Os heróis continuam infantis

Há quem diga que a ideia de colocar heróis contra heróis, em filmes recentes, teria levado algumas produções a outro patamar. Mas o esforço ainda passa longe de substancial, como se vê em Batman vs Superman e Capitão América: Guerra Civil.

Controlados por forças governamentais, esses heróis questionam a utilidade e o perigo de seus próprios poderes. Ou algo assim: seria o mal do mundo consequência dos poderes que chegam com os próprios heróis, seja por meio da tecnologia avançada ou de seres de outro planeta?

batman vs superman

Vale pensar no Homem de Ferro ou no Superman. A tecnologia criada por Tony Stark passa a ser um problema, como se vê em Vingadores: Era de Ultron, além da presença dos vilões do planeta de Superman, que retornam em O Homem de Aço.

Batman, como o Homem de Ferro, nunca deixou de ser humano. Mas, como o outro, também questionará o uso desses poderes. Em seu caso, os poderes do Superman, que, acredita, devem ser controlados, sobretudo porque são incompreendidos.

Com a entrada desse desejo de controle entram também as figuras do governo. Por consequência, os filmes assumem tons políticos. Isso já podia ser visto em Capitão América 2: O Soldado Invernal. Estava lá, como vilão, o imponente Robert Redford, para lembrar filmes americanos dos anos 70 banhados em paranoia.

Não por acaso, Capitão América: Guerra Civil começa justamente em 1991, ano que a União Soviética desintegra-se. O Soldado Invernal, então em poder dos soviéticos, é enviado a uma missão. Tal trabalho será o ponto de partida para problemas futuros, a colocar o Capitão América, ao fim, contra seu parceiro Homem de Ferro.

capitão america guerra civil

Em linhas gerais, o novo jogo chama a atenção: estaria o público descontente com velhas tramas calcadas em vilões caricatos e disposto a encontrar algo mais profundo nesses heróis, a ponto de perder aquilo que os definem heróis de verdade?

Ainda que possível, resta aos filmes o bom e velho esquema sobre o qual foram assentados: o que move as personagens continua ser o mesmo instinto heroico, apaixonado, de fazer o bem, acompanhado pelas piadas de sempre, mesmo quando estão prestes a se confrontar. Alguns momentos não passam de brincadeira.

Os filmes não avançam. Possíveis mudanças são apenas intenções. Os heróis – e seria ingenuidade esperar mais que isso – seguem infantilizados, em um mundo à parte, simbolizados pelo certinho loiro de olhos claros Chris Evans. Ou pelo milionário Stark de Robert Downey Jr., que nada tem de politicamente incorreto. Ao contrário.

Veja também:
Batman vs Superman: A Origem da Justiça, de Zack Snyder

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