Horror em Amityville, de Stuart Rosenberg

O pai esconde-se atrás da barba avolumada, do ar um pouco selvagem. Seu olhar profundo não deixa saber o que quer, e às vezes o público perde-se tentando entender se o efeito deve-se à limitação do ator ou à necessidade de uma composição ambígua.

Não chega a ser um problema em Horror em Amityville. Se nele resta dúvida, no papel da mulher não há qualquer problema: Margot Kidder é a mãe mais jovem do que parece, com saia xadrez, perturbada pelos fenômenos estranhos de sua nova casa.

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O filme de Stuart Rosenberg repete algumas fórmulas: mistura um pouco de O Exorcista (nos rostos que levam ao filme de gênero, na explosão do medo nas personagens) com Psicose (sobretudo na trilha de Lalo Schifrin).

A casa na qual passa a viver a família Lutz foi palco de um assassinato no passado. Um ano antes de se mudar para lá, um homem matou a tiros seu pai, sua mãe e seus irmãos enquanto dormiam. Um espírito, ou mais de um, ainda continua por lá.

Esse espírito leva a acontecimentos estranhos: a certa altura, moscas ocupam um dos quartos enquanto o padre, sozinho, tenta escapar; mais tarde, o lodo do porão passa a sair pelo vaso sanitário, sinal de que a sujeira antes escondida será revelada.

Vêm à frente situações esperadas: portas que rangem, que estouram sozinhas, janelas que caem sobre a mão das vítimas, além de cadeiras que se movem.

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Do lado de fora, a casa parece ter vida: suas janelas simulam grandes olhos. Esses espaços ganham luzes, e mais tarde a casa será tingida de vermelho pela câmera. Rosenberg prefere o exagero, a obviedade, enquanto alguns detalhes – como as folhas vermelhas da árvore – já dariam conta da representação do sangue.

Mesmo perturbado, às vezes fora de controle, George (James Brolin) ainda busca forças para se livrar dos espíritos e salvar sua família. Kathy (Kidder) demora a agir. Ao fim, descobre algo misterioso, enigma que certamente deixará perguntas ao espectador.

Horror em Amityville abre espaço ainda para personagens secundárias, novas tentativas de causar medo e que nem sempre funcionam. É o caso do padre vivido pelo veterano Rod Steiger, atacado mais de uma vez pelo espírito perseguidor.

A igreja não consegue salvar seus fiéis. O padre termina paralisado, sem visão. A família terá de encontrar meios próprios para se sobreviver. A dor desses seres artificiais nunca chega a atingir o espectador. Há pouco mais que gritos e correria.

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Bastidores: O Bebê de Rosemary

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