Joy: O Nome do Sucesso, de David O. Russell

A batalhadora Joy sempre quebra algumas coisas pelo caminho, enquanto procura um jeito de se dar bem. A boa ideia vem justamente em um desses acidentes, quando limpava o barco da namorada do pai, depois de algumas taças de vinho quebradas.

A ideia parece-lhe revolucionária: a criação de um esfregão eficiente e que evita que mulheres como ela – donas de casa – debrucem-se para enxugar e dobrar o pano mais tarde. Em Joy: O Nome do Sucesso, essa é a saída para o cineasta David O. Russell apresentar uma fatia da loucura americana, com a busca pelo sucesso.

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Não à toa, é uma comédia de personagens desesperadas, entre negócios rentáveis, fracassos, holofotes e voltas por cima – com gente às vezes lançada ao absurdo mas sempre querida, como em Jerry Maguire: A Grande Virada ou Melvin e Howard.

Desde o início, O. Russell diz ao espectador, sem rodeios, que se pode confiar nessa moça talhada à vitória, como garante a avó, o espírito que conta a história.

Ela projetou para a neta o caminho desejado, não o de outros membros da família: como no minúsculo reino sem príncipe, da ainda pequena Joy em seu castelo de papel, vê-se a menina, depois a mulher, destinada ao sucesso, ao sonho americano.

Tal sonho não sai barato e acompanha tropeços. Ele vem acompanhado de alguns pontos verdadeiros, quando a menina precisa vender seus produtos, ser chata de tão insistente, à medida que faz mais dívidas e lida com gente pouco confiável.

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À ideia do esfregão se junta a busca por financiamento. A nova namorada do pai (Isabella Rossellini), uma italiana endinheirada, torna-se a isca perfeita. E a protagonista, sob o olhar flamejante da outra, terá de provar a boa oportunidade.

Como em outros filmes de O. Russell, cada diálogo torna-se único: suas personagens explodem com facilidade, gritam por corredores, agem à beira da loucura no que parece normalidade e, segundo o criador, não sem um recado: é esta a verdadeira América.

Para fora do castelo de Joy, em sua vida adulta, em um conto de fadas permeado por tropeços da vida real, a moça aos poucos galga posições. Esforça-se, cai, esforça-se mais um pouco – sem que precise se corromper. Precisa parecer forte, não desistir.

Sua persistência – contra o falatório negativo do pai (Robert De Niro), contra a imobilidade da mãe (Virginia Madsen) e de outros ao redor – encontra em Jennifer Lawrence a figura perfeita para reter amargura, fúria, desejo reprimido.

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Russell joga até mesmo com a trapaça (sem trocadilho com seu filme anterior): a personagem, contra todas as expectativas, nunca chega a se corromper. Ao explodir em fúria, atravessa uma pequena cerca de madeira ao lado da oficina do pai, toma a arma de um homem e começa a atirar. Em sua face transborda excitação.

Pois para Joy, síntese do americano médio em busca de sucesso, o alívio não vem sem alguma carga de ação. Faz pensar na Annette Bening de Beleza Americana, sorrindo a cada novo tiro disparado com sua arma, em seu momento de lazer.

Entre toques reais e outros falsos, tem-se um filme interessante, no qual as quedas não anulam o sonho. Prova disso vem perto do fim: depois de tantos problemas, Joy ainda encontra prazer na vitrine de brinquedos natalinos, em meio às pequenas coisas da vida.

Nota: ★★★☆☆

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