Bastidores: Um Dia Quente de Verão

Mesmo antes de Os Terroristas, Edward já estava interessado em fazer Um Dia Quente de Verão, e em muitos aspectos os dois filmes têm importantes paralelos temáticos – particularmente essa ideia de uma sociedade matando seu próprio povo. Os Terroristas era sobre um momento contemporâneo na década de 1980, e você pode dizer que Um Dia Quente de Verão vai para trás e imagina como esses “terroristas” cresceram. Edward queria entender como essa instabilidade social e medo se apoderaram, e como essas pessoas vieram a ser quem eram.

Na década de 1980, houve um caso infame envolvendo um jovem aborígene taiwanês chamado Tang Yingshen, que tinha vindo para a cidade para trabalhar, foi abusado e explorado, e acabou matando seu chefe e a família de seu chefe. Na época, muitas pessoas saíram em seu apoio, mas ele terminou condenado à morte. Edward seguiu de perto o caso e, embora nunca tenha dito isso claramente, acho que as lembranças que isso despertou nele serviram como um ponto de partida para o filme.

(…)

Quando Edward Yang começou a fazer Um Dia Quente de Verão, ele e Hou Hsiao-Hsien já haviam conquistado grandes prêmios em festivais de cinema europeus. O público não taiwanês foi algo que você ou ele pensou enquanto escrevia o roteiro?

Nós realmente nunca discutimos isso durante o processo de realização do roteiro, mas não acho que Edward realmente se importava com isso – caso contrário ele não teria feito o enredo tão complicado. Não é que Edward estivesse ignorando audiências estrangeiras em particular; é que ele apenas não estava realmente preocupado com qualquer espectador que não fosse ele próprio. Se você pensa em Uma Confusão Confuciana, é tão cheio de diálogo que um espectador estrangeiro mal seria capaz de acompanhar as legendas.

Em Um Dia Quente de Verão, ele não se preocupa em explicar as diferentes gangues e seus antecedentes; ele simplesmente usa as expressões dos atores para sugerir que alguns são filhos de famílias militares e alguns são filhos de funcionários públicos. Essa é uma distinção que o público estrangeiro e mesmo os espectadores taiwaneses que não viveram aquela era teriam dificuldade para averiguar. Mas não era nosso objetivo dar ao espectador uma explicação completa de cada personagem; enquanto eles foram atraentes, isso foi o suficiente para nós.

Hung Hung, roteirista, sobre o processo de realização de Um Dia Quente de Verão, que escreveu ao lado do diretor, Edward Yang, e de Mingtang Lai e Alex Yang. A entrevista foi concedida a Andrew Chan e está publicada no site da distribuidora Criterion (veja aqui; a tradução é deste blog). Abaixo, Edward Yang (de boné vermelho) durante as filmagens de Um Dia Quente de Verão.

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