Um Homem, Uma Mulher, 50 anos

Meus primeiros filmes não tinham funcionado e o último deles, Les Grands Moments, não encontrava distribuidor. Eu estava à beira da falência, com vontade de desaparecer. Quando eu não estou bem, eu pego meu carro e saio por aí, a esmo. E numa noite, após uma projeção desastrosa de Les Grands…, saí correndo, sem saber para onde ir, dizendo para mim mesmo que se eu sofresse um acidente, não seria tão grave. Cheguei a Deauville, em plena madrugada, estacionei o carro à margem da praia, e dormi. De manhã, o sol acordou-me. Abri os olhos e a luz era esplêndida. Aí, avistei uma mulher que andava pela praia, na maré baixa, acompanhada de um menino e de um cachorro que se espreguiçava. A imagem era fantástica. Tentei me aproximar dela, perguntando a mim mesmo o que ela fazia ali tão cedo. Conforme me aproximava, surgiam em mim ideias acerca do que ela fazia. Mas não consegui alcançá-la. Não importava: ali, vida e criação se misturaram e o projeto Un Homme Et Une Femme nasceu naquele segundo.

Claude Lelouch, cineasta, sobre a criação de Um Homem, Uma Mulher, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo (Caderno 2, 6 de junho de 2016; pg. C1; leia aqui a entrevista completa). Abaixo, o casal do filme, Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée.

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