Bastidores: Cabaret

Não é sempre que se vê um musical tratando de assuntos assim tão sérios e é mais raro ainda que os trate com o rigor de Cabaret. Num certo sentido, muita coisa que Visconti queria dizer (e que aparecia confundida pelo fatal viscontiano) em Os Deuses Malditos, aflora com força de excelência no trabalho de Bob Fosse. Há diferenças, claro, mas Fosse, como Visconti, procura mostrar o nazismo como extensão da degenerescência patológica da alma alemã, não recuando ante a amostragem de homossexualismo, corrupção e decadência. Só que, enquanto Visconti via o tema da perspectiva da intriga palaciana (os deuses no seu Olimpo amaldiçoado), Bob Fosse mostra o surgimento do nazismo do ponto-de-vista do homem comum, filmando os sonhos desfeitos e a dura luta dos personagens.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, no jornal Folha da Manhã (11 de outubro de 1972). A crítica foi reproduzida no livro Um Sonho de Cinema (Editora da Unisc; pgs. 103 e 104). Abaixo, a atriz Liza Minnelli com o diretor Bob Fosse.

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