O Sal da Terra, de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders

As primeiras fotos de Sebastião Salgado em O Sal da Terra revelam Serra Pelada. As imagens resumem o documentário de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders: ao longo das histórias de Sebastião, o homem encontra-se sempre à beira do abismo, ou em seu interior. A esperança chega apenas no final, com a natureza bruta.

Aos homens não resta esperança alguma. Melhor retornar ao início. E, não por acaso, o último projeto de Sebastião chama-se Gênesis, sem rastros da civilização moderna.

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Suas fotos atestam o fracasso do homem. Ao acrescentarem a narração de Sebastião, os documentaristas ainda permitem que o olhar às fotos seja preenchido com outras informações. Há histórias além das imagens de conflitos e morte.

A voz pouco esperançosa de Sebastião aumenta o tom de tristeza. É a fixação da dor. Essa voz que não muda o ritmo carrega consciência: o fotógrafo que relata o passado já viu tudo e, à sua maneira, descobriu o que o homem é capaz.

Como lembra o próprio Sebastião, a história do homem é uma história de guerras e conflitos, de fome e desesperança. Talvez, no fundo, suas fotos apenas atestem o que já se sabe e, na era da gratuidade digital, a alguns não tenham o impacto esperado.

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Os trabalhos de Sebastião consumiram décadas. Suas fotos revelam histórias de dor e derrotas com sensibilidade, sempre em preto e branco. O olhar não raro se perde entre tristeza e beleza, nesse híbrido comum à arte, entre a busca da verdade horrenda e da composição bela – da qual o cinema também não escapa.

O Sal da Terra está entre a consciência cinematográfica de Wenders, com a distância que necessita para captar Sebastião e sua arte, e a intimidade de Juliano, filho do fotógrafo. Dessa união surge um documentário sempre interessante, nunca apelativo ou pessoal demais, nunca para tentar explicar a fundo quem é Sebastião.

Mais do que um documentário sobre o artista, é sobre seu olhar, a história por trás de fotos de crianças mortas, de homens sujos de petróleo, de guerras e migrações. Registro extenso sobre maldades humanas, captado de forma singular.

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