40 anos sem Pasolini

O fim de Pier Paolo Pasolini foi trágico. Durante toda a vida, o cineasta não cansou de polêmicas, do engajamento político à crítica aos jovens burgueses engajados, da necessidade de voltar ao que mais parecia medieval e livre ao ataque ao fascismo.

Há 40 anos, ele foi assassinado por um garoto de programa, em uma praia, diz a versão oficial. Outra versão aponta a um crime político. Sua morte ainda causa debate.

Pasolini dizia que a vida só tem sentido com a chegada da morte – como a relação do cinema com o corte. A vida seria um plano-sequência sem fim, ou quase. A morte dá vez à interrupção de qualquer tentativa de refazer o passado. É o ponto de organização.

pasolini

Os primeiros filmes de Pasolini levam à marginalidade da cidade grande, aos seres perdidos de Desajuste Social, à mãe prostituta e protetora de Mamma Roma. Depois, revisa alguns mitos, não sem mostrar contradições – em O Evangelho Segundo São Mateus, por exemplo, pode-se ver a riqueza de alguns membros da poderosa Igreja.

O diretor colocava-se contra a burguesia de sua época, o neocapitalismo que formatava tudo à sua maneira. Seu cinema, portanto, não deixa de ser de revolta, e de resposta.

A Trilogia da Vida, no início dos anos 70, propõe a volta a um mundo pregresso, com personagens espontâneas, erotismo, com a tomada do mito, mas o mito cheio de liberdade, que acredita ter as rédeas do destino enquanto é conduzido por força maior.

É nessa aparência marginal, em seu “cinema de poesia”, que Pasolini torna-se cada vez mais urgente. Seu cinema defende o “discurso indireto livre”, com o mergulho do autor na alma da personagem. Para o cineasta, cinema é vida.

Veja também:
A Trilogia da Vida, de Pier Paolo Pasolini

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