Bastidores: Ben-Hur

Para destacar filmes, então, o primeiro que eu me lembro de ter causado um impacto especial, que se diferenciou então dessa massa de filmes divertidos e interessantes, foi o Ben-Hur, filme do William Wyler que todo mundo conhece. Um filme bíblico, ou de ambientação bíblica, com o Charlton Heston. Não vi na época em que ele foi feito e lançado, não sou tão velho assim, já vi em uma reprise. O filme é de 1959, devo ter visto em meados dos anos 60. Na época me marcou muito, lembro de ter sonhado várias vezes com cenas do filme. Algumas, como a célebre cena da corrida de bigas, em que acontece o atropelamento do adversário do Ben-Hur, por exemplo. Ele se chamava Messala, é atropelado e cai. Ele é o mau da história, que tenta causar um acidente com a biga do Ben-Hur, mas é ele que acaba sofrendo um acidente, é atropelado e vira uma posta de carne e sangue, uma coisa muito impressionante. Lembro que eu tinha pesadelos com isso. E com a mãe e a irmã do Ben-Hur, que ficavam leprosas e iam parar no vale dos leprosos. Esse vale dos leprosos foi um lugar imaginário que povoou a minha infância, um lugar de horror, uma espécie de inferno, uma coisa assustadora. Qualquer manchinha na pele eu achava que estava com lepra e que ia parar no vale. Esse foi o primeiro filme que me causou uma grande comoção.

José Geraldo Couto, crítico de cinema e tradutor, em seu depoimento ao projeto Os Filmes da Minha Vida, que ocorre junto à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e publicado no quarto livro do projeto, O Real e o Imaginário (organização de Renata Almeida; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; pg. 59). No mesmo livro, a crítica de cinema Isabela Boscov diz que Ben-Hur também foi um filme que lhe marcou, ao vê-lo no cinema, no início dos anos 70. Abaixo, fotos dos bastidores das versões de 1925, de Fred Niblo, e 1959, de Wyler. Nos dois casos, são os bastidores da corrida de bigas.

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Ben-Hur

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Veja também:
Ben-Hur (em três versões)
Entrevista: José Geraldo Couto

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