Rock em Cabul, de Barry Levinson

A possibilidade de uma grande cantora estar escondida em uma caverna, em um vilarejo no meio do deserto afegão, é quase remota. Ainda que apareça apenas na metade de Rock em Cabul, de Barry Levinson, a moça (Leem Lubany) dá outra rota ao protagonista, o produtor musical Richie Lanz (Bill Murray).

Disposto a ganhar dinheiro fora dos Estados Unidos, ele é um dos vários americanos a explorar a guerra no Oriente Médio, com uma cantora para se apresentar aos soldados.

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rock em cabul

Seu rostinho bonito (Zooey Deschanel) logo vai embora. Para piorar, leva o passaporte do produtor e o deixa sozinho entre mercenários, comerciantes de armas, nativos mal encarados e taxistas amantes da cultura ocidental. Com anos de experiência, Richie sabe como vender sonhos: conta para todos, mais de uma vez, como descobriu Madonna.

E suas mentiras, ou apenas o jeito malandro de ser, terminam por salvá-lo: trata-se de mais um filme sobre a infiltração da cultura ocidental no Oriente, ou, mais ainda, sobre como tudo termina (sempre) com a afirmação do poder dessa indústria cultural.

O diretor Levinson volta a passear por terreno que conhece. Em seu primeiro filme, o extraordinário Quando os Jovens se Tornam Adultos, as personagens personificam a cultura norte-americana, os receios adolescentes, as transformações.

Mais tarde, com Rain Man, um belo aproveitador (Tom Cruise) descobre que o pai deixou a herança para um irmão que ele não sabia ter, autista, vivido na medida por Dustin Hoffman. Para ganhar algo, ele logo utiliza o irmão – com incrível dom para cálculos – para faturar alto nos cassinos de Las Vegas.

Com os americanos no Oriente Médio, Levinson realiza Mera Coincidência, sobre como Hollywood inventou uma guerra para encobrir um escândalo sexual. Rock em Cabul retoma o poder do espetáculo.

O ponto baixo de seu novo filme é apostar no potencial salvador da cultura americana. Não demora nada para os afegãos – da aldeia perdida no deserto – transformarem-se em “gente do bem”. A mudança de Richie é a consequência, prova de que Murray funciona melhor como anti-herói beberrão, malandro, não como o salvador da pátria.

(Rock the Kasbah, Barry Levinson, 2015)

Nota: ★★☆☆☆

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