Seis grandes cineastas inspirados por Federico Fellini

Os grandes cineastas vão além de suas próprias obras: eles seguem vivos nas obras dos outros. Alguém com uma filmografia rica como a de Federico Fellini, dono de um estilo particular, inegável autor, produziu inúmeros adoradores e imitadores. Basta um pequeno detalhe para alguém apontar o efeito “felliniano”.

Os traços de Fellini são conhecidos: as personagens exageradas, as mulheres gordas, as figuras circenses, os mestres de cerimônia, os sonhos, a vida como espetáculo etc. Os cineastas abaixo retiram não tudo, mas algumas características do mestre. Alguns deles, em homenagem, não esconderam a adoração e são aqui lembrados.

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Bob Fosse

Em sua primeira experiência como diretor de cinema, em Charity, Meu Amor (abaixo), Fosse levou Noites de Cabíria a Hollywood, em versão musical, com Shirley MacLaine em papel que havia sido de Giulietta Masina. É sobre a trajetória da sonhadora prostituta que pode ter encontrado o amor de sua vida, que confia demais nas pessoas.

Com sua forma propositalmente fora do lugar, não é difícil encontrar em Cabaret, de 1972, um pouco de Fellini. O mestre de cerimônias de Joel Grey, como as mulheres assimétricas do palco, tem toques fellinianos em excesso. E depois, em 1979, Fosse assume o mergulho na fonte felliniana: com O Show Deve Continuar, faz seu Oito e Meio, sobre um diretor da Broadway tendo de lidar com muitas mulheres, com a companheira oficial, com os produtores, com o novo espetáculo – enfim, com a vida.

abcharity meu amor

Lina Wertmüller

A cineasta italiana foi assistente de Fellini em Oito e Meio e, como Fosse, esculpiu figures exageradas, falastronas, tipicamente fellinianas. O resultado pode ser visto em diferentes sucessos, como Mimi, o Metalúrgico ou mesmo no ótimo Amor e Anarquia.

Mas foi com Pasqualino Sete Belezas (abaixo), de 1975, que a forma do mestre ficou evidente: a personagem covarde, Pasqualino (Giancarlo Giannini), não consegue lidar com as irmãs enquanto finge valentia. São suas lembranças, enquanto tenta sobreviver após ser preso em um campo de concentração, enquanto finge seduzir a grande líder do local.

pasqualino sete belezas

Woody Allen

O cômico americano nunca escondeu ser fã de Fellini. Em mais de um filme, fez declarações de amor evidentes, às vezes até chamadas de cópias. Isso é claro, primeiro, em Memórias, de 1980, quase uma refilmagem de Oito e Meio. Depois, com Celebridades (abaixo), de novo em preto e branco, seu alvo é A Doce Vida.

As semelhanças são gritantes: em cena, Allen elege Kenneth Branagh como o jornalista Lee Simon, cuja profissão – como a de Marcello Mastroianni – serve de porta de entrada ao mundo das celebridades, próximo dos paparazzi (termo cunhado na obra de Fellini) e em festas em que arte e vazio quase sempre se confundem. O universo felliniano pode ser visto, em doses menores, também em outros filmes de Allen.

celebridades

Terry Gilliam

Vários filmes de Gilliam trazem um universo delirante, à beira do teatral, ligado ao sonho. O diretor já declarou se inspirar em Fellini. Essa fonte pode ser vista em obras variadas como As Aventuras do Barão de Münchausen, Medo e Delírio e até mesmo em O Pescador de Ilusões (abaixo), com Robin Williams e Jeff Bridges.

Os closes explosivos, as personagens malucas, o circo deformado de Medo e Delírio, ou a estação que se torna parte de um sonho, com dança, em O Pescador de Ilusões. Mesmo com sua forma particular, há interferências do genial italiano por ali.

o pescador de ilusões

Paolo Sorrentino

A ligação evidente, claro, está em A Grande Beleza (abaixo). Seria, como alguns afirmaram à época do lançamento, outra releitura de A Doce Vida. Faz sentido, já que ambos falam da sociedade italiana ao mesmo tempo bela e podre, com personagens centrais desiludidas, entre festas, gente rica, em mil e uma excentricidades.

Sorrentino rejeita o naturalismo. Algumas de suas personagens chegam ao grotesco, como o político ao centro de Il Divo, Giulio Andreotti, também vivido por Toni Servillo, o perfeito Jep Gambardella de A Grande Beleza.

grande beleza

Wes Anderson

A associação a Fellini pode parecer estranha. Após o curta Castello Cavalcanti (abaixo), de 2013, essa dúvida passou. O trabalho de sete minutos leva claramente ao universo felliniano, àquela pequena cidade italiana, de gente pacata, de senhores fãs de carteado, de meninos curiosos como os de Amarcord, sobre a infância de Fellini.

Em outros filmes como Moonrise Kingdom ou A Vida Marinha com Steve Zissou, é interessante observar como Anderson movimenta a câmera em direção às personagens como Fellini fazia, com a intenção de salientar uma frase estranha, até banal. Como algumas das melhores personagens do mestre, as de Anderson são cômicas por natureza.

castello cavalcanti

Veja também:
Bastidores: Amarcord

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