Um certo George Eastman

Como uma personagem saída de um filme noir, George Eastman caminha pela estrada na abertura de Um Lugar ao Sol. Está em busca de oportunidades, de uma nova vida, quando vê, em um carro branco, a bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor).

O filme de George Stevens oferece a típica história americana, melodramática, de busca por ascensão social e queda em igual medida: a história do homem pobre, da menina rica e da mulher assalariada grávida, a pedra no caminho. O carro branco e opulento antecipa o sonho, a busca desse jovem pobre e belo.

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O protagonista, vivido por Montgomery Clift no auge da beleza, é dúbio. É possível amar Eastman mesmo quando manipula as pessoas, mesmo quando vaga por diferentes classes, quando beija a pobre Alice Tripp (Shelley Winters) às sombras, como prova visual de sua vergonha, ou de seu refúgio. Stevens faz de Eastman um homem de duas vidas.

O protagonista começa em uma caminhada incerta e termina com a certeza da morte, ainda assim amado. Poucas histórias de amor no cinema chegaram a tanto sem cair na lágrima fácil. Um Lugar ao Sol evita lugares-comuns ao mesmo tempo em que se assume romance trágico, com contornos do cinema clássico.

Em momento único, entre tantos, Eastman reencontra Vickers na casa de seus parentes ricos. O olhar dele, para trás, é de fixação e surpresa: a bela menina rica, antes distante, passageira, torna-se próxima, “verdadeira”, possível. Em algum momento, real. E o faz um homem apaixonado. Interessante é que existe amor além de dinheiro e conveniência. O filme não evita apontar à chatice da pobreza em Tripp, à beleza da riqueza na leve e ainda assim sexualizada Vickers.

O menino entre a pobreza e a riqueza passa a frequentar festas de grã-finos. Ao fim delas, segue à casa da amante pobre, depois grávida, depois morta. A mulher escondida dá vez à mulher sempre à vista, com seu olhar único. O olhar de Taylor. Um dos olhares mais famosos do cinema, suficiente para o público entender tudo.

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(A Place in the Sun, George Stevens, 1951)

Nota: ★★★★★

Veja também:
Tarde Demais, de William Wyler

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