Seis bons filmes recentes sobre ditadura militar

Ditaduras em diferentes países da América Latina são relembradas em filmes poderosos. As narrativas, no entanto, fogem ao esperado: não estão em cena o embate físico, a tortura, as ações clandestinas e outras práticas conhecidas. As obras abaixo – do Brasil, Argentina e Chile – preferem temas como a infância, a memória, a libertinagem, a família e até mesmo uma campanha publicitária com boas doses de graça.

Infância Clandestina, de Benjamín Ávila

Essa produção argentina foi comparada, na ocasião de seu lançamento, ao brasileiro O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. Tratam de assuntos semelhantes: os efeitos da ditadura na vida de dois garotos com pais envolvidos na luta armada. O protagonista, Juan (Teo Gutiérrez Moreno), vive esse tempo de apreensão enquanto descobre o mundo adulto e suas agruras.

infância clandestina

A Memória que me Contam, de Lúcia Murat

Já no período democrático, com a esquerda no poder, um grupo de amigos, no Brasil, encontra-se quando um deles está no hospital, à beira da morte. Mesmo antes de morrer, Ana (Simone Spoladore) torna-se um espírito questionador entre todos: é a imagem da liberdade, da revolta jovem dos anos de chumbo, contraponto ao hospital monocromático, de corredores escuros.

a memória que me contam

No, de Pablo Larraín

Situa-se nos momentos finais da ditadura de Pinochet, no Chile, quando alguns comunicadores – entre eles René Saavedra (Gael García Bernal) – unem-se para derrubar o velho sistema. Utilizam uma arma comum a eleições de regimes democráticos: a propaganda. Nasce assim a campanha pelo “não” (pelo “no”), que envolve boas doses de criatividade.

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Cara ou Coroa, de Ugo Giorgetti

É curiosa a nostalgia que move o olhar de Giorgetti, mostrando como os tempos de chumbo davam vez também a aventuras amorosas e artísticas. Ao olhar esse passado amargo, o cronista paulistano revela histórias deliciosas, entre elas a da garota Lilian (Julia Ianina), neta de um general (Walmor Chagas) e que acaba escondendo dois guerrilheiros no porão de casa.

cara ou coroa

Tatuagem, de Hilton Lacerda

O contraponto ao militarismo é a libertinagem de um grupo de artistas de cabaré. Na bela obra de Lacerda, quase tudo está à margem, a começar pelas personagens. E ao centro surge o desejo do soldado Fininha (Jesuíta Barbosa) pelo homem à frente do cabaré, Clécio (Irandhir Santos), ao visitar o local e sentir atração. O abismo está exposto, com dois países em um só.

tatuagem

O Clã, de Pablo Trapero

Mesmo com o fim da ditadura, algumas de suas práticas resistiram entre a sociedade argentina. Podem ser vistas na família Puccio. O líder do clã (Guillermo Francella) arrasta um dos filhos ao trabalho inglório: passa a sequestrar homens ricos e seus familiares para conseguir boas quantias de dinheiro. Os crimes são descobertos à medida que a família destrói-se.

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