O terror do isolamento

O isolamento é fundamental em A Bruxa, de Robert Eggers. Passado na Nova Inglaterra, no século 17, o filme mostra situações que envolvem bruxaria e ocultismo em uma família isolada, depois de expulsa de uma comunidade religiosa.

Ao lado da casa em que vive a família – o homem, sua mulher e os quatro filhos – está uma floresta. Ali, o espectador é encurralado a todo o momento. Não há sol. Crianças desaparecem, surgem espíritos, talvez uma bruxa circule pelo ambiente.

o iluminado

O isolamento casado ao terror foi explorado outras vezes. Logo vem à mente O Iluminado, de Stanley Kubrick, que, apesar de situado em época diferente, guarda semelhanças com o longa-metragem de estreia de Eggers.

Uma família também é cercada por acontecimentos sobrenaturais no filme de Kubrick. A atmosfera de novo remete à solidão, ao gigantismo dos ambientes contra a pequenez das pessoas. Se em A Bruxa existe a floresta, em O Iluminado há o labirinto.

A ideia é representada na imagem, ainda no início, da mãe (Shelley Duvall) que segue ao labirinto com o filho pequeno, enquanto o pai (Jack Nicholson) parece capaz de enxergar o movimento de ambos através de uma maquete. As vítimas tornam-se ainda menores, peças do tabuleiro.

No interior, outra representação: com suas várias portas, salas, saguão e demais cômodos, o próprio hotel servirá de labirinto. Pelos corredores, o garoto anda com o triciclo enquanto a câmera de Kubrick acompanha-o, plano-sequência em que, mesmo com movimento constante, o menino parece não sair do lugar.

a bruxa

A mãe retorna ao exterior do hotel, ao fim, quando precisa escapar do marido: consegue fugir pela janela e volta ao labirinto. A neve torna o isolamento ainda maior. Com vento e pouca luz, esse mesmo universo assume nova forma.

A família de A Bruxa também fracassa ao tentar escapar. Existe uma bruxa naquela floresta ou se trata da visão das personagens, que enxergam os próprios temores? Em O Iluminado, a personagem de Nicholson é tomada por espíritos ou pela loucura?

Impossível não repensar o filme inteiro, ao fim, quando se encontra a velha foto – a versão de que o escritor (Nicholson) teria estado ali, no passado, em uma festa.

A Bruxa deixa outras perguntas: ao se entregar à floresta, ao fim, a garota teria aceitado sua condição de “bruxa”, alguém a “desviar” os outros? Como no de Kubrick, no filme de Eggers há mais a esconder do que a mostrar.

Veja também:
Bastidores: O Iluminado
A Bruxa, de Robert Eggers

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