Algumas questões sobre Abel Ferrara

Os filmes de Ferrara oferecem uma resposta. Quem poderia nos falar em nome da Justiça senão um criminoso melancólico (O Rei de Nova York [King of New York], 1990)? Quem nos faria acreditar um segundo sequer nas virtudes do perdão senão um policial paranóico (Vício Frenético [Bad Lieutenant], 1992)? Quem hoje em dia poderia suportar uma lição de moral se ela não fosse prodigada por um vampiro drogado e leproso (The Addiction, 1995)? Quem poderia nos manter interessados um instante sequer por essas velhas questões regressivas que são a família e o indivíduo? Quem poderia manter viva em nós uma crença desesperada na devoção e no amor senão essas figuras quase autistas, alucinadas e assombradas em filmes que cultivam as mais avançadas proposições referentes à necessidade de destruir todas as formas fílmicas?

Nicole Brenez, professora e escritora, no livro Abel Ferrara (texto reproduzido no catálogo da mostra Abel Ferra: a Religião da Intensidade, com organização de Ruy Gardnier, no Centro Cultural Banco do Brasil; pg. 43 e 44; leia e baixe o catálogo aqui). Abaixo, Christopher Walken no extraordinário O Rei de Nova York.

o rei de nova york

Veja também:
20 grandes filmes que abordam a religiosidade

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s