Os filmes de Josef von Sternberg com Marlene Dietrich

São sete filmes em cinco anos. Uma das parcerias mais produtivas entre um diretor e uma atriz – como seriam, mais tarde, as de Ingmar Bergman e Liv Ullmann, ou as de Michelangelo Antonioni e Monica Vitti (só para ficar em dois exemplos). Josef von Sternberg é o responsável por construir o mito Marlene Dietrich.

A exemplo do cineasta, ela repudiava o regime nazista. Ambos, apesar de terem trabalhado na Alemanha, fizeram sucesso na América. A atriz, depois, empenhou-se na luta contra Hitler e se engajou nas animações às tropas americanas. Suas armas não são difíceis de ver e estão estampadas nos filmes que realizou, sete deles na lista abaixo.

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O Anjo Azul (1930)

A mulher viçosa, no palco, deixa o professor louco. Ele, claro, retorna outras vezes ao cabaré, casa-se com ela e termina como um palhaço destruído. Obra-prima que inaugura a parceria entre o diretor e sua atriz favorita, ainda na Alemanha. Ganharia ainda uma versão americana, o que faria com que a diva fosse rapidamente para Hollywood.

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Marrocos (1930)

A liberdade do cinema americano era evidente antes do Código Hays ser instituído. Esse clima pode ser visto na cena em que Dietrich beija outra mulher, no palco, para delírio do público – cena lembrada no excelente documentário O Outro Lado de Hollywood. E tem Gary Cooper como o soldado que termina apaixonado por ela.

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Desonrada (1931)

A melhor aparição da atriz nos filmes de Sternberg. Está à rua, a revelar a meia-calça, enquanto uma aglomeração de pessoas anuncia o tipo de ambiente: em frente a um prédio, uma mulher suicidou-se. O caminho para a protagonista é se tornar agente secreta. Ela só não contava terminar apaixonada pelo próprio inimigo.

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O Expresso de Shanghai (1932)

A atriz vive Shanghai Lily, em outra aventura para salvar a pele de um homem, a bordo de um trem. A certa altura, o veículo é sequestrado por revolucionários chineses, em uma viagem com tipos diversos. “Foi preciso mais de um homem para mudar meu nome para Shanghai Lily”, afirma a protagonista. É a frase mais famosa do filme.

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A Vênus Loura (1932)

A mulher é dividida entre a vida em família, que passa por dificuldades, e a vida dos palcos, à qual recorre para ganhar dinheiro. O problema é que o marido não entende seu trabalho. E, ao tentar a guarda do filho, ela vê-se obrigada a fugir. Em papel coadjuvante, Cary Grant interpreta um ricaço com mil promessas para a protagonista.

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A Imperatriz Vermelha (1934)

A segunda obra-prima que resulta da parceria. Filme cheio de luxo, mistério, em um papel para Dietrich que poderia ter sido feito por Greta Garbo. Mas talvez a esfinge não tivesse a mesma dose de maldade. E Sternberg recorre ao clima delirante, aos banquetes exaustivos, às tropas que cavalgam sobre escadarias, em uma produção classe A.

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Mulher Satânica (1935)

Dietrich está à vontade, “como o Diabo gosta”, nesta última parceria com Sternberg. O carnaval dá vez ao clima de desejos, de permissão, e soldados percorrem uma chuva de serpentinas. Por ali, pelas sacadas e palcos de uma Espanha de estúdio, vive Concha Perez, cuja missão é uma só: conquistar e destruir os homens que cruzam seu caminho.

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Veja também:
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Os 100 melhores filmes dos anos 30

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