Menina safada

Como Jeanne, Maria Schneider, que nunca havia atuado antes, traz um perfume das heroínas dos filmes de Jean Renoir e das modelos do pai dele. Com suas pernas longas e rosto de bebê, ela capta toda a história da paixão no cinema. O frescor de Maria Schneider – a inocência de Jeanne ingenuamente corrompida – confere um brilho especial ao filme. Quando levanta a barra de seu vestido de noiva até a cintura, sorrindo de maneira coquete ao expor seus pelos pubianos, ela se integra à grande tradição cinematográfica das meninas safadas e irresistíveis. Maria tem um rosto de cinema – aberto para a câmera, despreocupado como se a lente fosse uma planta ou um gatinho.

Pauline Kael, em uma crítica sobre Último Tango em Paris, após o lançamento do filme de Bernardo Bertolucci no Festival de Nova York, em outubro de 1972. Texto publicado na Revista Piauí, na ocasião da morte de Maria Schneider, com a tradução de Paula Scarpin (março de 2011; leia aqui o texto completo).

o último tango

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