O Gato Preto, de Edgar G. Ulmer

O castelo em que vive a personagem de Boris Karloff tem traços modernos. É diferente de outros castelos, em outros filmes de terror dos anos 30. Em O Gato Preto, de Edgar G. Ulmer, essa é apenas uma entre várias características curiosas em seu decorrer.

Não por acaso, o filme às vezes beira a comédia, e reforça a velha premissa dos filmes de horror: em cena, como sempre, há o casal belo, engraçadinho, em contraponto os monstros, os falsos cavalheiros cheios de intenções sinistras.

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Ulmer conhecia bem o falso cavalheirismo. Ele foi da Europa para os Estados Unidos e escapou do nazismo, como Otto Preminger e Billy Wilder. Com o último, havia trabalhado no extraordinário Gente no Domingo, feito na Alemanha. Faria, mais tarde, o extraordinário noir Curva do Destino. Sua carreira seria marcada pelos filmes de baixo orçamento, sempre trabalhando à margem.

Sua forma de dirigir era peculiar. Às vezes pedia aos atores o que outros diretores não costumavam pedir. Em entrevista a Peter Bogdanovich, Ulmer conta que Karloff ficou incomodado com a cena em que deitava na cama ao lado da atriz que interpreta a filha de Bela Lugosi.

À época, pequenos filmes de Hollywood podiam reunir lendas. Karloff, o eterno monstro de Frankenstein, encontrava o ator que, pouco antes, interpretou Drácula. Duelo de gigantes.

À época, embalados pelos filmes de terror da Universal, figuras como Karloff e Lugosi eram propositalmente excêntricas, com maldade em tom frágil, quase sempre falso. Em uma sequência extraordinária, eles jogam xadrez e, pelo tabuleiro, decidem o destino da moça que acaba de chegar ao castelo em que residem.

As misturas incluem um ritual satânico, o gato preto que passa pelo ambiente e assusta Lugosi, uma história sobre guerra, sobre muitas mortes, também um ambiente no qual os corpos de belas mulheres são preservados – a partir da obra de Edgar Allan Poe.

Karloff interpreta um arquiteto, Lugosi um psiquiatra. O Gato Preto envolve prisão física e mental, homens perseguidos, pequenos escritores, ao mesmo tempo em que a beleza envolve a morte, escondendo-a constantemente.

(The Black Cat, Edgar G. Ulmer, 1934)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Quando Chega a Escuridão, de Kathryn Bigelow

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