Descoberta sexual

A primeira vez que eu fui ao cinema, com sete, oito anos, fui com um grupo de meninos. É o que eu me lembro. Sentamos numa fileira, me lembro de uma cena em branco e preto de uma mulher que corre pelos médanos de areia, com um vestido com grande cinto preto, uma blusinha justa, os seios bem empinadinhos, bem biquinho, como era o charme na época, o ano era 1953 e um grupo de meninos dentro de um carro conversível seguia ela com uma superlanterna. Era uma cena de altíssima energia sexual essa perseguição, praticamente uma curra para a moral da época e para as nossas sensações. Se mostrar isso para um menino de sete anos hoje, ele dá risada. Mas senti que alguma coisa estranha estava acontecendo comigo e meus amigos, que eram maiores, estavam se masturbando. Aí eu não me lembro de mais nada. Ou melhor, me lembro lavando as mãos no banheiro. Obviamente foi a primeira vez que eu tive uma relação sexual. Tive tesão naquela mulher. Eu queria ser aquela lanterna. Eu queria possuir aquilo. Esse desejo, acho, é o que me motiva até hoje a querer continuar fazendo cinema. Começou lá trás, quero acreditar, sei lá. Pelo menos é a desculpa que eu me dou.

Hector Babenco, cineasta, em entrevista à revista Sax (edição 27; pg. 54; leia aqui a entrevista na íntegra). Abaixo, uma cena de O Passado, filme de Babenco de 2007.

o passado

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