Bastidores: Gilda

A Hollywood dos anos 40 era medrosa demais para se permitir qualquer ambiguidade moral, mas alguns fatos dão base à ideia de que pode haver um – como é mesmo a palavra? – “subtexto” maroto em Gilda. O roteiro foi obra de duas mulheres: Jo Eisinger, que fez o rascunho, e Marion Parsonnet, que lhe deu forma final. Foram elas que criaram Gilda como uma grande mulher e, de quebra, podem ter-se divertido inoculando dubiedades nos dois personagens masculinos. Você dirá que o diretor – Charles Vidor – era um homem. Mas, na política dos antigos estúdios, o verdadeiro autor de um filme era quase sempre o produtor executivo, com o diretor não passando de um funcionário subalterno. E o produtor de Gilda era, não por acaso, outra mulher: a poderosa Virginia Van Upp, protegida do patrão Harry Cohn e com carta branca na Columbia. Cohn era famoso pela burrice e, se Virginia quisesse contrabandear qualquer ideologia exótica para dentro do seu filme, ela o faria. A Cohn só interessava que Rita Hayworth, já com 28 anos, tivesse finalmente um papel que deixasse todo mundo salivando por ela.

Ruy Castro, em texto escrito em 1999 e incluído no livro Um Filme é Para Sempre (Companhia das Letras; pg 204. Organização de Heloísa Seixas). O texto foi reproduzido no blog Análise Indiscreta e pode ser lido aqui.

gilda

Veja também:
Dez clássicos com subtexto gay

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s