Dez grandes erros do Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já errou muito. Em alguns casos, quem deveria ganhar ou não se torna parte de um debate, e sobram pontos de vista. Em outros, contudo, constata-se que algo de errado realmente ocorreu e quase ninguém tem dúvidas: o Oscar errou.

Para a lista abaixo, foram levadas em conta apenas obras que chegaram ao prêmio. A Academia esnobou grandes filmes em diferentes ocasiões, estes sequer indicados. Muitos diretores importantes foram legados à categoria de filme estrangeiro. À lista.

10) Melhor filme e diretor (John Ford) para Como Era Verde Meu Vale (1942)

Quem deveria vencer: Cidadão Kane e seu diretor, Orson Welles.

Talvez seja o erro mais conhecido e lembrado, pois houve uma campanha, à época, para que o filme de Orson Welles não ganhasse nada – já que sua obra-prima é baseada na vida de William Randolph Hearst. Ainda assim teve diversas indicações e saiu com o prêmio de roteiro.

como era verde meu vale

9) Melhor filme e diretor (Kevin Costner) para Dança com Lobos (1991)

Quem deveria vencer: Os Bons Companheiros e seu diretor, Martin Scorsese.

Em alguns momentos, o Oscar se deixa levar pela empolgação e concede todos os seus prêmios a um único filme. É o caso da obra de Kevin Costner, bela, mas inferior ao filme de máfia de Scorsese. Outra injustiça com o diretor ítalo-americano.

dança com lobos

8) Melhor filme e diretor (Tony Richardson) para As Aventuras de Tom Jones (1964)

Quem deveria vencer: Terra de um Sonho Distante e, como diretor, Elia Kazan (pelo mesmo filme) ou Federico Fellini por Oito e Meio.

Richardson fez alguns filmes importantes na Inglaterra, no movimento de renovação do cinema britânico, o free cinema. Contudo, coroá-lo melhor diretor por um filme hoje pouco lembrado foi um tremendo exagero. E o filme de Fellini ficou de fora da categoria principal.

albert finney & diane cilento - tom jones 1963

7) Melhor filme e diretor (John G. Avildsen) para Rocky – Um Lutador (1977)

Quem deveria vencer: qualquer um dos outros filmes concorrentes é melhor. Taxi Driver e Rede de Intrigas destacam-se entre eles; para diretor, Sidney Lumet

Stallone chegou a ser apontado, à época, como “novo Marlon Brando”. A história do boxeador fracassado que dá a volta por cima conquistou os Estados Unidos, mas era o pior dos cinco filmes indicados naquela ocasião. E rendeu várias continuações. Creed está aí para provar.

rocky

6) Melhor filme e diretor (Carol Reed) para Oliver! (1969)

Quem deveria vencer: Leão no Inverno e, na categoria de direção, Stanley Kubrick, por 2001: Uma Odisseia no Espaço, ou Gillo Pontecorvo, por A Batalha de Argel – duas obras-primas não indicadas para melhor filme.

O diretor britânico realizou o maravilhoso O Terceiro Homem e fez muito sucesso com o musical baseado na obra de Dickens. Na mesma época, pouca gente embarcou na ficção de Kubrick ou no filme político com toques documentais de Pontecorvo.

oliver

5) Melhor filme e ator (Russell Crowe) para Gladiador (2001)

Quem deveria vencer: O Tigre e o Dragão ou Traffic; como ator, Tom Hanks em Náufrago e Javier Bardem em Antes do Anoitecer estão superiores.

Teve gente que comparou o épico de Ridley Scott a Spartacus. Exageros em massa: o filme não tem o brilho dos dois competidores citados. É pouco mais que uma aventura previsível. E Scott prova, com o também fraco Perdido em Marte, que a Academia gosta dele.

gladiador

4) Melhor filme e diretor (Robert Benton) para Kramer vs. Kramer (1980)

Quem deveria vencer: Apocalypse Now e seu diretor, Francis Ford Coppola.

Um ano depois de premiar um filme sobre o Vietnã, O Franco Atirador, talvez a Academia tenha achado demais dar a estatueta à obra-prima de Coppola (a quarta em apenas uma década). Tanta ousadia – e após alguns anos de produção e problemas – não coube no Oscar.

kramer vs kramer

3) Melhor filme para Crash – No Limite (2006)

Quem deveria vencer: O Segredo de Brokeback Mountain ou Boa Noite e Boa Sorte

Mais um caso em que a Academia premiou o pior entre os indicados à categoria principal, prova de que a politicagem corre solta em Hollywood (o que seria visto mais tarde, de novo, com a vitória de 12 Anos de Escravidão). O drama de Ang Lee ganhou os prêmios de roteiro e direção, curiosamente não o de melhor filme. Dá para entender?

crash

2) Melhor roteiro para Confidências à Meia-Noite (1960)

Quem deveria vencer: Os Incompreendidos, Intriga Internacional ou Morangos Silvestres.

Nem mesmo a Academia escapou à onda dos filmes dos queridinhos Rock Hudson e Doris Day. Logo o cinema americano passaria por mudanças: viria a contracultura, a Nova Hollywood. Poderiam ter premiado um Bergman ou um Truffaut. Preferiram o óbvio. Perdeu o cinema.

confidências à meia-noite

1) Melhor filme e diretor (Robert Redford) para Gente como a Gente

Quem deveria vencer: Touro Indomável e Martin Scorsese.

A maior vergonha da História do Oscar, quando um drama menor, família, sobre a chegada da classe média ao divã, abocanhou os prêmios da incontestável obra-prima de Martin Scorsese – cruel demais àquela América que buscava deixar o passado amargo para trás. Uma onda de dramas familiares – como Kramer vs. Kramer e Laços de Ternura – definiu a época.

gente como a gente

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9 comentários

  1. E quando o melhor filme (disparado, até por ser um dos top ten de todos os tempos) não é nem indicado ao Oscar? caso do sensacional Blade Runner, que recebeu duas indicações técnicas (e mesmo assim não levou nenhuma).

    1. O problema do Blade Runner foi aquela questão das versões alteradas pelo estúdio e etc.. O filme como o Ridley Scott queria só saiu de fato em 2007, sendo que teve uma versão antes um pouco mais fiel a visão original, sen narração em off e com um final próximo da ideia original.

      O Blade Runner como saiu no cinema na época é um filme sabotado. A versão do Scott é um dos melhores filmes do cinema americano.

  2. Outras injustiças:

    Gyneth Paltrow(Shakespeare Apaixonado) no lugar da Fernanda Montenegro(Central do Brasil) ou Catê Blanchet(Elizabeth).

    Denzel Washington (caricato e interpretando um papel racista em Dia de Treinamento) no lugar do Russel Crowe (excelente em Uma Mente Brilhante).

    Jennifer Lawrence (Lado Bom da Vida) no lugar de Emmanuelle Riva(Amor).

    A “não indicação” de Selma pra Diretora e ator.

    Enfim, a lista de injustiças do Oscar é enorme.

  3. Deram o prêmio para Denzel para compensar o fato dele não ter ganho ao interpretar de forma irretocável o pugilista Rubin “Hurricane” Carter. Eu não assisto a premiação do Oscar a mais de 10 anos, é a celebração do cinema americano…e só.

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