Os 33, de Patricia Riggen

O jeito heroico de Mario Sepúlveda não esconde sua malícia, como deixa ver a interpretação de Antonio Banderas. Esse jeito, às vezes à beira do exagero, como pede a produção, é o que há de melhor em Os 33, de Patricia Riggen. Mas é pouco. Nada mais que a atuação correta, longe do artificialismo geral. Mario é um dos 33 mineiros que ficaram presos em uma mina no Chile, em 2010, após seu desabamento.

Desde o início, com o anúncio de que os homens estavam vivos, um filme começava a nascer: a história de heroísmo, de sobrevivência, com alguns detalhes sobre os mais de 60 dias nos quais os mineiros tiveram de conviver com seus instintos.

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os 33

A obra de Riggen não escapa à regra dos filmes sobre sobrevivência e resgate: nada ali vai além do drama esperado, na forma como o ministro das Minas (Rodrigo Santoro) continua a acreditar, na maneira como a irmã desesperada (Juliette Binoche) – outras vezes ausente – busca respostas, ou na maneira como Mario resiste.

O desfecho é conhecido: todos os mineiros sobrevivem, e alguns são eleitos os protagonistas da história. Também são deles os recortes a ganhar destaque, o que se espera de uma produção como tal, “correta” do início ao fim.

Nesse caso, o jovem que será pai, o velho homem em seu último dia de trabalho, o responsável pela segurança do grupo e que prevê o desabamento, o boliviano que não é aceito entre eles devido à nacionalidade e, claro, aquele que comanda o bando.

Não por acaso, Mario ganha destaque. Ele une todos, guarda a comida do velho baú. Quando a máquina perfuradora finalmente chega aos mineiros, é Mario o primeiro a ver a luz, com as mãos para o alto, típico gesto do miserável sobrevivente.

Depois da descoberta, o grupo começa a receber mantimentos. A velha caverna ganha um pouco de cores, os homens selvagens aproximam-se da civilização. A briga não é mais pela pouca comida. Sequer lembram os mineiros de antes.

Do lado de fora, muita gente deseja capitalizar. Surgem promessas, propostas, discursos. A política não é esquecida. Felizmente, o filme não faz questão de agradar o presidente, que antes não desejava se envolver no resgate. O anúncio de que os mineiros estão vivos, mais tarde, será dado justamente por ele.

No filme de Riggen, piores que os humanos são os vícios cinematográficos. Assim, não resta muito além do convencional, com os reencontros carregados de lágrimas e o jeito conhecido de Banderas – não raro involuntariamente cômico.

(The 33, Patricia Riggen, 2015)

Nota: ★☆☆☆☆

Veja também:
O Último Cine Drive-in, de Iberê Carvalho

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