Crime artístico

Lá em cima [no World Trade Center], um jovem francês chamado Philippe Petit caminhava sobre um cabo de ferro suspenso entre as duas torres. Andou por cerca de uma hora. Há momentos em que ele se senta, outros em que se deita sobre o arame. Numa atitude de irreverência, ele acena para os policiais, que subiram para persuadi-lo a dar o fora dali. Àquela altura, no entanto, o espetáculo estava feito, e Petit já ganhara os corações dos milhares de cidadãos de Nova York – que sorriam, entre incrédulos e encantados, com o que logo depois seria considerado o maior “crime artístico” do século 20.

André Nigri, jornalista, sobre O Equilibrista (Revista Bravo, abril de 2009).

A audácia de Petit retorna aos cinemas em A Travessia, de Robert Zemeckis. Se o documentário de James Marsh investe no registro da travessia do francês por um olhar segundo, como se o criador fosse alguém do bando do equilibrista, o filme de ficção deseja colocar o espectador sobre os pés do protagonista – e no alto das torres.

Não deixa de ser uma experiência emocionante, ainda mais quando se vê a recriação perfeita das torres, em estúdio, e dos belos efeitos de profundidade, a simular a altura. Por outro lado, vale questionar por que o documentário é mais emocionante.

O trabalho de Marsh – ainda que utilize algumas cenas recriadas, justamente para preencher a ausência do registro da época – não pretende colocar o espectador à beira do abismo físico, visível, no alto das torres. O que deseja é questionar o que leva o homem a tal empreitada.

o equilibrista

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