Frank, de Lenny Abrahamson

De rosto limpo, o jovem protagonista de Frank passa o filme inteiro em busca de sua narrativa. Aqui, esse caminho depende a criação de uma canção – para ele, difícil de ser encontrada, provavelmente impossível a certa altura.

Mais de uma vez, ele convoca os amigos da banda para mostrar o que pode ser a ideia de uma canção, ou apenas seu início. E os outros observam como aquilo não leva a nada, o que atesta o quanto Jon (Domhnall Gleeson) parece estar no caminho errado.

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Do outro lado há Frank, trancado em sua máscara, com outro rosto, e com grande facilidade para compor novas canções. É a inspiração para todos, também para Jon. Um dos integrantes da banda, a certa altura, lembra que só existe um Frank. É inimitável.

Pois enquanto parece ser qualquer um, ou ninguém, Frank (Michael Fassbender) é único. O filme de Lenny Abrahamson é sobre buscar um caminho, ser alguém. Jon, ao centro, tenta ser músico e talvez conquistar o sucesso.

Certo dia, ele é convidado a integrar uma banda de passagem pela pequena cidade. Deverá substituir o tecladista que tentou se suicidar. Outros da mesma banda já tentaram algo semelhante e voltarão a tentar. Atos loucos são um pouco normais.

Essa interessante comédia faz-se com atitudes inesperadas, com explosões de gente estranha, com ou sem máscaras. No filme de Abrahamson, todos parecem se esconder atrás de uma. Por outro lado, o mascarado Frank é mais sincero.

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Sua facilidade para criar novas canções o contrapõe a Jon. Pode ser mais livre, ou apenas teve coragem para assumir seu refúgio, sua dependência. Mais tarde, quando sua vida toma outro rumo, Frank declina: cai, enlouquece, não consegue cantar.

E enquanto Frank sofre ao se desviar, ao se render a um público, Jon precisa de números, das “curtidas” das redes sociais, de visualizações. São pessoas de mundos diferentes e que em algum momento se tocam. Expõem formas diferentes de lidar com o mundo moderno, com ou sem máscaras, capazes ou não de criar suas histórias.

Em boa parte do filme, Jon, Frank e o resto da banda estão em uma casa de campo. Ficam por ali para compor. Jon questiona-se por que o líder do grupo nunca tira sua máscara. Todos parecem ter uma opinião sobre essa forma de ser, e ela parece dar vez à mesma resposta: não existe um Frank fora da máscara redonda e feliz.

O garoto recém-chegado, por outro lado, ainda não encontrou sua identidade, ou simplesmente não conseguiu assumir que precisa de uma máscara para seguir vivendo. Por trás da comédia, há mais a encontrar nesse belo filme de desacertos.

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Ex-Machina: Instinto Artificial, de Alex Garland

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