Os filmes de Apichatpong Weerasethakul

Importante dizer, para começar, que se trata de cinema sensorial. Nem sempre – ou nunca – para ser entendido segundo a busca comum do espectador, sobretudo o ocidental: tentar explicar um filme em todos os seus detalhes, em cada golpe de sua trama. É cinema para sentir, no qual homens, natureza e espírito podem conviver em um mesmo espaço, às vezes de maneira natural.

Figura presente em grandes festivais do mundo, o cineasta tailandês recebe o apelido de Joe, mais fácil de falar. Suas obras questionam, não fazem concessões. Abaixo, as principais realizações de um artista ainda com muito a oferecer.

Eternamente Sua (2002)

Um rapaz com problemas na pele e uma garota cansada de seu trabalho saem em uma viagem ao desconhecido, ao interior da floresta, e passam ali alguns momentos de intimidade. Em paralelo, uma mulher faz sexo com um homem. Deixada na mesma floresta, ela encontra os jovens. O cineasta relata uma história de fuga e transformação.

blissfully yours

Mal dos Trópicos (2004)

Há duas histórias: a primeira sobre a relação entre dois homens, feita com extrema naturalidade; a segunda sobre a imersão de um deles na floresta – tema comum na obra do diretor –, com algumas imagens que retornariam em Tio Boonmee. Para o diretor, o soldado torna-se um animal adestrado. Mais tarde, o homem retorna à selvageria.

mal dos trópicos

Síndromes e um Século (2006)

Nos filmes de Weerasethakul, é comum a ponte entre hospitais e florestas. A certa altura, como se veria mais tarde em Cemitério do Esplendor, quase não há limite entre os lados. E seus filmes dão vez, mais e mais, às relações entre carne e espírito. Aqui, um dentista acredita que um monge é a reencarnação de seu irmão.

sindromes e um século

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010)

Os primeiros minutos dão ideia do que vem pela frente: seres estranhos, de olhos vermelhos, surgem em meio à selva. Não são humanos. À frente, o espectador descobre que são espíritos da floresta nessa obra extraordinária, ganhadora da Palma de Ouro em Cannes, na qual um homem, o tio do título, está à beira da morte, em casa afastada.

aatio boonmee

Hotel Mekong (2012)

Um dos trabalhos radicais do cineasta, com a câmera quase sempre imóvel. A aparência às vezes é precária. O filme, um pouco escuro demais. E nem sempre é possível saber – mais que em outros de seus trabalhos – suas intenções. No hotel à beira do rio Mekong, histórias reais mesclam-se à presença de vampiros e espíritos.

mekong hotel

Cemitério do Esplendor (2015)

Luzes neon cercam as camas de um hospital improvisado, ao lado de homens que adormecem, entre vida e morte. Outra obra grandiosa de Weerasethakul, sobre a relação entre homens e espíritos, com ecos de guerras passadas e recentes. São as mulheres, aqui, que cuidam dos homens, que mantêm contato com outro mundo possível.

cemitério do esplendor

Veja também:
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2 comentários

  1. “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” esteve em cartaz num canal por assinatura até há pouco. Acho que o Telecine Cult. Salvo engano, foi exibido apenas uma vez. Como diria o meu sogro, “é filme para filho legítimo” e, certamente, entrou como corpo estranho, provavelmente por descuido do programador. Ainda não o vi. Tenho-o no computador e aproveitarei o ensejo para programa-lo. e dobradinha com “Mal dos trópicos”.

    José Eugenio Guimarães.

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