Três visões sobre o Oscar (e sobre o mundo do cinema)

(…) o Oscar é um prêmio, não necessariamente justo, mas honesto. Basicamente ele reflete o que naquele momento está pensando um grupo de pessoas, isto é, os sócios da Academia, que formam uma espécie de elite que representa a Indústria do Cinema. Por isso, seus critérios não são os mesmos dos críticos e do público. São basicamente um clube fechado (como um desses “country clubs”, onde você não pode se candidatar a entrar de sócio, tem de ser convidado por eles). Eles têm, portanto, suas manias, seus preconceitos, seus hábitos.

Rubens Ewald Filho, crítico de cinema, em O Oscar e Eu (Companhia Editora Nacional; pg. 14).

Orson não está inteiramente desprovido de razão ao rejeitar o Oscar que dividiu com [Herman J.] Mankiewicz – foi quase um insulto. Os prêmios da Academia são sabiamente influenciados pelo sentimento. Welles era o forasteiro, além do mais um forasteiro bem pouco humilde a quem se pudesse generosamente sancionar. Inveja, ciúme, medo, o que seja – a maioria em Hollywood não gostava dele. Em cada uma das categorias, o prêmio foi para alguém de dentro.

Peter Bogdanovich, crítico e cineasta, em Este é Orson Welles (Editora Globo; pg. 136), ao comentar a vitória do roteiro de Cidadão Kane na edição do Oscar de 1942. Vale lembrar que os créditos desse roteiro foram motivo de debate. A conceituada crítica Pauline Kael, em seu lendário ensaio Criando Kane, dava a Mankiewicz todos os créditos do roteiro. Mais tarde, Bogdanovich saiu em defesa do sempre difícil Welles.

Como em todas as avaliações, inclusive na ciência, na literatura e até na paz, as injustiças e os equívocos, sobretudo a influência política ou ideológica, nem sempre distinguem os melhores ou os mais importantes.

Só no fim da vida, arrastando os pés e sem dar muita bola à cerimônia, Chaplin só ganhou o prêmio referente ao conjunto da obra, ao som de uma de suas músicas que até hoje é cantada em boates, festivais, casamentos e até nas igrejas.

Carlos Heitor Cony, escritor e colunista, no jornal Folha de S. Paulo (“O tapete vermelho”; 28 de fevereiro de 2016; leia texto completo aqui, para assinantes). Abaixo, Chaplin com seu Oscar.

charles chaplin

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