As Sufragistas, de Sarah Gavron

A primeira reação à vidraça quebrada, ou a qualquer ação de mulheres contra homens, é recebida com susto pela protagonista de As Sufragistas, Maud Watts (Carey Mulligan). Mais tarde, ela envolve-se com o movimento, mas ainda tem medo de se assumir.

Sua mudança é cada vez maior. Logo consegue confrontar a polícia, em interrogatório, e dizer o que pensa sem medo. Na Inglaterra dos anos 1910, mulheres foram presas, perderam a família e o emprego na luta pelo direito ao voto. É o caso de Maud.

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Magra, de rosto sofrido, Mulligan é talentosa. Sua caracterização é forte sem dispensar momentos de fragilidade. Tenta conter o drama a todo o momento, ainda que o filme siga caminho oposto: a causa das mulheres, as sufragistas, é maior que a heroína.

À primeira vista não parece ser assim: todos os problemas são lançados ao espectador pela ótica da moça, à medida que ela embrenha-se no grupo. Por outro lado, o filme não deixa ver contradições entre as mulheres. Nutre-se tanto da causa, da propaganda, que torna Maud uma peça não raro amável, um canal para sua mensagem.

Os homens, claro, são sempre malvados. Às vezes eles confundem, como é o caso do marido de Maud, que passa de sereno a carrasco rapidamente – de cabeça baixa, quase sempre com dificuldade para encarar a mulher quando esta adere aos protestos.

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Não se trata de condenar a causa. Tampouco de condenar um filme que sai em sua defesa. O pecado do trabalho de Sarah Gavron, com roteiro de Abi Morgan, está na maneira esquemática como divide personagens e expõe situações.

Os homens, ranzinzas e frios, tramam em salas fechadas os planos para abafar o movimento feminino. Elas, escondidas, pensam em como resistir, em ações que incluem explodir caixas de correio e mais tarde a casa de um homem poderoso.

O amargor, ao fim, é abafado. O filme prefere a mensagem de que tudo ficará bem. Tenta fazer o público engolir, à força, a paixão dessas mulheres, ainda que seja estéril.

Nota: ★★☆☆☆

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