Um Pouco de Caos, de Alan Rickman

Tiradas as questões que envolvem o roteiro, nada é muito caótico em Um Pouco de Caos. Do início ao fim, o filme de Alan Rickman é morno, quase para, e, quando se aproxima de um caminho, logo retorna e toma novo rumo.

Começa como a história de uma mulher contra o mundo masculino. Depois, segue para a história de amor entre a protagonista, a paisagista vivida por Kate Winslet, e seu mestre, a serviço do rei, interpretado por Matthias Schoenaerts.

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Não bastasse a mudança, há outras: a certa altura, o rei ganha peso na história ao perder a mulher e se aproximar da paisagista. Há também o drama passado da mesma personagem, a tragédia familiar que a impede de se entregar a outro homem.

Sabine De Barra (Winslet) nunca é a mulher forte esperada – apesar de estar sempre entre homens, a conquistá-los ou a conduzi-los, ou mesmo a levar uma rosa ao rei, a certa altura, para encontrar o paralelo entre o sexo feminino e as rosas.

A beleza vazia, servida por um roteiro com várias pontas e pouco foco, torna o filme de Rickman desestimulante. Ainda que Winslet tenha inegável talento, sua personagem vai pouco além da mulher fraca, cuja natureza meiga conquista os homens ao redor – e que serve para dizer palavras “certas” ao rei, como poesia.

Ou seja, tudo o que ele queria ouvir: nada de raivoso, ou nada que poderia confrontá-lo. Por outro lado, ela nega-se a estar no mesmo círculo que os outros. O filme de Rickman deixa suas mensagens às sutilezas visuais. A revolução dela é pacata.

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No início, pouco antes de se encontrar com André Le Notre (Schoenaerts) para pleitear o novo emprego, ela retira um vaso do centro do jardim do rei; na parte final, após entregar uma obra do Palácio de Versalhes, ela deixa o centro de outro círculo.

O filme brinca com a crença no poder, com sua cegueira. No início, o rei é aplaudido pelos filhos e pela rainha, e se sente poderoso, talvez, com tal gesto ingênuo.

Ao contrário da viúva De Barra, André tem uma companheira (Helen McCrory). O roteiro esquemático logo a trata como vilã, que trai o rapaz descontente com qualquer outro homem e, mais tarde, tenta destruir a obra da heroína.

Esse universo de máscaras, cheio de gente afetada, encontra no rei sua síntese. Poucos atores seguram esse peso tão bem quanto Rickman, que pode ser blasé sem perder a seriedade, que pode enriquecer a tela mesmo quando sem graça. É mais como ator e menos como diretor que Rickman deixa bela marca.

Nota: ★★☆☆☆

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