Cinco momentos inesquecíveis de Nosferatu

Mais do que um filme de vampiro, Nosferatu, de F.W. Murnau, narra o encontro entre homem e monstro, entre vivos e mortos – por consequência, a perdição da sociedade. O resultado é o hospício, o desejo, caixões com ratos, o monstro com garras.

O expressionismo alemão, aqui, leva seu monstro a ambientes reais – ao contrário do caligarismo e seu universo deformado, de curvas estranhas, como enunciação da inconstância e dos monstros humanos. Para muitos, o expressionismo e o caligarismo anunciam o mal do nazismo alemão, a bater a porta.

A oportunidade de trabalho

Ainda no início de Nosferatu, o jovem Hutter (Gustav von Wangenheim) vê a oportunidade de trabalho em uma viagem: da cidade, ele segue para o campo, para o castelo de Orlok (Max Schreck), que deseja comprar uma propriedade. O anúncio do mal é estampado no rosto de sua amada, a angelical Ellen (Greta Schröder).

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Sangue

Para Ellen, o mal não é visto, é sentido; para o amado e cético Hutter, demora a ser sentido, ainda que já possa ser visto nos traços do estranho Orlok, que não consegue disfarçar a monstruosidade. Também frágil a seus instintos, o monstro deixa ver sua sede quando o sangue jorra do dedo do rapaz, ao cortá-lo com a faca.

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O sono do monstro

A confirmação do mal, para Hutter, dá-se quando encontra o caixão em que dorme Orlok. Sim, um vampiro, e com a intenção de sair do castelo: do campo – onde repousa o mal – ele segue à cidade. Murnau filma o momento com plano aberto, do alto, com a revelação do espaço, com o movimento do vivo em contraponto à paralisia do morto.

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Transbordo de ratos

Uma das imagens que definem Nosferatu é o transbordar dos ratos, após a morte dos tripulantes do navio às portas da cidade. O mal chega com a embarcação, com sua ideia de progresso e, ao mesmo tempo, com o fracasso. Os ratos evidenciam toda a podridão do submundo. É o momento em que saem para a luz.

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A fusão

No desfecho, o monstro enfim encontra a mulher desejada. É o momento da fusão entre anjo e demônio, sabiamente filmado por Murnau com escuridão. A dificuldade de ver realça o simbolismo da sequência: às escuras e ao canto, a bela e a fera tornam-se uma coisa só, ao passo que o sacrifício dela permite que o monstro morra exposto à luz.

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Veja também:
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