Geração Prozac, de Erik Skjoldbjærg

O caos vivido pela personagem não é reproduzido em imagens. São dois polos opostos em Geração Prozac, de Erik Skjoldbjærg. De um lado, a menina que se debate, depressiva, sem caminho; de outro, um filme com visual de seriado cômico americano.

Das duas partes indissociáveis sai um produto desagradável. Sem visual forte, a exemplo de outros filmes sobre depressão e drogas, não resta mais que um exercício passageiro a abordar os problemas da juventude, ainda que não seja só isso.

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Passa-se nos anos 80. A menina que representa sua geração é Elizabeth (Christina Ricci), inteligente, que sonha em ser escritora. Acaba de ganhar uma bolsa em Harvard para estudar jornalismo. Escreve sobre música e, logo depois, é convidada a colaborar com a revista Rolling Stone. Tudo aponta ao sucesso.

Os problemas dela são anteriores, ligados à infância. Tem um pai ausente, uma mãe presente demais. Essa estranha mistura que não gera equilíbrio deixa a garota sem rumo: sem ambos, pai e mãe, ela passa a buscar um refúgio na vida estudantil.

Logo surgem festas, amigos, casos amorosos, ou apenas companhias passageiras. Ainda que pareça experiente, Elizabeth não sabe muito sobre o mundo verdadeiro: confessa, para a incredulidade inicial de sua colega de quarto (Michelle Williams), que acabou de perder a virgindade – com um rapaz que conheceu na noite anterior.

Algumas atitudes de Elizabeth não combinam com outras, seguintes. Ao reencontrar o pai, a menina entra em parafuso: fica dias sem dormir, cheira mal, em busca da inspiração para escrever um artigo sobre música, inspiração que não chega.

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Termina no hospital, onde conhece uma médica. Certo dia, após sessões de terapia, a especialista receita-lhe Prozac. Sob seus efeitos, Elizabeth torna-se mais controlada, convive melhor com os outros, mas questiona a validade do medicamento: crê que não pode ser a pessoa que deseja ser com ou sem a droga.

A geração à qual se refere é a sua, limitada ao uso do medicamento para “se resolver”, para sobreviver aos picos constantes de depressão. O filme não chega a ser uma denúncia contundente a essa sociedade dopada, em busca do bem-estar.

Como um colega da universidade, Jonathan Rhys Meyers oferece o rosto da perdição, da facilidade, ao mesmo tempo distante – como fez em Velvet Goldmine. Em contraponto está o protagonista da série American Pie, Jason Biggs, sempre com cara de bom moço. Nesses polos, entre um bom filme sobre a cena glam rock e uma comédia americana desmiolada, encontram-se algumas das misturas de Geração Prozac.

Na pele da protagonista, Ricci não dá conta de tantas transformações, tantos altos e baixos. Termina não muito diferente do início: é ainda a adolescente em busca de respostas, a viver em seu próprio labirinto, em busca de palavras.

Nota: ★★☆☆☆

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