David Bowie (1947–2016)

O filme O Homem que Caiu na Terra, estrelado de forma candente pelo David Bowie – que é bem melhor na tela do que cantando suas picaretagens eletrônicas – faz uma revelação surpreendente: que a tv foi instalada em nosso planeta por seres extraterrenos. E constata-se finalmente que o Walter Clark (até parece que o filme foi realizado em cima de sua vida) realmente não pertence à nossa espécie.

Hilton Libor, na coluna Informação, da Folha de S. Paulo, em julho de 1977.

Como se lê acima, Bowie é apenas o ponto de partida para a brincadeira do colunista. Bowie não inventou a televisão, não era um extraterrestre. Como dizem alguns, na ocasião de sua morte, não voltará ao espaço em uma nave espacial – e nunca saiu de lá, vale lembrar. Com a face coberta de glitter, em certa época, e com jeito gritante, natural que se tornasse marca.

Em O Homem que Caiu na Terra (foto abaixo), ele tem um papel especial: interpreta a si próprio. Coberto por maquiagem ou não, é gélido e às vezes confronta o espectador, como se retornasse sempre à mesma marca, o mesmo alienígena.

No filme de Nicolas Roeg, ou mais tarde em Fome de Viver, Bowie soava como mera pose, ou não mais que presença. O que não era necessariamente ruim. Suas participações ou pequenos papeis conferiam-lhe certa excentricidade. Exemplo disso é seu Pôncio Pilatos no polêmico A Última Tentação de Cristo. Podia ser qualquer um sem deixar de ser o mesmo alienígena sem sexo, brilhante e inesquecível.

o homem que caiu na terra

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