Três perguntas sobre Casablanca

Há muitos mistérios ligados a Casablanca, o clássico de Michael Curtiz. É sobre alguns deles que fala o escritor Renzo Mora, autor do livro Casablanca – A Criação de uma Obra-Prima Involuntária do Cinema (Editora Estronho; saiba mais aqui), com exclusividade ao blog Palavras de Cinema. O que devia ser uma entre várias produções da época a atacar os inimigos, durante a Segunda Guerra, continuou viva para além da propaganda.

O anti-herói ao centro tem seu tempo para reencontrar a mulher que ama, também para buscar a redenção e colocar à frente os problemas do mundo; os coadjuvantes são perfeitos, cada um como peça privilegiada; as frases, tão lembradas, seriam revisitadas inúmeras vezes, sendo difícil imaginar a melhor, ou a mais importante.

humphrey bogart & dooley wilson - casablanca 1943

É sobre um pouco desse grande filme – no desafio das três perguntas – que fala Renzo, para provar que o clássico segue vivo.

Ao contrário de E o Vento Levou, Casablanca era mais uma entre as várias produções da Warner de 1942. O que fez dela um filme tão especial?

Isso ninguém sabe. É uma daquelas tempestades perfeitas, que se formam sem ninguém entender. Era para ser apenas um filme a mais e nenhum dos participantes imaginava que ele pudesse ser lembrado tanto tempo depois. Bogart e Bergman riam da bobagem da premissa de uma carta irrevogável para atravessar fronteiras. Bergman só queria fazer Por Quem os Sinos Dobram e sair daquela roubada. Mas valeu o “gênio do sistema de estúdios”, essa entidade sem nome ou rosto capaz de combinar talentos e produzir resultados maiores que a soma das partes.

Por que Casablanca pode ser considerado um filme de propaganda?

Ele surge no momento em que era necessário mobilizar os americanos a combaterem os nazistas – ideia que não convencia muito a população. Para eles, aquela era uma guerra europeia da qual eles queriam distância. Por coincidência, o roteiro do filme bate na Warner no dia exato do ataque de Pearl Harbor. Deste dia em diante, Hollywood se mobilizou fortemente para que seus filmes demonizassem os nazistas. Este confronto direto vinha sendo cuidadosamente evitado, até porque, no início, Hitler – antes de revelar seu lado psicopata – tinha fãs nos Estados Unidos, como o aviador herói Charles Lindbergh, conhecido antissemita.

Várias das frases do filme entraram para a história. Qual sua favorita?

Esse é um desafio. O roteiro todo está cheio de frases brilhantes. Escolher uma em particular é impossível. No final do meu livro listo uma relação de momentos brilhantes ditos pelas personagens. O filme todo é uma aula de roteiro, indispensável para apaixonados. Curiosamente, a frase mais famosa do filme, “Play It Again, Sam”, nunca é dita. Mais um mistério.

Renzo Mora, colaborador de revistas como VIP e Playboy e autor de Cinema Falado, Sinatra – o Homem e a Música e Casablanca – A Criação de uma Obra-Prima Involuntária do Cinema.

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