Alain Delon, 80 anos

Ao contrário do que dizem, não sou o ator difícil com os grandes diretores, sou difícil com os imbecis. Com os grandes vou de olhos fechados, mas com aqueles que não sabem sequer onde colocar a câmera, sou terrível. Com esses diretores citados [Luchino Visconti, René Clément e Michelangelo Antonioni, citados antes na entrevista] e com [Jean-Pierre] Melville, tudo tinha seu lugar marcado, fosse o chapéu, o laço, o cachecol, os sapatos, tudo estava previsto. Esses diretores, como Clément, têm três qualidades essenciais ao diretor: primeiro, dirigem como o ator deve ficar, sentado com as pernas cruzadas ou não; a seguir, dizem o que o ator vai fazer, quando entra em cena; e por fim, vão dirigir o filme atrás da câmera. A maioria dos atuais diretores tem só uma ou duas dessas qualidades, nunca as três. Antes os realizadores também escreviam, agora raramente, e o que fazem é mais pelo dinheiro.

Alain Delon, em entrevista ao Jornal Brasil de Fato, na ocasião do Festival Internacional de Cinema de Locarno, quando foi homenageado (agosto de 2012; leia a entrevista completa aqui). Abaixo, o ator em O Samurai, de Melville.

o samurai

Veja também:
Bastidores: A Sereia do Mississippi

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