Os documentários indicados ao Oscar 2016

Documentário não é o gênero favorito do grande público. Não raro é confundido com jornalismo televisivo – o que não torna o dono da associação um completo equivocado. Independente da forma, é o gênero que deveria – e promete – entregar o “real”. Na grande tela, este talvez espante quem procura a “fuga”, a ficção.

O Oscar 2016 traz cinco ótimos documentários, em uma luta tão equilibrada quanto a da categoria principal. Os temas são variados, entre histórias de figuras conhecidas da música e a imersão em regimes políticos repressores e ditatoriais. Os cinco filmes não se limitam a respostas simples e figuras planas. Cinema de gente grande.

Amy, de Asif Kapadia

A trajetória de Amy Winehouse, com a subida meteórica, os prêmios, as inspirações. Também – em um roteiro já conhecido – a queda, com as possíveis más influências. O trabalho de Kapadia mostra o quanto Amy vivia em seu próprio universo, garota indecifrável e inegavelmente talentosa, com seus ídolos de cabeceira. A cineasta recorre a vídeos amadores e narrações de pessoas que viveram perto da cantora e presenciaram seu fim.

amy

Cartel Land, de Matthew Heineman

Retrato impactante, com vozes de todos os lados, da guerra das drogas na fronteira entre México e Estados Unidos. Demora pouco e o espectador percebe o pior: nessa terra de ninguém, governantes perderam o poder sobre as milícias mexicanas, que por sua vez contam com o apoio popular para enfrentar traficantes. Do lado americano a situação também assusta: alguns supostos soldados lutam para proteger suas terras de invasores.

cartel land

O Peso do Silêncio, de Joshua Oppenheimer

Mais de uma vez a câmera flagra o tempo. Nem todos os filmes apostam nessa estrutura. E tampouco qualquer espectador está determinado a embarcar nela. A disposição mostra-se necessária: mesmo tratando do massacre dos comunistas na Indonésia, à calmaria o documentário contrapõe relatos de violência. Com nova abordagem, Oppenheimer retorna ao tema do extraordinário O Ato de Matar, de 2012.

o peso do silêncio

What Happened, Miss Simone?, de Liz Garbus

Desde o título, o documentário sobre Nina Simone deixa questionamentos: a mulher frágil, espancada pelo marido e empresário, torna-se uma das principais vozes da luta pelos direitos civis, nos Estados Unidos dos anos 60. Como isso foi possível? A cantora e pianista cresceu em um país divido, no qual os negros tinham espaços reservados em locais públicos, no qual ela tinha de caminhar do lado “certo” dos trilhos do trem ao ir às aulas de piano.

what heppened miss simone

Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, de Evgeny Afineevsky

Os mais de 90 dias de luta da população ucraniana contra a polícia são retratados nesse documentário pulsante e humano. No final de 2013, um grupo de pessoas abriu um protesto contra a aproximação do então presidente Viktor F. Yanukovich à Rússia de Vladimir Putin, na contramão do anseio geral: a integração à União Europeia. Os levantes ganharam tamanho, geraram sangue e mudaram a história da Ucrânia.

Winter on Fire1

Veja também:
Procurando Sugar Man, de Malik Bendjelloul

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