As duas mulheres de Palavras ao Vento

Há duas mulheres de peso em Palavras ao Vento, de Douglas Sirk: primeiro, a mulher distante, séria, a ser conquistada pelos homens em cena. Ao contrário do que se pensa, nunca é previsível. Como diz o próprio Sirk, ela surpreende sempre, fazendo o espectador pensar uma coisa e encontrar outra – como a possibilidade de ser adúltera.

À personagem Lucy, Lauren Bacall (abaixo) entrega não mais que seu tipo habitual, sua distância. Quando menos percebe, já se deixou levar pela rica família que vive do petróleo, e sem se dobrar às suas grandes torres.

palavras ao vento

Quase tudo dá errado. É o campo do melodrama. Lucy é amada por diferentes homens, o patrão rico – com quem se casa – e o empregado, talvez mais interessante – mas a quem uma mulher como ela talvez não esteja facilmente destinada.

E destino, aqui, faz a diferença. Para apimentar a situação, ou apenas para bagunçá-la – segundo as regras do melodrama –, há ainda outra personagem secundária de peso, espécie de vampira, interpretada por Dorothy Malone (abaixo).

A segunda mulher desse grande filme de Sirk é fácil, impulsiva, e só seria igualada, mais tarde, pela Barbara Loden de Clamor do Sexo, de Elia Kazan.

Em uma de suas melhores sequências, ela dança enquanto o pai encontra a morte. Desestabiliza a família enquanto não consegue conquistar o empregado e, por isso, aceita qualquer homem da cidade. Incontrolável, uma explosão de sexualidade.

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