Cinco filmes recentes com violência extrema

Não é só em seu excesso que a violência chama a atenção no cinema. Nem sempre é preciso do choque gratuito. Filmes verdadeiramente violentos constroem personagens antes de situações extremas: entregam ao público uma mistura de sentimentos e sensações estranhas, que não raro dá vez à loucura.

Abaixo estão cinco filmes recentes que nem sempre apelam ao sangue fácil. Em um ou outro, basta apenas uma sequência para se entender como a violência é construída, antes, por diálogos, por relações entre pessoas, para apenas mais tarde chegar ao sangue.

13 Assassinos, de Takashi Miike

O diretor já foi considerado o “Quentin Tarantino oriental”. E, como o americano, é chegado a altas doses de violência. Em 13 Assassinos, ele traz a incrível história – levada às telas na também ótima versão de 1963 – sobre um grupo de samurais que se une para derrotar um poderoso líder local. Para tanto, orquestram uma emboscada na bela sequência de encerramento, sem economia de sangue e golpes de espada.

13 assassinos

Miss Violence, de Alexandros Avranas

Da nova safra do cinema grego, o filme começa com o suicídio de uma garota no dia de seu aniversário. Mas não antes de flertar com o próprio público, na condição de testemunha. O que vem a seguir é uma série de segredos assustadores que envolvem uma família aparentemente normal. Como em outros filmes gregos, o choque dá-se pelo realismo, pelos gestos diretos e gélidos das personagens.

miss violence

Heli, de Amat Escalante

A sequência de tortura do protagonista, preso por criminosos, é difícil de ver. O filme passa-se em um espaço árido, em que um jovem policial tenta se dar bem ao furtar uma certa quantia de cocaína, mas acaba envolvendo sua namorada e a família dela. Todo o drama seguinte será consequência desse furto. E, sem querer, o protagonista, Heli (Armando Espitia), vê-se no meio do furacão. Melhor direção em Cannes.

heli

A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky

Durante o filme não há um diálogo sequer. Os adolescentes em cena são deficientes auditivos. A comunicação entre eles supõe o que ocorre. E não é difícil entender esses jogos de poder, a crueldade de um cinema que ao mesmo tempo tudo mostra e tudo esconde. Os planos-sequência dão essa ideia realista: têm-se acesso a cada espaço, a cada respiração. Ainda assim, não é possível saber quem são esses garotos.

a gangue

Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga

O território é algum país do continente africano e, de certo modo, a situação já foi mostrada antes em filmes como A Feiticeira da Guerra. No entanto, a obra de Fukunaga conquista pela maneira como constrói o protagonista ambíguo, o menino de olhar triste ao qual a câmera ora ou outra retorna. É sobre crianças convertidas em soldados de grupos paramilitares e cuja missão é matar – enquanto se tornam monstros.

beasts of no nation

Veja também:
Dez filmes que mudaram a cara do cinema americano

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s