Nossa Irmã Mais Nova, de Hirokazu Kore-eda

A irmã mais nova faz com que as outras pensem no melhor e no pior da família: traz à lembrança o rompimento do pai com a mãe, sua saída de casa. Ainda assim, ela será levada a viver com as mais velhas em Nossa Irmã Mais Nova.

É a meia-irmã, vista pelas outras como “acidente”. No cinema de Hirokazu Kore-eda, tais questões ficam ao fundo, implícitas, à espera do entendimento do público. Paira o drama leve, às vezes a comédia.

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O diretor confronta situações de dor e mudanças com leveza. O plano final expõe o contraponto: as irmãs caminham pela areia do mar, com roupas pretas, após saírem de um velório. O momento é de luto. A imagem é de esperança, de continuidade.

As irmãs convivem bem. Mesmo com algumas brigas, mostram grande sintonia. A irmã mais nova vai viver com as outras quando o pai morre. Ele havia deixado a primeira família para viver com outra mulher e, mais tarde, casou-se com uma terceira. Tinha fama de mulherengo e, entre as filhas, é recordado como bom pai.

Esse meio é composto de pequenos prazeres e belezas, como o encanto da menina mais nova pelo licor de ameixa feito pelas outras irmãs e por quase todas as comidas que lhe servem. Em outros momentos, o diretor expõe o instante em que todas decoram a casa, ou quando preparam seus quimonos para uma noite de fogos.

O tratamento dado aos conflitos familiares e cotidianos leva alguns críticos a comparar esse cinema ao do mestre Yasujiro Ozu. Como Kore-eda, Ozu dilui situações extremas – como doenças, separações, desentendimentos – no retrato cotidiano de famílias de classe média que ainda lutam para manter suas tradições.

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Em Ninguém Pode Saber, Kore-eda mostra a convivência de três irmãos que tentam esconder a ausência da mãe. Depois, em O que Eu Mais Desejo, um garoto tenta reencontrar o pequeno irmão. No belo Pais e Filhos, duas crianças são trocadas na maternidade e, anos depois, os pais descobrem o problema.

Como aponta um dos títulos mais famosos de Ozu, a rotina tem seu encanto. E o espectador é premiado com a aparência de que tudo segue como sempre foi, com pessoas fazendo sempre as mesmas coisas: celebrando a vida e as felizes repetições.

Uma das irmãs, a certa altura, questiona as intenções de Deus, sua própria existência. Na companhia de um rapaz, encara o oceano, o mesmo que servirá ao plano final, à caminhada singela das meninas enquanto tentam não molhar os pés.

Nota: ★★★☆☆

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