma História Star Wars. Mas a moça logo se vê tragada à causa maior: a exemplo de Solo, ela carrega a paixão que move os heróis, não sendo apenas um rosto bonito.

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Nesse sentido, a série vê-se bem representada como em seu sétimo episódio, no qual o protagonismo é de Daisy Ridley. De uma garota entre monstros estranhos, planetas variados, a enfrentar algo maior. Jones é a alma da nova aventura, a menina que quase não tem tempo para viver um romance, de quem pouco ou nada se sabe.

E isso faz pensar no que o filme tem de pior, e que o sacrifica: uma boa atriz em uma personagem instigante, mas em uma fita a serviço da velocidade (problema de outros vários filmes recentes), do barulho, com atalhos manjados ao longo do roteiro.

A história de Rogue One situa-se entre os episódios três e quatro da série Star Wars, A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança. Jyn é a filha do criador da Estrela da Morte, grande nave do tamanho de um planeta feita para destruir o que encontrar pela frente.

Quem conhece a saga criada por George Lucas tem a mínima ideia de como essa nova aventura deve terminar: no filme seguinte, a Estrela da Morte continua inteira, mas alguns planos para destruí-la são extraviados graças à princesa Leia (Carrie Fisher).

Rogue One é a história do roubo desses planos. Jyn e um grupo formado por rebeldes e outros mercenários aliam-se para lutar contra o Império, ao passo que ela, aos poucos, perde sua indiferença, principalmente após a morte do pai (Mads Mikkelsen).

Os laços entre pais e filhos continuam a mover a história, como em O Império Contra-Ataca e O Despertar da Força. Pena que o diretor Gareth Edwards, ao contrário de J. J. Abrams, não faça o drama das personagens funcionar, rendido como está à aventura e ao excesso de seres de sua trupe, a tudo o que a série precisa levar na bagagem.

É, ao mesmo tempo, um filme que se inscreve com perfeição no universo Star Wars e, à exceção de Jones, um filme que não deixa ver a paixão de outras personagens que habitaram – e habitam – esse mesmo universo mitológico. Caso para pensar: qualquer avaliação não tende a subir quando se é levado à obra sabendo que se trata de batalhas em “uma galáxia muito, muito distante”, sempre a esbarrar nas criações de Lucas?

(Rogue One, Gareth Edwards, 2016)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Doutor Estranho, de Scott Derrickson

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